pra não dizer que não falei das flores.

Eu convido você para um mundo onde não existe tal coisa como o tempo.

Isabel Nobre

Nem sei mais.

10 filmes franceses que você precisa assistir

É bem perceptível que a maioria da população do mundo se foca muito no cinema americano, não conscientemente, e sim, por uma imposição, que é consequência do imperialismo dos EUA no mundo. Enfim, como não podemos acabar com a brincadeira dos americanos que fazem lavagem cerebral numa massa significativa da população mundial, vamos organizar o nosso (discreto) anarquismo. Aqui eu indico alguns dos melhores filmes franceses que já assisti, então é isso, peguem a pipoca e vamos à luta!


tumblr_m6q2r932HQ1qza9ouo1_500.jpg Anna Karina e Jean-Luc Godard

10° posição: Uma mulher é uma mulher (Une femme est une femme) 1961

Esse é um clássico exemplo de Nouvelle Vague, em plena aurora, desfrutada de uma maneira espetacular por Godard. O que uma Anna Karina não faz com um cineasta? Inspirado em uma musa(e esposa, na época) Gordard não poderia ter se saído mal, o resultado se dá numa brilhante obra-prima que é ofertada para nós. A liberdade anárquica da câmera nos faz sentir mais intensamente a liberdade de o filme expressa. Um triângulo amoroso entre uma stripper, seu amante e seu amigo. Angela (Anna Karina) é uma dançarina que quer ter um filho. Para tanto, decide convencer o namorado, o ciclista Émile (Jean-Claude Brialy), que não dá bola para seus apelos. Diante da negativa, a bela decide recorrer a outro homem: Alfred (Jean-Paul Belmondo), seu vizinho e grande amigo. O que Angela não sabe é que o novo candidato a pai sempre foi apaixonado por ela e, com esse convite, uma série de confusões será desencadeada. Acontece que esse triangulo amoroso é um tanto diferente do que estamos acostumados. É leve, as brigas travadas entre os personagens são brigas infantis e engraçadas que logo são resolvidas e a amizade dos dois rapazes não é em momento algum afetada, se falar na independência de Angela e o respeito que os dois tem por ela. É um filme muito amável.

País de Origem: Itália / França Gênero: Comédia Tempo de Duração: 85 minutos

9° posição: Acossados (À bout de souffle) 1960

O início definitivo da nouvelle vague. Ótimo filme, o romance no qual envolve os dois principais atores do filme é bem descontraído. Uma paixão de "adolescentes" é o que me lembrou. Fugindo assim do convencional, pois na maior parte dos filmes vemos namoros burocráticos e sem sal. Chama atenção à maneira em que as filmagens das cenas foram feitas. Tem horas que parece que os próprios atores estão andando com a câmera na mão e outras em que você sente o tremor da câmera, sentimos os passos dele (nouvelle vague). Parece que Godard queria trazer o cinema ao "âmbito" do amadorismo, sem deixar é claro, de ter qualidade artística e liberdade de expressão acima do cinema clássico. Um filme inovador para a época, quebrando com os dogmas tradicionais dos cineastas até então.

Dirigido por: Jean-Luc Godard Com: Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Jean-Luc Godard Gênero: Policial, Drama, Romance

8° posição: Canções de Amor (Les chansons d'amour) 2007

Ismaël (Louis Garrel

Gênero: drama, musical, romance, Diretor: Christophe Honoré Roterista: Christophe Honoré Trilha: Alex Beaupain

7° posição: Os Bem-amados (Les Bien-Aimés) 2011

Também é filme de Christophe Honoré e também conta com Louis Garrel no elenco, e muitas músicas bonitas. Não preciso nem comentar que a história é muito linda, interessante e toca a alma. O significado do filme é lindo, os amores são meio frustrantes, ela o ama que ama aquela que ama aquele, bem vida real mesmo. Porém, com um significado a mais, um toque de mágica é dado em todo esse desespero que é a vida. Duas gerações de mulheres, Madeleine e Vera, mãe e filha. As suas vidas e os seus amores, as suas ilusões e desenganos. Esta é a história delas e dos homens que amaram, seja no passado de Madeleine, na década de 60, com a emancipação feminina e o amor livre, ou na fuga ao compromisso que marca a geração de Vera, durante os anos 90 e passagem do século.

Com: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Ludivine Sagnier, Louis Garrel, Paul Schneider, Milos Forman Género:Drama, Musical GB/FRA/República Checa, Cores, 136 min.

