pra não dizer que não falei das flores.

Eu convido você para um mundo onde não existe tal coisa como o tempo.

Isabel Nobre

Nem sei mais.

A objetiva subjetividade da fotografia

A única objetividade que eu conheço é a subjetividade. Desde que surgiu, a fotografia carrega o carma da suposição de objetividade, quando na verdade, é tão subjetiva quanto qualquer outra imagem ou representação.


DSC00341.JPG © Feitoza, I. N. 2013. Todos os direitos reservados.

"Uma música que se preze nunca é objetiva, como um atestado de óbito ou uma receita de bolo." Essa frase de Arnaldo Antunes, cantor e compositor, resume minha ideia sobre objetividade, ou seja, que ela não existe.

A partir do momento em que o fotógrafo decide ser fotógrafo, a fotografia é subjetiva. A partir do momento em que o objeto fotografado e o ângulo são escolhidos, ela é subjetiva. Só estou citando os mais básicos elementos para que se tenha uma noção, pois além desses há mais elementos subjetivos. Quais elementos não são subjetivos afinal? Quando fotografamos pessoas, temos ai pelo menos 3 elementos de alta subjetividade. O fotógrafo e a imagem que ele deseja passar da pessoa ou do momento, a pessoa fotografada e a imagem de si mesmo que ela deseja passar, e o espectador da fotografia e imagem com o significado que toma forma baseado em seu conhecimento de mundo.

DSC00399.JPG © Feitoza, I. N. 2013. Todos os direitos reservados.

Se colocarmos dois fotógrafos para tirarem fotos de um mesmo tempo e espaço com câmeras e configurações de câmeras iguais, teremos fotos diferentes. Do mesmo modo que se duas pessoas avaliarem a mesma fotografia, chegaram a conclusões diferentes.

A fotografia não é apenas documento para ilustrar nem apenas dado para confirmar. Não é nem mesmo e somente instrumento para pesquisar. Ela é constitutiva da realidade contemporânea e, nesse sentido, é, de certo modo, objeto e também sujeito. A fotografia permitiu a separação da pessoa e da sua imagem. O invisível se torna visível na própria evidencia visual e fotográfica nas coisas que restaram, de quem lá esteve e já não está.

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Ela é muito mais irreal do que real, muito mais o supostamente real, recoberto e decodificado pelo fantasioso, pelos produtos do auto engano necessário e próprio das reproduções das relações sociais e do seu respectivo imaginário. A fotografia, no que supostamente revela e no seu caráter indicial, dá visibilidade ao invisível.

Fotografia é um retrato vivo da coisa morta, pois ela aprisiona e mata o que foi fotografado. A pessoa que está na foto não é a pessoa real. Muitas vezes, nos esquecemos da imagem física de alguém que já amamos e que não se encontra mais presente por algum motivo e ficamos com a imagem de uma fotografia sua em nossa mente. Por isso, a foto mata a pessoa e ganha uma vida para si.

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Isabel Nobre

Nem sei mais..
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