pra não dizer que não falei das flores.

Eu convido você para um mundo onde não existe tal coisa como o tempo.

Isabel Nobre

Nem sei mais.

Filosofia: A arte de enlouquecer o próximo (depois de si mesmo)

Filósofos que decidiam morrer de comer como tal Julien Offray de La Mettrie, um materialista e filósofo sensualista, autor de L'homme machine, que morreu após comer em excesso em um banquete realizado em sua homenagem. Lucrécio, que defendia que se apaixonar era uma doença que deveria ser evitada a qualquer custo. Sem falar nos muitos outros filósofos tinham ideias um tanto estranhas. Bem vindo ao louco mundo da filosofia.


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O livro mais traduzido e vendido do mundo, a bíblia, afirma que o pecado inicial foi o que nos tirou a inocência, ou seja, o conhecimento. É interessante que, mesmo que isso tenha sido usado pra manter somente alguns no poder e outros servindo sem reclamar, por não serem dotadas de conhecimento, essa afirmação que o conhecimento é venenoso faz algum sentido.

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"Deus me livre de ser inteligente". Essa frase foi pronunciada por Nelson Rodrigues, um homem que nós sabemos que não era ignorante, uma frase tão simples mas com grande significado. Quantos suicídios a ignorância evitaria. Os animais estão vivos e só, não sabem que vão morrer, não se perguntam porque estão aqui, só estão. Talvez a verdadeira inteligencia seja a ignorância.

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Existem muitas verdades, como sabemos. Alguns filósofos adotaram peculiares para verdades. Se achar, por acaso, alguma delas um tremendo absurdo, não os culpe, imagine passar a vida pensando sobre "De onde eu vim?", "Pra onde vou?" "Porque estou aqui?".

Aristóteles foi um grande filósofo, como todos sabem, mas cometeu alguns erros crassos. Afirmava que a mosca tinha quatro patas, quando qualquer garoto que na sua infância brincava, com crueldade, de arrancar as patas das pobres moscas, sabia que elas tem seis.

Quando esses garotos cresciam, acreditavam em Aristóteles, esqueciam que a moscas tem seis patas, "Se ele está dizendo" É grande a capacidade das pessoas em acreditar em qualquer palavra escrita para publicação, seja livro, jornal, ou internet.

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Um dia quando perguntaram a Platão o que ele achava de Diógenes, a resposta foi: “Um Sócrates louco.”

Diógenes de Sinope, o cínico (c.400 – c.325 a.C.), viveu uma vida de total desdém às convenções sociais de seu tempo. Algumas peculiaridades de sua vida são descritas por seu homônimo Diógenes Laércio em Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Este nos conta de Diógenes que seu traje era uma túnica, um alforje e um bastão. Era extremamente pobre e dependente das esmolas e benemerência de seus compatriotas. “Em certa ocasião – diz-nos Laércio – Diógenes escreveu a alguém pedindo-lhe para arranjar uma pequena casa; em face da demora dessa pessoa ele passou a morar num tonel existente no Metrôon, de acordo com suas próprias afirmações em suas cartas.”

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Conta, ainda, Teôfrastos no seu Megárico que “certa vez Diógenes, vendo um rato correr de um lado para o outro, sem destino, sem procurar um lugar para dormir, sem medo das trevas e não querendo nada do que se considera desejável, descobriu um remédio para suas dificuldades.” Sem dúvida, Diógenes era um homem de se admirar por suas tiradas e estilo de vida. Não obstante, o povo de Atenas o amava. “Tanto era assim que quando um rapaz lhe quebrou o tonel os atenienses surraram o rapaz e deram outro tonel a Diógenes.” Com efeito, o próprio filósofo “dizia que todas as maldições da tragédia haviam caído sobre ele e de qualquer modo era um homem ‘sem cidade, sem lar, banido da pátria, mendigo, errante, na busca diuturna de um pedaço de pão.”

Ademais, Laércio diz que o cínico Diógenes “no verão rolava sobre a areia quente, enquanto no inverno abraçava as estátuas cobertas de neve querendo por todos os meios acostumar-se às dificuldades.” Em meio a um estilo de vida que parecerá ao homem moderno uma desgraça, foi Diógenes um homem livre e admirado no seu tempo.

Em suma, viveu uma vida de disciplina e aversão aos prazeres mundanos. Em seu tempo foi um zombador social; viveu isolado e resignadamente sem casa e dinheiro, portanto pobre e sem teto. Seus bens mais valiosos eram o tonel onde morava, um alforje e sua lanterna, usada para “procurar um homem justo no mundo”.

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Sabe-se que quando Alexandre, o grande, ao se encontrar com Diógenes na ocasião de seu banho de sol, teria dito o imperador ao filósofo: “Não sabes quem sou?” Ao ser ignorado, Alexandre emendou: “Sou Alexandre, o grande. Pede-me, agora, o que queres”. Diógenes respondeu: “Devolva o meu sol”. Por fim murmurou o imperador: “Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes”. (Diógenes Laércio dá detalhes desse encontro e, ainda, conta-nos: “Em certa ocasião Alexandre, o Grande, ficou à sua frente e perguntou-lhe: “Não me temes?” Sua resposta foi: “Que és tu ? Um bem ou um mal?” Alexandre respondeu: “Um bem.” Então Diógenes concluiu: “E quem teme um bem?”).

Aa peripércias de Diógenes são muitas, uma vez, quando foi capturado e posto à venda como escravo perguntaram-lhe o que sabia fazer, “Comandar homens”, disse ele, e deu ordens ao leiloeiro para chamá-lo no caso de alguém querer comprar um senhor. Em certa ocasião, quando se masturbava em plena praça do mercado, disse: “Seria bom se, esfregando também o estômago, a fome passasse!”, em outra ocasião pediu uma esmola a uma estátua; a alguém que lhe perguntou a razão do pedido o filósofo explicou: “Para habituar-me a pedir em vão.”

A alguém que lhe disse: “Muita gente ri de ti”, sua resposta foi: “Mas eu não rio de mim mesmo.”

Referencias: LAÊRTIOS, Diógenes. Vida e doutrina dos filósofos ilustres. Trad. Mário da Gama Kury. 2 ed. Brasília: Editora UNB, 2008 Texto de autoria do Professor e Filósofo José Fernandes P. Júnior.


Isabel Nobre

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