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Cuffman

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O fim dos dinossauros

À cerca de 65 milhões de anos, um desastre em escala global foi responsável pelo desaparecimento de grande parte das espécies do planeta, inclusive dos dinossauros. Descubra como tudo isso aconteceu.


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As extinções ocorrem naturalmente ao longo da história de uma espécie, porém alguns casos, desastres em larga escala podem provocar extinções em massa em um curto espaço de tempo, quando grande parte das espécies da terra é eliminada através de uma mudança ambiental rápida e radical. As extinções em massa sempre causaram perplexidade entre os paleontólogos, gerando um grande numero de hipóteses para tentar explicá-las.

Um dos casos mais conhecidos dessas “extinções em massa” é a extinção K-T, popularmente conhecida como a “extinção dos dinossauros”, que marcou o final do Cretáceo(K), inicio do Terciário(T), cerca de 65 milhões de anos. A extinção K-T não foi a maior extinção em massa que se conhecimento, mas é sem duvida a mais conhecida do grande publico. Basicamente, todos já ouviram falar na queda de um asteroide na terra que teria provocado a extinção dos Dinossauros. Quem colecionava aquele álbum de figurinha do "chocolate surpresa" dos anos 90 deve se lembrar de algo a respeito.

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Como esse processo de extinção ocorreu?

Pouco se sabia sobre a extinção K-T até os estudos de Walter Alvarez e sua equipe de pesquisa em meados dos anos 80. Através dessas pesquisas foi constatada a presença significativa do elemento químico Irídio (Ir) em estratos rochosos com idade estimada do final do Cretáceo (mesmo período do do desaparecimento dos dinos).

Como o Iridio é uma elemento rato na crosta terrestre e comumente encontrado em corpos celestes (meteoros e asteroides), essa camada de Irídio indicava que a terra havia sofrido um grande choque com algum corpo celeste e que tal acontecimento poderia estar ligado ao grande evento de extinção em massa ocorrido no Cretáceo. Pela primeira vez através dos registros geológicos foram encontradas informações que estabeleciam uma relação entre extinções e quedas de corpos celestes grandes.

Mas se o choque ocorreu em um único ponto do planeta, como pode ter afetado as espécies em escala global?

A explicação fornecida por essas pesquisas foi de que o impacto de um grande asteróide com a terra provocou a suspensão de uma grande quantidade de material pulverizado, tanto de rochas terrestres, quanto do próprio asteróide (rico em Irídio). Essa grande quantidade de “poeira” que foi levantada teria bloqueado a entrada da radiação solar por meses ou até por anos, provocando um resfriamento global, impedindo que as plantas realizassem fotossíntese (pela ausência da luz solar), diminuindo as taxas de oxigênio na atmosfera e tornando a vida na terra muito difícil. Outros distúrbios provocados imediatamente pelo choque incluem tsunamis e grandes incêndios em floretas que também podem ter contribuído pra extinção de muitas espécies.

Através do mapeamento dos estratos enriquecidos de Irídio, observou-se que a camada mais espessa desse elemento localizava-se na região do Caribe. Faltava apenas encontrar o local exato do choque com o grande corpo celeste, até que uma cratera de 200 km de extensão foi encontrada na Península do Iucatã, no México, sendo constatado que a idade da cratera correspondia com a extinção em massa do Cretáceo.

map4-10-mexico-large_edited-1 copy.jpg Local do choque com o grande corpo celeste responsável pela extinção K-T.

É importante frisar que tal acontecimento não eliminou por completo a vida na terra, caso contrário não estaríamos aqui para estudar esse evento. Ocorreu de fato uma extinção, mas uma extinção diferencial, de modo que certas espécies possuíam características que foram úteis para a sobrevivência nesse período difícil. Por exemplo: Alguns mamíferos e aves que tinham capacidade para regulação térmica (endotérmicos) conseguiram lidar melhor com a questão do resfriamento global.

Os mamíferos que existiam na terra durante a época dos dinossauros não eram como os atuais. Atualmente existem mamíferos de diversos tamanhos e mamíferos presentes em uma grande quantidade de habitats, inclusive no aquático, porem no Cretáceo os mamíferos eram bem diferentes. Eles possuíam tamanho bastante reduzido, eram insetívoros (alimentavam-se de insetos) e noturnos. Possuíam essas características, pois era uma forma de sobreviver a predação dos perigosos Dinossauros. Com a extinção dos Dinossauros, uma leque de possibilidades se abriu para os pequenos mamíferos que passaram a se espalhar para os ambientes deixados vagos por seus predadores. A partir de então iniciou-se um processo de diversificação dessas espécies sobreviventes e que em milhões de anos resultaria em todas as especies de mamíferos que conhecemos hoje, inclusive o homem.

world_13_temp-1320650651-4eb7879b-620x348.jpg Cronopio dentiacutus: Exemplo de um mamífero do Cretáceo. Este animal viveu na América do Sul e possuía cerca de 10 a 15 cm de tamanho

Agora imagine que aquele grande asteróide jamais tivesse se chocado com a terra e os dinossauros não tivessem sido extintos. Provavelmente nossa espécie não estivesse aqui hoje pra contar história, pois a evolução dos mamíferos teria tomado rumos completamente diferentes. Não se sabe o que aconteceria, talvez os dinossauros desenvolvessem alguma inteligencia ou talvez não, afinal eles dominaram a terra por cerca de 150 milhões de anos e nunca inventaram um telescópio.


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