6° posição: A rebelião (L'ordre et la morale) 2011

A França, país da igualdade, fraternidade e liberdade, abriga um núcleo duro de colonialistas. O filme narra uma história real que descreve em detalhes as facetas do ataque à Gruta de Ouvéa, na Nova Caledônia. Envolvido em um suspense contínuo e crescente, o caso do ataque ao posto policial de Fayaoué, onde morrem 4 guardas e 30 outros são sequestrados, será ou não, resolvido à força pelo exército francês? Tudo acontece em 12 dias, entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, disputadas por Mitterrand e Chirac, a esquerda e a direita, um presidente, outro 1o. ministro. Por se tratar de um filme baseado em fatos veridicos eles conseguiram contar uma história de modo que não aborrece quem assiste... o ritmo das negociações entre exército e politicos e rebeldes faz o ator principal dançar o samba do crioulo doido... não é um filme de ação ou guerra é apenas um policial bem intencionado tentado evitar uma carnificina... eu gostei muito. No fim, o filme mostra que político é uma merda em qualquer país.

Direção: Mathieu Kassovitz (sim, o ator de le fabuleux destin d'amelie poulain! ele atua como o personagem principal desse filme também). Gênero: Ação/Drama Áudio: Francês

5° posição: A culpa é do fidel! (La faute à Fidel!) 2006

Esse filme é muito bom. No começo eu fiquei com uma raiva da garotinha mas depois entedi o seu ponto de vista. Sendo filha de quem é, a diretora Julie Gavras deveria mesmo mostrar alguma inclinação pelo cinema político. Afinal, seu pai, o franco-grego Constantin Costa Gavras, assina alguns clássicos do gênero, como Z e Missing – Desaparecido. E, para não decepcionar ninguém, Julie entra mesmo por essa vertente, mas o faz com um toque muito pessoal e feminino, que inclui características nem sempre presentes no cinema do pai – o humor e a ternura. O que significava, na época, ser uma criança em idade escolar e ter pais militantes políticos? É a situação que precisa ser enfrentada por Anna (Nina Kervel-Bey) que tem 9 anos e deve se conformar a um universo familiar regido por pais de esquerda, e fundamentalistas (Stefano Acorsi e Julie Depardieu). Um pequeno trecho daquela época de sonhos, muitos dos quais transformados em pesadelos, passa pelos olhos da garota – dos reflexos da revolução cubana ao maio de 1968, da eleição à queda de Allende, passando pela Guerra do Vietnã. Enfim, alem de ser muito bom e envolvente, e muito instrutivo. Vale muito a pena.

Dirigido por: Julie Gavras Com: Julie Depardieu, Stefano Accorsi Gênero: Drama

4° posição: Trilogia das cores de Krzysztof Kieslowski 1993,1994

Na verdade Krzysztof Kieslowski é polonês, mas como seus filmes são na grande maioria em francês não vi problema em incluir está bela trilogia completamente francesa neste ranking. O projeto “A trilogia das cores” nasce por dois motivos: o bicentenário da revolução francesa, sendo que é deste fato histórico/ político donde nasceu o lema: liberdade, igualdade e fraternidade, e o segundo fato é o momento político europeu, a comemoração da unificação da Europa, a já conhecida União Européia. Feito o contexto da obra, vamos a ela. Com os três lemas da bandeira francesa, transportá-los a década de 90 e com a seguinte questão, como estão estes valores no mundo de hoje? Como anda a liberdade, a igualdade e a fraternidade na Europa e no mundo hoje?

A liberdade é azul ou apenas Azul, como no título original, Kieslowski toma como ponto de partida a tragédia e os dez minutos iniciais já denotam a desgraça. Num acidente de carro, Julie (Juliette Binoche) perde o marido e a filha, após a tragédia a personagem decide-se livrar de tudo que lhe prende ao passado, porém, impossível se livrar de tudo, eis o ponto filosófico do roteiro, aquela liberdade utópica é possível?

Em “A igualdade é branca” a personagem central é Carol (Zbiniew Zamachowski) ele é polonês e não fala francês, é apaixonado pela sua mulher, Dominique (Julie Delpy), que o surpreende com um pedido de divórcio, Carol é julgado na França sem falar uma palavra sequer em francês, mesmo em tom de comédia o filme já dá o tom logo de cara, como um estrangeiro é julgado, obrigado a assinar uma separação sem sequer falar a língua nativa, sem um interprete, onde reside a igualdade na sociedade? Carol resolve retornar a sua cidade natal, volta a trabalhar com o irmão na profissão de cabeleireiro e planeja uma inusitada vingança.

No Vermelho ou “A fraternidade é vermelha”, Valentine (Irene Jacob) leva uma vida normal, faz curso universitário, no filme não é citado qual curso, ganha o seu dinheiro como modelo, tem um namorado onipresente no filme, toda a sua tranqüilidade e normalidade serão quebradas quando atropela uma cadela pastor-alemão, na coleira da cadela há o endereço de sua casa, Valentine vai então até lá, quando adentra a casa do dono, o Juiz, senhor aposentado que tem um estranho hobby, com um aparelho de escuta, consegue escutar as conversas telefônicas de seus vizinhos, paralelamente há a história de um jovem que estuda pra ser juiz e tenta a sorte no amor, porém nada fácil e linear na visão de Kieslowski.

Amo essa trilogia! E amo também ao Grande Mestre Kieslowski. Seria a liberdade algo trágico? A igualdade uma comédia? A fraternidade inexistente?

