pra não dizer que não falei das flores.

Eu convido você para um mundo onde não existe tal coisa como o tempo.

Isabel Nobre

Nem sei mais.

Ensaiando um sentido

Quando era criança, eu perguntava demais. Eram muitas dúvidas inquietantes, creio que a maioria das crianças passa por isso. Os adultos não respondiam com a precisão que eu esperava, todas as resposta eram muito vagas. Achava que quando crescesse, eu teria todas as respostas, entenderia a vida, acharia um sentido, algo assim. Como você deve imaginar, aqui estou eu, crescida, mais perdida do que nunca nessa encruzilhada de efemeridades cruel e maravilhosa que chamamos de vida.


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Surge um momento, depois de algumas chatas crises existenciais, que você começa a se perguntar se vale a pena pensar tanto em tantos problemas e mistérios que dificilmente chegarão a uma conclusão aceitável, e simplesmente vai fazer outra coisa. Talvez você tenha achado algum sentido em uma religião, em relacionamentos afetivos, na sua família, ou só tenha aceitado que a ideia de sentido foi construída socialmente por uma sociedade utilitarista que precisa de uma razão, um porquê, uma utilidade pra tudo, e que não precisamos absorver essa ideia se não quisermos. Não precisamos ter um sentido, não precisamos ser úteis, nós existimos. Existimos. Somos. Estamos. Nós. Basta.

Será que o sentido que procurávamos não era outro desde sempre e nos perdemos nos caminhos da razão e da cientificidade? Um "sentido", um sentir, um gesto repleto de sentido, ainda que pra equação geral da massa da terra ou para tentativa de entender um buraco negro na galáxia vizinha esse gesto seja insignificante, para os seres envolvidos no momento, aquilo importa, ou deveria importar.

Talvez a vida seja uma questão de viver o aqui e o agora, ajeitando devagarinho umas coisas para depois, mas sempre com a cabeça no presente. Fazer o que podemos com o que temos, filosofia de mesa de bar, mas muito válida.

Escute os outros com atenção, principalmente os que gostam de você, mas haja por si. Escutar pode parecer algo fácil, mas na verdade não é tão simples. Nós temos uma mania de sempre associarmos a experiencia do outro a nossa própria, o que é ótimo, pois assim mantemos uma conversa e conhecemos pessoas, mas quando é em excesso, tendemos a ignorar a vivência do outro e escutamos somente o que nos interessa propriamente.

Filtramos o eu. Eu que é ou que gostaria de ser? Quando falamos de algo, falamos também o nosso desejo. Quando agimos é o desejo que age. Falamos o desejo a todo momento, e quando o falamos, abrimos espaço para apropriação, agora várias pessoas podem se apropriar de uma pequenina complexidade sua, a partir do momento que você age, fala, você se abre para apropriações.

Quando desejamos, estamos em risco constante. Seremos julgamos nos mais diferentes sentidos da palavra. Vivemos juntos, nos metemos na vida alheia e comemos qualquer coisa, esse é o perfil do homo sapiens, um perfil bem simplificado, eu sei. Um desses homo sapiens uma vez falou "O que os outros pensam de você, não é da sua conta", frase simples, mas que encerra muitas questões.

Temos vida, uma infinita rede de desejos, que se cruzam a todo momento, em uma velocidade próxima a da luz. Rodeiam o planeta terra, como elétrons ao redor do núcleo, em órbitas bem mais complexas que a de um elétron, ou qualquer coisa. No fim, isso tudo é repleto de sentido, sem ter nenhum, e ai está a magia.

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Isabel Nobre

Nem sei mais..
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