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"Welcome back my friends to the show that never ends"

Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar".

De repente, me tornei Hipster

Colecionando comentários do tipo, decidi então buscar entender o que gira em torno do conceito “hipster” que tantos apontam.


Certo dia recebi o (in)feliz comentário de uma pessoa avulsa que eu estava na “moda” por curtir Pink Floyd. Mas que coisa, pensei! Eu que sempre me senti deslocada pelo gosto musical nada contemporâneo onde incluo moda de viola e samba, MPB e rock progressivo, heavy metal e blues, agora me vejo “apontada” como hipster.

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As pesquisas de garimpo com pessoas que entendem do assunto me aponta uma palavra:

O ALTERNATIVO - palavra-chave (uma definição para aquilo que não tem definição própria, na minha opinião) dessa coisa toda: Filmes alternativos, roupas alternativas, música alternativa. Misturar alta tecnologia com o vintage, roupas de brechó e peças de marca, detém muito conteúdo e possuem um saudosismo de tudo que não viveram. A revista Time em 2009 bem descreve: "pegue o suéter de sua avó e os óculos Wayfares de Bob Dylan, e shorts jeans, tênis All Star Converse e uma lata de Pabst e pronto - Hipster."

Um estilo que era pra ser algo que diferenciasse o indivíduo acabou homogeneizando tantos que o aderiram; virou tendência, virou moda!

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E por ser moda, muitos tendem a seguir. E aquele braço fechado de tatuagens, o disco de vinil na sala e o óculos wayfarer não passam de simples acessórios de ostentação à moda. E o que era para levantar a bandeira contra o comercial, acaba sendo comercializado.

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Na teoria, muito me agrada saber que grupos sociais, independente de seus estilos, estejam mais preocupados em buscar músicas de qualidade e filmes não "hollywoodianos", do que acompanhar a novela das oito da Rede Globo e o final do Big Brother Brasil. Mas há uma linha tênue que diferencia aqueles interessados em conhecer até a margem para espelhar conhecimento e aqueles que vão a fundo num estudo. Um exemplo bem prático: dizer que gosta de Pink Floyd porque ama a música “I wish you were here” e nunca ouviu falar de “Fat old Sun” – essa FALSA cultura que antes eu percebia nos adolescentes está cada vez mais comum entre os jovens da minha idade.

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Por outro lado, talvez essa transição seja natural. Por experiência própria, há bem 10 anos, gostava de sertanejo, country e moda de viola - e que na verdade ainda gosto muito-, mas quando o meio começou a bandear-se para esse movimento “universitário”, saí de cena. Isso porque nunca classifiquei música como estilo a seguir e sim, como boa e ruim. Acredito ter a sorte do bom gosto onde incluo no mesmo hall de preferências Chico Buarque, Jethro Tull, Helloween e Robert Johnson.

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Mas pera aí

Como sabermos até onde vai o “grande” conhecimento individual? Oras, porque eu gosto de Pink Floyd, não significa que eu seja a mestre do assunto, isso me torna uma hipster impetulante? E por eu usar delineador preto há mais de cinco anos todos os dias e gostar de óculos grandes me torna uma “vintage”? E será que serei crucificada em dizer que não tenho discos de vinil em minha casa? E ao articular que um hipster detém de um falso conhecimento, não estaria eu julgando-o com mesmo dedo determinador que o hipster julga os demais?

Uma amiga comentou algo bem plausível sobre: “... eu vejo como alguém que quer mostrar mais conteúdo do que tem, tipo, aquelas pessoas que se montam pra mostrar um conceito, mas aquilo tudo é vago...ao invés de serem elas mesmas, preferem um padrão, se você ouve Beatles ou Pink floyd, você detesta samba... mas o povo confunde muito. Tudo que você usa de antiguinho, o povo fala que é hipster”.

248117_590030787685538_1570771581_n.jpg A cor do meu cabelo e meus óculos podem definir meu estilo e minha personalidade?

Resumindo para ver se eu entendi, a proposta na teoria me parece bastante interessante a partir do momento que você faz o seu estilo e categoriza as coisas como bom e ruim no que diz respeito a todos os aspectos e manifestações culturais e de desenvolvimento intelectual. Na prática, a maioria usa como cópia autenticada de um manual de como ser Cult: buscando um passo-a-passo do que ouvir, vestir, ser, se comportar, desmistificando que o hipster é só uma maquete pronta vagando pelas ruas.

Onde me encaixo produção?

Prefiro continuar não me encaixando em lugar algum.

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Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar"..
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