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Cuffman

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Batalha Real - Filme e mangá

Imagine um futuro distópico onde de repente você foi obrigado por um governo totalitário a entrar em um jogo onde você tem que matar todos os seus amigos de infância para sobreviver. Esta é a premissa da obra "Batalha Real". Primeiramente lançada em livro no Japão, ganhou versões em cinema e quadrinhos (mangá) que acabaram ficando mais famosas.


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Embora a versão de Batalha Real mais conhecida pelo publico seja em mangá, na verdade trata-se de um livro lançado no Japão em 1999 por Koushun Takami, que primeiramente foi adaptado para o cinema (em 2000) para depois ganhar uma versão para os quadrinhos através da inciativa do desenhista Masayuki Taguchi. A temática é adulta e possui muitos elementos de violência, tanto verbal como física.

A História de Batalha Real se passa em um país denominado Grande Republica do Leste Asiático, uma nação militarista, totalitarista e isolacionista (com pouco contato com outros países). Nesta realidade distópica, o governo criou um projeto conhecido como “O programa”, um “jogo”, onde os participantes são jovens que acabaram de ingressar no ensino médio. De tempos em tempo uma turma de estudantes pertencente a alguma escola é selecionada aleatoriamente para participar desse projeto, onde devem batalhar entre si até a morte.

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A medida que a historia se desenrola são revelado os verdadeiros objetivos do Governo com “o programa”. É explicado que naquela realidade alternativa ocorreu uma crise no país, provocando taxas elevadas de desemprego e consequentemente aumentando a taxa de delinquência juvenil devido a descrença para com os rumos que o país estava tomando. Neste caso, “O programa” seria uma medida adotada pelo governo como forma de amansar os estudantes através do terror psicológico.

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Uma vez que uma turma de alunos é capturada para participar deste “jogo”, as condições impostas são as seguintes:

-Todos os alunos devem batalhar entre si até a morte em uma ilha que foi evacuada, até culminar na sobrevivência de um único aluno;

-Não há formas de fugir, pois há atiradores do governo em navios localizados na costa da ilha;

-Não há possibilidade de se esconder, pois cada aluno possui uma coleira que serve de localização, além de transmitir seus sinais vitais;

-A ilha é toda dividida em quadrantes de modo que em certo intervalo de tempo são informadas em alto-falantes as áreas de perigo. Quem não conseguir sair dessas áreas a tempo tem a coleira acionada que explode matando seu usuário;

-Se todos os alunos decidirem não lutar e não houver nenhuma morte em 24 horas, as coleiras explodem e todos são assassinados;

-Para que haja um vencedor é necessário que haja apenas um sobrevivente num prazo de 3 dias, caso contrário os sobreviventes morrem;

É um jogo muito bem planejado para que não exista escapatória. A única saída é participar e matar seus amigos para ser o único sobrevivente. Um kit de sobrevivência é fornecido para cada aluno com os seguintes itens: comida, água, bussola mapa, relógio e armas. As armas variam de kit para kit como uma forma de tentar equilibrar o jogo, dando a possibilidade a alunos mais fracos de possuírem armas mais fortes.

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A Narrativa se passa com o inicio do “jogo” desde a primeira edição, sendo que os momentos anteriores a batalha, como a vida escolar, a infância e o perfil psicológico de cada aluno são retratados com base em lembranças dos alunos. Esse contexto é construído para aumentar a carga de dramaticidade da obra, de forma a tentar criar no leitor um vinculo afetivo com os personagens. A medida que ocorrem os “flashbacks”, o leitor vai se familiarizando e se identificando com cada personagem , só para depois ser obrigado a assistir suas mortes da forma mais cruel possível.

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A historia vai se tornando ainda mais envolvente a medida que observamos os mais variados tipos de comportamentos em meio aquela situação caótica. Alguns alunos agem em bando, onde ao mesmo tempo se instaura um sentimento permanente de paranoia, enquanto outros atuam solitariamente, por não conseguir confiar em ninguém. Há também aqueles que tentam manter uma racionalidade de modo a tentar reunir os colegas para tentar achar uma saída para o jogo, enquanto outros, mais fracos, acabam perdendo a razão e sendo os primeiros a tomar a iniciativa de matar por se verem como uma presa fácil para o resto do grupo. Alguns personagens acabam enlouquecendo, chegando a cometerem suicídio. Ao mesmo tempo há também aqueles que são cruéis por natureza, mas as regras em sociedade os impedem de soltar toda a sua agressividade, porem em meio ao jogo acabam vendo a possibilidade de extravasar o seu lado cruel.

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A Conrad lançou o mangá no Brasil, mas não chegou a concluir sua publicação (apenas 12 de 15 edições chegaram as bancas). O filme lançado em 2000 é bom, mas não apresenta a mesma complexidade do mangá pois esta mídia permite um maior aprofundamento na história de cada personagem enquanto que na versão para cinema é tudo tão corrido que você não consegue conhecer a fundo a personalidade de todos os alunos. Hollywood fez um filme baseado nessa obra, mas mudaram o local do massacre para um presídio superlotado, onde condenados devem se matar de modo a sobrar apenas um sobrevivente. Este remake obteve muita criticas negativas e o recomendado é que ele seja ignorado. Fique com o filme produzido no Japão em 2000 ou se tiver mais tempo, procure pela versão em mangá.


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