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"Welcome back my friends to the show that never ends"

Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar".

Entre tragos e devaneios – More: 1969

O filme que retrata o fim dos anos 60 e a ideologia psicodélica dos anos 70. O longa "More" traz consigo a trilha sonora produzida pela banda que mais caracteriza esta década: Pink Floyd!!!


Corbis-42-23239499.jpg "..Eu queria queimar todas as pontes, todas as fórmulas, e se eu me queimar, tudo bem também. Eu queria ser quente. Eu queria o sol, e eu fui atrás dele..." No composto do que muitos chamam de “Art Rock”, o álbum "More" foi projetado para compor o soundtrack do filme “More” lançado em 1969, produzido pelo diretor Barbet Schroeder, cineasta franco-alemão. As faixas, logicamente, compõem o ambiente do filme e a época em que ele foi produzido, logo após o idealismo florido do movimento hippie no final da década de 60, onde a perspectiva é a busca de fortes doses alucinógenas, com composições místicas e voltadas ao universo científico - fase propícia que também se instala o rock progressivo -.

Cena do filme More: Uma enlevada festa hippie dos anos 60 em Paris ao som de “Nile Song” – Pink Floyd

O longa foi o primeiro a retratar de forma tão explicita e bizarra as cenas de sexo, o consumo de drogas e seus respectivos efeitos entre um grupo de pessoas, dentre eles, os atores principais Stefan (Klaus Grünberg) e Estelle (Mimsy Farmer) que relatam uma paixão arrebatadora, regada de uma vida libertária e autodestruição.

Cena do filme More: Estelle apresenta a Stefan o amor, a droga e “Cymbaline” de Pink Floyd.

"Cymbaline" na minha opinião é uma das melhores músicas (dentre "taaantas" outras que amo)produzidas pela banda. A composição durante vários anos tornou-se parte do repertório das apresentações do Pink Floyd e também uma das primeiras a expressar as opiniões cínicas do baixista Roger Waters. A letra comenta sobre devaneios de uma pessoa explicitamente perturbada e faz "link" com a obra de Shakespeare "The Tragedy of Cymbeline", uma alusão ao tirano rei da obra, que é considerada entre as expressões inglesas sinônimo ao que é terrível, medonho...

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Mimsy Farmer, encara bem o papel como o “anjo mau” que incita o personagem Stefan a utilizar os entorpecentes, começando pela Canabis (maconha) até os efeitos drásticos da utilização de heroína. A personagem Estelle relata toda a complexidade de uma viciada em heroína, seus devaneios e surtos mentais pelo excesso ou abstinência da droga. Chegam a ser, de fato, as únicas cenas que realmente impressionam no filme, que ficou mais famoso pela trilha sonora da banda de rock progressivo do que por seus valores cinematográficos.

more1969.jpg Cenas de sexo, nudismo e provocações - um escândalo para a época

Cena do filme More: Mimsy Farmer representa de forma magnífica os efeitos colaterais da heroína no papel de Estelle, que se encontra em completo (e repentino) terror.

Outro ponto alto do filme são as contemplações naturais: grande parte do cenário acontece em Ibiza, Espanha. Também a contemplação ao sol é nítida, quando, em uma parte do filme, Stefan relata o que acontece com os adoradores do sol, que ficam cegos e morrem ao contemplá-lo. Nada mais propício para uma banda na vanguarda do rock psicodélico / progressivo como Pink Floyd. O tema encaixa-se respeitosamente as divagações das composições da banda que já trabalhava neste formato.

more2.jpg As excitações provocadas pelos alucinógenos

Apesar de considerado um “Cult” aos cinéfilos, o filme não é em si, de uma complexidade arrebatadora. Os críticos da época o avaliaram como "excêntrico" demais, pesado para a época. Claro que renderam muitas tentativas de censura nas cenas de sexo e utilização das drogas. Em seu desenrolar, desenvolve quase um passo-a-passo de como utilizar drogas e sua finalização não traz nenhuma surpresa. Claro que, percebe-se que o filme não foi produzido para “causar”, não está inscrito em um formato "hollywoodiano", mas sim, relatar o período em decadência dos ideais dos anos 60 e os movimentos originados na década de 70. Vale a pena ter uma cópia em casa para “respirar” um pouco de anos 70 em sua vida!!!


Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar"..
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