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"Welcome back my friends to the show that never ends"

Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar".

Pink Floyd e sua bizarra coleção de antiguidades e curiosidades

Após sucessões de trabalhos bem advindos, a banda Pink Floyd se vê em introspecção para a produção do próximo álbum que viria com características totalmente novas: Meddle. Focados no novo projeto e uma agenda nada colaborativa para novas produções, a gravadora EMI resolve então lançar a compilação mais aclamada de todos os tempos: Relics – "A bizarre collection of antique and curios".


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Era evidente que este presente seria sucesso junto aos fãs que ansiavam por novos trabalhos da banda de rock progressivo. No entanto, o que o tornou ainda mais atraente - e raro - foi seu rápido desaparecimento comercial, devido um incidente da gravadora EMI Austrália que lançou o disco sem autorização do grupo.

Destrinchando Relics

Apresentação1.jpg reedição da capa de 1996

Esta é uma compilação impossível de generalizar, por isso vamos aos detalhes de algumas das principais faixas:

Arnold Layne – O travesti que colecionava roupas

O single de ‘67 só poderia sair da cabeça de Syd Barrett. A música retrata a história de um travesti que colecionava roupas femininas. Apesar de hoje representar uma das mais celebres músicas já compostas pelo grupo, na época foi alvo de diversas críticas, a considerar fora do normal este tipo de letra e canção. O que eles não sabiam, era que esta era exatamente a intenção de Barrett. Em 2006 a música é relançada por David Gilmour em seu projeto solo, e que contou com a participação inusitada de David Bowie.

Interstellar Overdrive – Instrumental de experimentações

Diretamente do primeiro disco lançado da banda, “The Piper at the Gates of down”. A partir deste instrumental a banda teve o incentivo às suas experimentações metamórficas musicais, bem como “Atronomy Domine”. Essa mistura, no entanto, foi milimetricamente calculada. A banda se inspirou em diversos músicos e suas técnicas inovadoras como Keith Rowe e Zappa. Basicamente a música trabalha um riff descendente de guitarra, que incorpora demais instrumentos a partir da improvisação.

See Emily Play – Um sonho na floresta

O Segundo single mais famoso da banda Pink Floyd, "See Emily Play” e o lado B do single “Scarecrow”, somente fez parte de compilações como “Relics” e em relançamentos como no aniversário de 40 anos do “The Piper”. Emily nasceu de um sonho causado por ácido lisérgico utilizado por Barrett, mas há quem diga que Emily foi de “carne e osso”. Segundo a revista Mojo, Emily era conhecida do guitarrista e fumavam juntos. Emily alega à revista Mojo que não acredita servir-se de inspiração, mas que sim, ficou encantada com a canção. Pouco se sabe sobre a gravação de “See Emily Play” Já que parte dos documentos foram perdidos, inclusive as faixas originais de gravação.

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Matéria publicada pela revista MOJO

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Na gravação deste clipe, bem como Paintbox, Barrett já não fazia parte do grupo, tendo a participação de Gilmour

O Famoso trem de Emily produzido por Barrett

“Uma das minhas músicas favoritas do repertório de Floyd. See Emily Play é envolto de arte, devoção e mistério”.

Paintbox – Wright apaixonado

A música “Paintbox” está no lado B do single “Apples and Oranges” (Barrett). A canção composta pelo tecladista da banda entra no permeável bloco de canções românticas da banda. Musicalmente falando esta composição ganha destaque em trabalhar escalas em Mi menor com nona alternando repetidamente com acorde em Dó maior – característica que se torna notável e indispensável em trabalhos futuros -, além dos destaques à bateria de Mason e acordes de Wright, que na época foi penalizado pelos efeitos estéreos.

Filme promocional gravado em 1968 na ponte de Bruxelas, onde Gilmour tem sua primeira aparição como membro do Pink Floyd. A música no entanto, foi composta ainda com Barrett no grupo

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Julia Dream – Contos e Canções

Waters compos a canção do lado B do Single “It Would be so Nice”, que marca uma diferenciação entre as demais do grupo. Composta de ritmo lento e suave, a letra define uma contemplação a Julia, que parece fazer parte de um conto nórdico, característica do trabalho de algumas bandas como King Crimson e Genesis, mas um assunto pouco abordado na banda. Outra que segue o mesmo trilho é a próxima faixa “Careful with That Axe, Eugene”.

Biding my time – A levada mais rara de blues

Das mais raras produções inseridas nesta compilação, “Biding my Time” foi aquela “escolhida a dedo” para que fosse incluída. Uma música inédita de Waters que antes do lançamento de “Relics”, somente os fãs presentes nos shows da banda tiveram a oportunidade conhecer. A música conta com uma introdução melancólica e uma batida de blues, digna à letra tão deprimida quanto, sobre um casal que prefere se abster das tristezas dos dias ruins e aconchegarem-se em um fogo brando. Essa mesma música é encontrada também no projeto “The man & the journey” de 1969 com o título “Afternoon”.

Informações sobre “The Man & The Journey” aqui

tumblr_mme3d3D9gr1s3w3ano1_500.jpg Propaganda nos principais meios de comunicação na época (Pink Floyd Relics Billboard Magazine Advertise 1971)

http://www.pinkfloyd.com/history/timeline_1971.php


Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar"..
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