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Cuffman

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Cães: seleção artificial e a origem das raças.

Temos bastante afinidade por cães, mas conhecemos muito pouco sobre eles. Afinal, você já se perguntou qual a origem desses animais ou do motivo de existirem tantas raças distintas espalhadas pelo planeta?


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Para compreender esse assunto com mais clareza é necessário conhecer alguns conceitos referentes a teoria da evolução das especies, tais como Seleção natural e Seleção artificial. Segundo essa teoria, que hoje é fortemente sustentada por inúmeras e incontestáveis evidências (embora muitos ainda duvidem de sua veracidade), indivíduos de uma mesma espécie, ou seja, indivíduos de uma população apresentam uma variação natural. O ambiente é responsável por selecionar os indivíduos melhores adaptados, que irão fornecer seus genes a geração seguinte, enquanto outros, menos adaptados, desaparecem.

A Origem do cão a partir do Lobo selvagem

Durante cerca de 100 mil anos de nossa historia como espécie, o homem viveu sem habitação fixa. Para sobreviver, permanecia em constante movimento caçando animais, consumindo frutas e outros recursos para alimentação. Quando esses recursos se extinguiam, imediatamente o homem migrava para uma nova região onde iniciava uma nova exploração. Esse tipo de prática é denominado NOMADISMO. No entanto, cerca de 15 mil anos atrás ocorreu uma grande mudança comportamental que interferiu de forma profunda nos rumos da humanidade. O homem parou de migrar em busca de recursos e aprendeu a plantar, dando inicio ao surgimento da AGRICULTURA, até aquele momento, rudimentar. Com a possibilidade de plantar seus próprios recursos, os homens passaram então a se agrupar e viver em pequenos vilarejos, abandonando a condição de nômade, evidentemente mais custosa para sobrevivência (tanto caçar quanto coletar alimentos era uma atividade muito trabalhosa e perigosa).

Nessas comunidades primitivas, havia produção de uma grande quantidade de lixo que era descartado nas periferias, tais como restos de comida, frutas podres, ossos, etc. Lixo para os seres humanos, porem comida grátis para uma série de animais que viviam na natureza ao redor. Entre esses animais estava o lobo, animal que tem um comportamento anti-social, tendendo a fugir com a aproximação humana. É a partir desse ponto que entra o conceito de SELEÇÃO NATURAL citado anteriormente. Dentre uma população de lobos, havia aqueles que eram mais “mansos”, que conseguiam se aproximar desses lixões para se alimentar e, conseqüentemente dos humanos. Conseguiam se alimentar e se reproduzir melhor que os lobos com comportamento mais anti-social, passando adiante os seus genes. Com o passar do tempo já havia dois tipos de lobos: o original, totalmente selvagem e aqueles mais amigáveis, que conseguiam estabelecer certa aproximação com os humanos.

Um novo animal estava por surgir, o lobo selvagem (Canis lupus lupus) estava gradativamente dando origem aos cães (Canis lupus familiaris), que alem de apresentarem uma significativa mudança comportamental, como o fato de se tornarem mais amigáveis e aumentarem a complexidade do latido para comunicação com o humano, também estavam adquirindo uma aparência bem distinta. Por exemplo, o corpo e o cérebro estavam se tornando menos avantajados, já que para se alimentar de restos fornecidos pelos humanos era necessário menos força física e inteligência destinada a estratégias de caça, que por outro lado eram características essenciais para os lobos predadores.

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A origem das raças

Cerca de 9000 anos a.C, surge um novo avanço na humanidade: a PECUÁRIA, para a qual alguns instintos dos cachorros, herdados dos lobos foram fundamentais. Alguns cachorros eram talentosos para conduzir rebanhos, proteger ovelhas e bois. Estas habilidades viraram um grande critério de seleção entre os cães, sendo que os que mais se davam bem entre as pessoas eram os que executavam melhor essas tarefas. O homem passou a fazer uma SELEÇÃO ARTIFICIAL, provocando cruzamentos entre animais mais eficientes para execução de tarefas. A partir deste momento, os cães começaram a se diversificar, dando inicio as primeiras raças.

Posteriormente, com o desenvolvimento do meio urbano, esse critério de seleção foi se alterando. Os animais passaram a ser selecionados não somente pela sua função, mas também pela impressão física que causava aos seus donos humanos, que iniciaram uma busca desenfreada por variedade de aparência e beleza. Imagine por exemplo uma ninhada onde os filhotes possuem uma orelha um pouco mais comprida que o convencional. Seu criador, querendo evidenciar cada vez mais essa característica recorria ao INCESTO, cruzando indivíduos aparentados por varias gerações até tornar aquela característica bem evidente, de forma que tivesse uma satisfação pessoal com a aparência do animal que ele idealizou.

Esta pratica era altamente difundida nos canis, onde seus proprietários realizavam constantemente cruzamentos entre irmãos, entre pais e filhos e até entre avós e netos, tudo a fim de reforçar características pessoalmente desejáveis. Enquanto isso, animais com aparência "indesejável" eram castrados ou sacrificados. Surgiram em pouco tempo uma grande variedade de raças com as mais diversas aparências, porem essa busca desenfreada pela variedade e pela beleza acabaria levando a vários problemas, pois como todos nós sabemos esse tipo de cruzamento entre indivíduos aparentados pode gerar diversos defeitos genéticos.

É por todos esses motivos que vemos constantemente casos de doenças genéticas nas mais diversas raças. Por exemplo, 63% dos golden retrievers tem câncer, 47% dos são-bernardos sofrem problemas nos quadris e 80% dos collies ficam total os parcialmente cegos. A proximidade genética entre esses animais de raça é tamanha, que animais de raças iguais em continentes diferentes são quase como se fossem irmãos. Por outro lado, os chamados SRD ou cães “vira-latas” possuem uma alta variedade genética e, portanto apresentam menos defeitos genéticos e podem ser mais resistentes a diversas enfermidades.

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Agora tire suas conclusões, será que vale mesmo a pena o culto a raça pura que a sociedade tanto prega? Ao adquirir um animal de raça estamos apenas adquirindo um produto com as características que nos satisfazem, não importando se são maléficas para os animais, mas apenas atendendo os nossos gostos específicos.


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