progressão

"Welcome back my friends to the show that never ends"

Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar".

Overdose de Pink Floyd: Meddle

Stanley Kubrick, Doctor Who, cosmos profundo, pedal de guitarra invertido e uma sequência lógica que levou o disco a se tornar uma explosão de sucesso da banda como Disco de Ouro em 73 e uma verdadeira Overdose de Pink Floyd.


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Desde o lançamento de Meddle, a banda de rock progressivo Pink Floyd passa a dominar outras características que diferem da época Syb Barrett, envolto de psicodelia. As composições assumem características de interligação sonoras mais profundas e cada vez mais suaves e concretas.

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Critica do "New Musical Express" 1971

A palavra “meddle”, nome do álbum, vem do verbo “intrometer”, “interferir”. Apesar das pesquisas revelarem que o intuito foi de fazer um trocadilho com a palavra de mesmo som “meddal” (medalha), eu ainda acredito na teoria da “interferência construtiva” que acontece pela reflexão de ondas sonoras, que muito tem a ver com a ilustração da capa do disco: um ouvido debaixo d’água coletando as ondas de som.

A absorção ocorre quando uma onda atinge um obstáculo qualquer e deposita parte de sua energia sonora ali, sendo refletida, transmitida ou refratada com uma intensidade menor”. (Fonte: das.inpe)

images.jpg Com a capa do disco "Meddle" aberta, conseguimos visualizar a orelha submersa

Thongerson sugeriu que a capa fosse originalmente um close-up do ânus de um macaco, mas os integrantes acabaram aprovando a ideia da orelha, que teve de ser aceita e levada à frente pelo designer da banda, mesmo com o “nariz torcido” para a ideia.

pink-floyd-meddle-inside-gatefold.jpg O desdobrável contém uma fotografia do grupo última fotografia em disco até 1987).

Observe as “interferências sonoras” ocasionadas pelo vento (efeito que foi também utilizado em álbuns posteriores) que interliga as composições em cada faixa, começando com a música que abre o disco “One of these days” em clima de suspense totalmente crescente, os riffs do contrabaixo que se propagam enquanto o vento exprime sua fúria e Nick Mason exclama com sua voz gutural: “One of these days I´m going to cut you into little pieces” (Qualquer dia desses cortarei você em pedacinhos). Detalhe desta canção é ouvir ao fundo um teclado que reproduz o tema da série Dr. Who.

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... e a partir desse momento, você começa a pirar:

Gravação do ao vivo: Live in Pompeii (1972)- Incrível performance do baterista

'É perceptível que a banda começa a criar outra perspectiva de som, tendo Roger Waters como influência cada vez mais dominante, musicalmente e nas letras em parceria de Gilmour atuando no vocal como na tranquila “A Pillow of Winds” ou como na alegre batida de “San Tropez”, letra composta por Waters que chegou pronta ao estúdio e simplesmente foi repassada aos demais integrantes para aprenderem a letra'. A "Seamus", um blues em progressão, tem acompanhamento do cão com mesmo nome e sua importante participação “vocal”. No "Live at Pompeii" a mesma música é introduzida, porém somente com a participação do cão e o instrumental da gaita de Gilmour e da Stratocaster com Waters, característica que altera o nome da canção que passa a se chamar “Mademoiselle Nobs” adotando o mesmo nome da cadela que participa da gravação. Na verdade, essa composição foi apenas uma brincadeira da banda, mas que não foi muito bem aceita pelos fãs e críticos da época.

Três das seis musicas deste disco foram regravadas em Pompeia.

E ouvindo Echoes é quando afirmo overdose

A música é uma das principais e mais bem reconhecidas obras da banda. Tomando todo o “B side” do disco, Echoes traz sua efervescência musical, misturando efeitos de sintetizadores e sobreposições de guitarras, acompanhados pelo vocal de Gilmour e Wright.

Segundo afirmação de Gilmour para uma revista, os integrantes decidiram gravar Echoes por último pois apesar de sua extensão, há pouca complexidade instrumental e acordes são simples. Aproximadamente aos quatro minutos (3:43) você nota uma sequência que muito se assemelha ao “Fantasma da Ópera” de Webbeer. Em entrevista publicada pela revista Veja, Roger Waters afirma que Webber plagiou a parte da trilha de Echoes e foi processado por isso.

Já foi dito que o tema principal de O Fantasma da Ópera, de Andrew Lloyd Webber, foi roubado de Echoes, canção do Pink Floyd. O senhor vê alguma semelhança entre as canções? Com certeza. Aliás, fui processado por causa disso. Odeio a música de Andrew Lloyd Webber, nunca tive um disco dele em casa. Mas certa vez aluguei uma casa de veraneio e o antigo locatário havia deixado a trilha de O Fantasma da Ópera no local. Quando escutei, tomei um susto porque o tema principal é muito parecido – para não dizer outra coisa – com Echoes. Um dia, fiz a besteira de declarar isso a um jornal inglês e fui processado por Webber! Ele alegou ter-se "inspirado" num compositor erudito já falecido e não no Pink Floyd. Eu fiz uma retratação e nunca mais toquei nesse assunto. Até você perguntar... (Veja)

Mas talvez a parte mais integrante desta composição sejam os famosos “gritos de baleia” ou “grito da mulher gorda” como vulgarmente é conhecido o efeito da guitarra que David Gilmour reproduz invertendo-se os cabos do pedal “wah-wah”. O guitarrista afirma em entrevista para a Guitar Player em 2009 que esse efeito foi descoberto por acidente quando o roadie plugou errado seu pedal.

Para saber mais sobre esse efeito de guitarra, clique aqui e acompanhe o passo-a-passo.

Echoes era tocada, antes da versão final, sob o nome de "The Return of the Son of Nothing" em apresentações ao vivo. A letra tratava, originalmente, sobre um tema espacial, que vai ao encontro à sincronização feita ao filme de Stanley Kubrick “Uma odisseia no espaço”, mas Waters decidiu transferir as letras para um ambiente submarino, possivelmente para evitar que outros considerassem Pink Floyd uma banda de rock espacial.

Fontes: beatrix MOFO PUBLIUS Pink Floyd Whisplash


Paola Domingues

"Seja ela, a liberdade, com todas as suas formas descritas, a mais válida talvez seja a música, que ultrapassa o tempo e o espaço, as dimensões e o raciocínio, penetra e expande para onde quer que você decida estar"..
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