3° posição: Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires) 2010

Em um belo dia, tudo muda. Alguém chama sua atenção, seja por questões estéticas, intelectuais, de personalidade ou ainda um pouco de cada uma delas. De repente a pessoa passa a brilhar, tudo que ela faz soa perfeito. As qualidades são maximizadas, os defeitos são tão menores que podem ficar de lado. Sem se dar conta, você está apaixonado(a). Vem então a derradeira pergunta: o sentimento é recíproco? O alvo tem consciência deste interesse ou ao menos já deu algum indício que algo possa realmente acontecer? É a partir destas duas questões que surge Amores Imaginários, um criativo exercício do diretor e protagonista Xavier Dolan sobre a transformação avassaladora provocada pela paixão e o quanto ela pode ser ilusória, sem que a própria pessoa perceba. Francis (Xavier Dolan) e Marie (Monia Chokri) são amigos inseparáveis. Suas vidas mudam quando conhecem Nicolas (Niels Schneider), um charmoso rapaz do interior que acaba de se mudar para Montreal. Um encontro se sucede ao outro e os três logo se tornam um grupo inseparável. Mas Francis e Marie, ambos apaixonados por Nicolas, desenvolvem fantasias obsessivas em torno de seu objeto de desejo comum. À medida que atravessam as típicas fases da paixão, embarcam numa verdadeira disputa pela atenção do rapaz, comprometendo sua antiga amizade. A trilha sonora desse filme é incrível! O filme é canadense, mas o idioma é francês, então...

Dirigido por: Xavier Dolan Com: Xavier Dolan Gênero: Comédia dramática

2° posição: A guerra está declarada (La Guerre Est Déclaree) 2011

Esse filme é absolutamente lindo, mistura a diversão de jovem e a responsabilidade de adulto em uma trama envolvente que mostra a verdadeira guerra: a vida. Quando Roméo e Juliette se conhecem, brincam com a coincidência dos nomes e, em tom de piada, declaram estar fadados a um destino trágico. Os dois se apaixonam, casam e têm seu primeiro filho, Adam. Mas a ilusão do conto de fadas se quebra após uma visita ao pediatra, que diagnostica um tumor cerebral no menino. A partir daí, a rotina da família se transforma numa constante jornada por corredores de hospitais. E a doença do filho vai obrigar o casal a enfrentar problemas reais da vida adulta. Dizem que A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée) é uma rara história sobre câncer sem sentimentalismo, mas um olhar mais atento logo vê que isso é impreciso. O sentimentalismo de Valérie Donzelli (além de protagonizar com seu marido Elkaïm a atriz dirige o filme) é de outro tipo, não o sensacionalista, choroso, mas um sentimentalismo de realidade aumentada, por assim dizer, onde tudo o que é projeção - anseios, frustrações - se materializa em imagens.

Diretor: Valérie Donzelli Elenco: Valérie Donzelli, Jérémie Elkaïm, César Desseix, Gabriel Elkaïm, Brigitte Sy, Elina Löwensohn, Michèle Moretti, Philippe Laudenbach, Bastien Bouillon, Béatrice De Staël Produção: Edouard Weil Roteiro: Valérie Donzelli, Jérémie Elkaïm Fotografia: Sébastien Buchmann Trilha Sonora: Pascal Mayer Duração: 100 min. Ano: 2011 País: França Gênero: Drama Cor: Colorido Distribuidora: Imovision

1° posição: Amigos Improváveis (Intouchables) 2011

Chegamos ao nosso primeiro lugar, e me arrisco a dizer, que nenhum ser do planeta terrestre tem o poder de não gostar desse filme. É emocionante e bem humorado, e foge da mesmise. Não é sobre casais apaixonados ou algum clichê do tipo. rançois Cluzet, um dos atores franceses mais conhecidos do momento, faz o refinado cadeirante Philippe (François Cluzet), um millionário que era um dos chefes da empresa Pommery, fabricante de champanhe, e que fica tetraplégico após um acidente de parapente e vive num palacete rodeado de empregados, entre eles Driss (Omar Sy), um ex-presidiário da África do Norte que vem da periferia de Paris, contratado para cuidar dele. Os personagens penetram um na vida do outro, unindo realidades tão distintas. A amizade entre eles se torna cada dia mais forte e verdadeira, e Philippe sente-se plenamente confortável ao lado de Driss, que não o trata como um inválido. Além disso, assuntos considerados tabus como o sexo e o desejo após um acidente desta magnitude, por exemplo, são trazidos à tona. O roteiro foi inspirado em uma história real! r.e.a.l! O filme mostra a luz da vida, que vale a pena estar aqui apesar de tudo, e que viver é um dom. Você vai me entender depois que assistir a essa obra prima.

Direção: Olivier Nakache, Eric Toledano Gênero: Drama Áudio: Francês


Isabel Nobre

Nem sei mais..
Saiba como escrever na obvious.
version 32/s/cinema// @obvious, @obvioushp //Isabel Nobre