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Cuffman

Sou faixa preta, eu toco guitarra. Um dia eu vou pular de asa. Durmo de dia, trabalho a noite. Não sei se vou voltar pra casa

A arte de Laurie Lipton - parte 2

Americana e radicada em Londres, Laurie Lipton é uma artista plástica contemporânea, suas obras contestam o mundo moderno, abrindo espaço para o terror e o existencialismo que nos assola. Seus desenhos são feitos principalmente a lápis, o que resulta nas cores preto, brando e cinza, que segundo ela, “são as cores das fotografias antigas e antigos programas de TV, cores de fantasmas, saudade, passagem do tempo, memória e loucura".


Em meu texto anterior publiquei sobre a artista Laurie Lipton. Nesta ocasião apresentei uma de suas obras e contei um pouco sobre a carreira desta artista. Você pode acessar este texto clicando aqui, sendo recomendado para que você entenda melhor esta segunda parte.

Desta vez irei apresentar mais duas obras de Laurie e algumas possíveis interpretações. Lembrando que Laurie não costuma dar titular a suas obras.

Obra 1: Round-Roundlowres.jpg

A princípio o que está sendo visto nesta obra pode ser algo tão surreal quanto às obras de Salvador Dalí, porém é importante ressaltar que toda forma de expressão possui algum significado. Para Laurie Lipton a realidade é surreal e não tem limites. Uma das principais abordagens de Laurie Lipton é a desindividualização da sociedade pós-industrial, o cotidiano vivido de uma maneira mecânica, revelando o esquisito e anormal que existe dentro de todas as pessoas.

Nesta obra, também sem título, há claramente esta retração, vemos um mundo caótico tomado pela modernização, pela mecanização sem qualquer limite de espaço e tempo, o que chega a tomar conta de nós mesmos.

No chão, diversos tubos e engrenagens estão misturados a crânios, uma representação de uma total união entre o homem e o progresso “até a morte”. O ponto central desta obra é o resultado deste progresso desenfreado, CRIAMOS NOVOS CAMINHOS, ROMPEMOS FRONTEIRAS, MAS ANDAMOS EM CÍRCULOS, por mais que não tenhamos para onde ir o combustível (usado como uma metáfora do avanço tecnológico) se faz necessário, pois nos tornamos dependentes do progresso e do consumismo exacerbado presente na nossa sociedade pós-industrial.

Observe do lado direito da obra uma placa de sinalização, ela por si só já nos diz tudo.

Obra 2:

art-black-and-white-coffin-faimly-funeral-skeleton-Favim.com-60625.jpg

A princípio esta obra nos parece grotesca, porém possui um dos significados mais fortes e de maior representação nas artes de Laurie: O PAVOR DE ESTAR VIVO. Castro Alves retratou bem esta questão de comunhão entre vida e morte, no poema intitulado “Mocidade e Morte”, observe os seguintes versos:

“Vivo — que vaga sobre o chão da morte Morto — entre os vivos a vagar na terra.”

A representação das pessoas como caveiras nada mais é que uma metáfora ao horror da sensação de estar vivo. Limpton retrata em seus desenhos, os vivos como caveiras e os mortos em sua forma normal, em paz. É esta a paz que almejamos e que só encontraremos após a morte, após o descanso no leito eterno. Os “mortos” rodeiam o “vivo” e o observam, ele que descansa com um ar sereno e tranquilo.

As obras de Laurie Lipton são inúmeras, se você se interessou por seus traços e por uma corrente própria de representação de mundo acesse eu site oficial e veja sua biografia, obras, exposições, etc: http://www.laurielipton.com/

Este texto foi escrito em parceria com o blog Itinerario interno


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