pra não dizer que não falei das flores.

Eu convido você para um mundo onde não existe tal coisa como o tempo.

Isabel Nobre

Nem sei mais.

O tempo não para por um Maior abandonado

Agenor de Miranda Araújo Neto nasceu no Rio de Janeiro, dia 4 de abril de 1958 e nos deixou no dia 7 de julho de 1990. Foi um cantor, compositor, poeta e escritor brasileiro. Ganhou fama como vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho. Sua parceria com Roberto Frejat foi criticamente aclamada. Claro que estamos falando de Cazuza.


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"Exagerado", "Codinome Beija-Flor", "Ideologia", "Brasil", "Faz Parte do meu Show", "O Tempo não Pára", "O Nosso Amor a Gente Inventa". Dificilmente alguém que não gosta de nenhuma dessas musicas as entendeu. Cazuza tinha a mania, a necessidade de ser direto, de ser explicito, de falar a verdade doa a quem doer, e isso se reflete não somente em suas músicas, mas também em tudo que se propunha a fazer. Com a personalidade forte e verdadeiramente cativante, Cazuza cativou milhares de fãs, alguns póstumos, como eu, que nasci depois de sua morte.

Era rebelde, boêmio e polêmico. Só no dia 17 de maio de 1990 a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o homossexualismo da lista internacional de doenças, e bem antes disso Cazuza já declarava em entrevistas que era bissexual.

Nasceu em berço de ouro, não podemos negar, dai talvez venha toda sua confiança, sua coragem de enfrentar o mundo, ou parte dele. Era filho de João Araújo, produtor fonográfico, e de Lucinha Araújo.

O Barão Vermelho, que até então era formado por Roberto Frejat (guitarra), Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclados) e Guto Goffi (bateria), gostou muito do vocal berrado de Cazuza. Em seguida, Cazuza mostra à banda letras que havia escrito e passa a compor com Roberto Frejat, formando uma das duplas mais festejadas do rock brasileiro. Dali para frente, a banda que antes só tocava covers passa a criar um repertório próprio. Após ouvir uma fita demo da banda, o produtor Ezequiel Neves convence o diretor artístico da Som Livre, Guto Graça Mello, a gravar a banda. Juntos convencem o relutante João Araújo, que tinha medo de a mídia atacar Cazuza por o chamarem de filhinho de papai, a apostar no Barão.

"Não divido nada, muito menos o palco". Cazuza deixou a banda a fim de ter liberdade para compor e se expressar, musical e poeticamente. Ezequiel Neves (faleceu no dia 7 de julho de 2010), que trabalhou com o Barão, dividiu-se entre a banda e a carreira solo de Cazuza. "Fui 'salomônico'", declarou em entrevista ao Jornal do Commercio, em 2007, quando Cazuza completaria 49 anos.

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A AIDS se manifestou em 1987; Cazuza foi internado com pneumonia, e um novo teste revelou que o cantor era portador do vírus HIV.Em fevereiro de 1989 Cazuza declarou publicamente que era soropositivo, ajudando assim a criar consciência em relação à doença e aos efeitos dela. Compareceu na cerimônia do Prêmio Sharp numa cadeira de rodas, e recebeu os prêmios de melhor canção para "Brasil" e de melhor álbum para Ideologia. Burguesia (1989) foi gravado com o cantor numa cadeira de rodas e com a voz nitidamente enfraquecida. É um álbum duplo de conceito dual, sendo o primeiro disco com canções de rock brasileiro e o segundo com canções de MPB. Foi o último disco gravado por Cazuza e vendeu 250 mil cópias. Cazuza recebeu o Prêmio Sharp póstumo de melhor canção com "Cobaias de Deus". Após sua morte, os pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, em 1990. A Sociedade Viva Cazuza, que tem como intenção proporcionar uma vida melhor a crianças soropositivas.

Em apenas nove anos de carreira, Cazuza deixou 126 canções gravadas, 78 inéditas, 34 para outros intérpretes e muita saudade. Ele faz falta e sempre fará. Essa sinceridade, esse jeito franco e carismático de encarar o mundo ficou pra sempre registrado, e ninguém irá esquecer de Cazuza, porque o poeta está vivo.

A vida louca que marcou o percurso profissional e pessoal de Cazuza, do início da carreira, em 1981, até a morte em 1990, aos 32 anos, foi retratada nas telas, com Daniel Oliveira interpretando magnificamente o nosso maior abandonado. O sucesso com o Barão Vermelho, a carreira solo, as músicas que falavam dos anseios de uma geração, o comportamento transgressor e a coragem de continuar a carreira, criando e se apresentando, mesmo debilitado pela Aids, tudo belissimamente retratado, graças a direção de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Daniel de Oliveira se preparou durante 1 ano para interpretar o personagem. Neste período, ele teve aulas de interpretação, expressão corporal e voz. Para a última fase de Cazuza, o ator precisou perder 12 quilos.


Isabel Nobre

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