progressÃo

"Welcome back my friends to the show that never ends"

Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar".

Genuíno Rock Progressivo Tupiniquim

Tão conhecida por hastear a bandeira do Movimento Tropicalista, a banda Mutantes alavanca sucessos mundialmente famosos que ficaram conhecidos nas alvoroçadas participações dos Festivais e dos tumultos com a cadeia ditatorial militar do país exercida na época.
Há 40 anos, a banda intensifica suas produções no rock progressivo, porém, pagam caro por isso: a despedida de Rita, a desistência da gravadora e um Arnaldo decrépito.



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A banda criada em 1966, composta por Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sergio Dias, começara bem e bem apresentados. Apadrinhados pelo maestro Rogério Duprat, os Mutantes subiram nos palcos dos movimentados Festivais de Música Brasileira de onde só surgiram eternas estrelas. “Os Mutantes, em toda a sua trajetória, delineia profunda simpatia com o psicodélico, acompanhando os movimentos progressivos da época”. Há quem possa afirmar que o rock progressivo é realmente danoso às condições estáveis de sanidade mental. Prova disso são os trabalhos absurdamente executados por bandas como Pink Floyd, Yes, King Crimson e Genesis. Dessas experiências saíram os discos que estremecem os limites próprios de entendimento do ser humano, levando o admirador sair de sua órbita. Foi desse composto experimental totalmente promovido pelo ácido lisérgico (LSD) que os Mutantes executaram “O A e o Z” em ’73. O trabalho progressivo era “demais” para Rita, que já, desajustada em seu relacionamento com Arnaldo, se despede da banda. A gravadora também não simpatiza com a esta última produção e desiste dos Mutantes, passando a focar na trilha solo de Rita. Sem o lançamento do “O A e o Z”, o afastamento de Arnaldo por sua situação critica devido o uso excessivo de ácido, a saída do baterista Dinho e no ano seguinte, do baixista Liminha, os Mutantes começa a perder sua força. Após tentativas de reestruturação, os Mutantes chega ao mais trágico fim no ano de 1978, contando com apenas duzentas pessoas em sua última apresentação. Em 1992 a banda vira notícia novamente, por boatos que confirmavam a volta da formação original da banda. Na realidade, Sergio Dias convence a PolyGram de lançar o álbum de ’73 e o sucesso foi implacável: Os Mutantes foram conhecidos e reconhecidos como uma das maiores bandas de rock progressivo, por sua versatilidade, dinamismo e criatividade nas eras progressivas da época. O rock progressivo genuinamente Tupiniquim ganha expansões no hall mundial em 1999 após o tardio lançamento do álbum “Technicolor” que havia sido gravado na França há quase 20 anos. Os Mutantes conquistam seu lugar entre “Os 50 Discos mais experimentais de todos os tempos”, ultrapassando Beatles e Pink Floyd.

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O A e o Z e o LSD As composições aprofundam no mais pesado do progressivo, com uma musicalidade fortemente marcadas pelo baixo e arranjos alucinados no Hammond. Músicas de duração entre seis a doze minutos, remendadas da mais pura conversação musical entre os instrumentos. Muito me faz lembrar trabalhos executados pela banda YES, Emerson Lake and Palmer e Uriah Heep, da mesma época. As mensagens são sempre intensas. Na faixa “Rolling Stones” por exemplo, uma homenagem ao editor da edição brasileira da revista “Rolling Stone”, que descreve como os integrantes sentiam suas mentes abertas ao conhecimento que a revista trazia para o país (o “s” de Stones foi publicado erroneamente, sendo o verdadeiro título o nome original da revista). A maioria das músicas abusam de instrumentos variados, como Mellotron, Violoncelo, Citara e Violão de 12 cordas, que buscam as variações sonoras, muitas vezes aproximando de ritmos regionais como no duelo de violões encontrado na música “Você sabe”, outras, em variações espaciais que ecoam dignas do experimentalismo encontrado em YES e Pink Floyd, como na faixa “Hey Joe”. A introdução da música “Ainda vou transar com você” é sem dúvida uma sacada prog. ao incrementar elementos da natureza como a chuva e a tempestade. A música, que possui uma sacada blues, traz uma letra divertida e romântica, cheia de simbologia. Uma das minhas preferidas deste álbum.

Confira o álbum completo de “O A e o Z”

“Andam dizendo que a vida não está com nada, Eu acho que não e digo tá, tá, tá de todo o meu coração: Legal..”

“Venham vós ao nosso reino aqui no Brasil, Rock’n'roll, paz e amor aqui no Brasil”

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A banda continua na ativa com o álbum “Fool Metal Jack” que será lançado agora dia 30 e que compõe o segundo trabalho da banda desde o retorno aos palcos. Como o “mercado não está pra peixe” aqui no Brasil, já que infelizmente a mídia detém espaço somente para os sucessos “monossilábicos” de “barábará” e “leklek” , os Mutantes trabalham com exclusivo foco internacional, com todo material produzido em inglês, desde o site de divulgação da banda às letras das composições do “Fool Metal jack”. Também, com uma agenda lotada até o final do ano em apresentações por todo Estados Unidos, não poderia ser em outro formato. Atualmente, além do guitarrista/vocalista Sergio Dias, remanescente da formação original, estão na banda Esméria Bulgari (vocal), Vitor Trida (guitarra e vocal), Vinicius Junqueira (baixo), Amy Crawford (teclado e vocal) e Ani Cordero (bateria e vocal).

Mais informações: http://www.mutantes.com Fonte: Rock em Geral

Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar"..
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