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Humano, Demasiado Humano

Núbia Ferreira

Neuroses Traumáticas de Guerra: Marcas Profundas

Destaco este trecho do livro “Nada de novo no front” de Erich Maria Remarque: “...Tombou morto em outubro de 1918, num dia tão tranquilo em toda a linha de frente, que o comunicado se limitou a uma frase: “Nada de novo no front”. Caiu de bruços, e ficou estendido, como se estivesse dormindo. Quando alguém o virou, viu-se que ele não devia ter sofrido muito. Tinha no rosto uma expressão tão serena, que quase parecia estar satisfeito de ter terminado assim.” Afinal, só os mortos conhecem o fim da guerra!


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A palavra “trauma” em sua etimologia vem do conceito grego que significa “ferida” causada por um agente externo, gerando danos violentos aos indivíduos afetados, a palavra é adquirida na medicina com conceito de trauma que denota uma ferida aberto ou fechada. Segundo o dicionário Aurélio a palavra trauma segue de uma experiência negativa que acarreta consequências em longo prazo.

À medida que o trauma se instaura e modifica o aparelho psíquico, podemos indagar sobre as variações de intensidade da vivencia traumática como a pedra angular para definir as consequências por ela geradas. O sujeito tende a manifestar os sintomas como resposta ao acontecimento que foi mal elaborado em sua psique, substanciando a importância de uma intervenção clinica.

O quadro sintomático apresentado pela neurose traumática aproxima-se do da histeria pela abundância de seus sintomas motores semelhantes; em geral, contudo, ultrapassa-o em seus sinais fortemente acentuados de indisposição subjetiva (no que se assemelha à hipocondria ou melancolia), bem como nas provas que fornece de debilitamento e de perturbação muito mais abrangentes e gerais das capacidades mentais. (FREUD, Além do Principio do Prazer, vol18, p08)

Atribui-se a importância da etiologia do trauma ao susto, neste momento acontece uma falha na tarefa defensiva do escudo protetor tornando o sujeito atingível ao trauma, ameaçando o inconsciente que provoca um distúrbio no funcionamento do organismo. O aparelho psíquico é marcado pelo trauma afetivo intenso uma vez que o sujeito não consegue lidar com a experiência bélica, marcando-o de forma indelével.

As neuroses de guerra, na medida em que se distinguem das neuroses comuns por características particulares, devem ser consideradas como neuroses traumáticas cuja ocorrência se tornou possível ou foi provocada por um conflito no ego. (FREUD, Uma Neurose Infantil e Outros Trabalhos, Introdução a Psicanálise e as Neuroses de Guerra (1919), Vol17, p131)

Do ponto de vista clinico a importância de se definir o trauma vem da necessidade de compreender o sujeito que apresenta sintomas associados a experiências emocionais que ocasionam sentimentos de medo, vergonha ou susto de forma que essa patologia está relacionada com a cena traumática vivenciada pelo sujeito, e partir desse ponto trabalhar o traumático a fim de tentar resolver o conflito que o aparelho psíquico não consegue elaborar, e descobrir uma forma de dissociar o trauma da psique.

A cena acima é referente ao filme Brothers dirigido por Jim Sheridan, a trama conta a história do americano Sam, um jovem soldado que junta-se às forças de paz da ONU no Afeganistão, aonde sofre torturas e vivência um verdadeiro inferno. O filme segue mostrando um drama familiar e traumas que a guerra pode deixar nos ex-combatentes mostrando que a guerra não termina no campo de batalha.

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