pra não dizer que não falei das flores.

Eu convido você para um mundo onde não existe tal coisa como o tempo.

Isabel Nobre

Nem sei mais.

Taxi Driver: um filme sobre a solidão

Taxi Drive é um filme sobre “um homem solitário de Deus”, como o protagonista mesmo afirma durante o desenrolar do enredo. Uma solidão acompanhada por um sentimento de deslocamento diante de um mundo de contornos tão perversos e que não propõe grandes expectativas para um cidadão comum.


tumblr_m7toldQuOy1r7urx3o1_500.png Taxi Driver estreou no cinema 1 de Nova York no dia 8 de fevereiro de 1976, ao meio dia. O roteiro foi escrito por Paul Schrader, filho de calvinistas holandeses, que se baseou nos seus sentimentos reprimidos para escrevê-lo (certa vez, quando ele era ainda uma criança, sua mãe enfiou uma agulha debaixo de sua unha para que ele pudesse “saber como era o inferno” e fazer de tudo para não ir para lá, não podia assistir televisão, ir ao cinema ou ler livros, seu pai considerava quase tudo pecado e batia no garoto e seu irmão, Lucas Schrader, também roteirista, diariamente). Paul escrevia sempre com um revólver carregado ao seu lado, ele afirmava que o ajudava a escrever, era como se ele “se ameaçasse”.

Paul Schrader.jpg Paul Schrader.

Martin Scorsese lutou com unhas e dentes para dirigir o filme, não queriam permiti-lo, pois era um diretor iniciante e todos tinham adorado o roteiro, todos queriam fazê-lo. Depois de Martin dirigir Caminhos Perigosos, um filme pessoal, de baixo orçamento e com um sucesso inesperado de críticas, finalmente foi escalado para dirigir Taxi Driver. Paul e Scorsese se deram bem logo de cara, pois os dois eram marcados pela culpa da religião (Martin cresceu numa família católica, e a sua culpa pode ser vista em quase todos os seus filmes).

tumblr_m7oms7liv71r9rp3co1_500.jpg Martin e De Niro.

Travis Bickle, o motorista interpretado brilhantemente por Robert De Niro, é mais uma dessas almas perdidas e solitárias sem rumo nos EUA. Ex-combatente da guerra do Vietnã, mal adaptado socialmente, sofredor de insônia, vai procurar emprego como taxista noturno para ocupar seu tempo e fazer algum dinheiro. Consegue o trabalho, tem-se início a sua jornada pelas ruas “sujas” pela madrugada de Nova York. Sua repulsa por negros, prostitutas, drogados é crescente, ao passo que apaixona-se pela jovem secretária de comitê de campanha de um senador à Presidência interpretada por Cybill Shepherd – sobretudo detentora de uma beleza um tanto ariana. Desajeitado, ou melhor, desajustado, leva a garota para um cinema pornô. Obviamente o romance parou por ali, o que faz agravar ainda mais o lado doentio de Bickle. Ao fazer um filme sombrio e nada glamoroso, colocando Bickle e Betsy (Cybill) num ambiente decadente, contemporâneo e urbano, e frustrando completamente o caso de amor entres eles, Scorsese e Schrader transformaram sua história numa narrativa de pura brutalidade. A “consciência cindida” do taxista dá lugar a um perfil de assassino, uma mente obsessiva que quer fazer justiça por meio de um atentado ao senador/candidato.

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É no meio desse redemoinho emocional que o personagem pronuncia, sozinho diante do espelho, a que é possivelmente uma das falas mais famosas do cinema: “Are you talkin’ to me?" [Você está falando comigo?]. A frase, segundo reza a lenda, foi totalmente improvisada por De Niro.

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No desenrolar deste processo (que inclui um árduo treinamento físico e uma progressiva paranoia), Travis depara-se com a jovem prostituta de 12 anos Iris, interpretada por Jodie Foster. Ele quase conclui o atentado ao candidato, mas um dos seguranças não o permite e ele gasta todas suas energias para salvar a pequena Iris do mundo da prostituição, resultando em um tiroteio sangrento. Quando a mídia trata Travis Bickle como um herói, a intenção é fazer uma crítica à mídia. Personagens como Travis são justificados pela divulgação, se você está na capa da Vogue você é importante. O motivo pelo qual você está na capa não é importante. Mas no fim das contas, a crítica não ficou clara.

Fontes: Texto de Juliano Mion para o Cineplayers e Livro “Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou Hollywood” de Peter Biskind.


Isabel Nobre

Nem sei mais..
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