progressividade

Remember when you were young, you shone like the sun!

Erick Freire

Steven Wilson, genial e influente

Como se não bastasse tamanho conhecimento e inteligência musical para escrever, tocar, produzir ou experimentar, Steven Wilson ainda é amigo das pessoas certas. Um gênio influente que deixa sua marca por onde passa.


O jovem, genial, influente, multifuncional, original e frontman nato Steven John Wilson foi responsável por mais da metade de todas as realizações musicais que tem ocupado os ouvidos mais exigentes dos últimos anos. Pelo menos dos últimos 20 anos, sim. Quando pensamos que acabou sempre surge algo novo de sua mente brilhante.

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Guitarrista, engenheiro de som e produtor por paixão, Wilson norteia sua carreira musical baseado naquilo que ele gosta de ouvir e não naquilo que é comercialmente aceito pelas rádios e festivais mundo afora. Em seu primeiro trabalho, como fundador da banda Porcupine Tree, dá pra perceber o quanto ele não se importa em ser comercial. Com letras inspiradoras, melodias que beiram o simples e esbarram na perfeição de um som extremamente detalhista, o Porcupine seguiu como sua mais popular empreitada. Não sei como ele conseguiu, mas transformou uma mistura de rock progressivo, experimentalismo e rock psicodélico em algo sólido e muito bem definido. Segundo ele próprio afirma, o grande mistério da qualidade dos trabalhos não está na complexidade do som em si, mas na forma como é concebido, montado e produzido. O Porcupine Tree foi indicado ao Grammy de melhor álbum em surround sound com ‘The Incident’, um trabalho conceitual autoral de Wilson, baseado em obras como ‘The Darkside Of The Moon’ e ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ e considerado pelos fãs como sua melhor concepção.

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Com grande parte de seu tempo dedicado a estúdios em casa, Wilson teve tempo de criar, inventar, aprender e produzir, coisas que não faria se estivesse pagando um estúdio profissional para gravar ou produzir um trabalho específico, justamente pela falta de tempo. Percebemos isso ainda mais quando escutamos os seus trabalhos autorais em carreira solo. É como se ele estivesse sozinho com suas aspirações, sentado em um estúdio discutindo consigo política, amor, religião, institutos e preferências musicais.

Morando dias em Hemel Hempstead, Londres, respirando o ar de uma cidade construída pós segunda guerra mundial, dias em Tel Aviv, com sua cultura inspiradora por si só, ampliou seus relacionamentos com a música e estreitou relações com o músico israelense Aviv Geffen até formar com ele o projeto Blackfield, que segundo afirma Geffen ‘não pode ser considerado rock progressivo, por não deixar Wilson solar mais de dois minutos na guitarra’ e ‘definitivamente não pode ser considerado pop’. Um som muito dinâmico e ao mesmo tempo reto, com melodias e letras que nos fazem refletir na forma como enxergamos a música e a forma como ela é feita. Ideal para longas viagens de carro.

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Seus dias em Tel Aviv lhe presentearam também com a oportunidade de conhecer Kobi Farhi, (ou foi Farhi quem foi presenteado, difícil dizer) frontman da banda de midwestern progressive metal, Orphaned Land e mixar aquele que foi considerado pela Metal Storm, o melhor álbum de metal progressivo de 2010, o ‘The Never Ending Way Of ORWarriOR’, que fala sobre a eterna batalha entre a luz e a escuridão. Além da mixagem do álbum Steven Wilson participou das gravações do DVD ao vivo da banda em Tel Aviv, cantando ‘M I?’.

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Se ainda não está suficiente para explicar tamanha influência e ativismo como músico, produtor e compositor, recentemente Wilson lançou o Storm Corrosion, álbum conceitual, com ninguém menos que Mikael Akerfeldt, frontman do Opeth, que o foi apresentado por seu amigo Jonas Renkse, vocalista e fundador da banda de doom metal Katatonia. Segundo ele, o álbum é um experimento musical único, fruto de uma parceria de influências trocadas entre eles. E realmente funcionou! É possível sentir na pele a concepção da obra. Ainda em contato com Mikael, Steven Wilson foi o responsável pela produção e mixagem do álbum mais melódico e bem produzido do Opeth, o ‘Damnation’, que mais tarde ganhou uma versão em DVD ao vivo gravado em Estocolmo, cidade natal da banda.

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É impossível falar de toda a obra de Steven Wilson em poucas linhas ou poucas páginas. Suas conexões, participações, produções, criações e influências parecem não ter mais fim, por isso sua genialidade pode ser sentida em cada álbum ou faixa que leva seu nome. Um artista ‘multiplural’ que merece entrar nos anais da música, e não apenas do rock progressivo, como um dos principais colaboradores das últimas duas décadas. Não citá-lo em listas, premiações e artigos sobre o tema é deixar de reconhecer a importância de sua obra, de seus conhecimentos musicais e de sua habilidade em fazer os amigos certos. Não se lembrar de Steven Wilson em uma mesa redonda sobre música, é não reconhecer a própria capacidade de apreciar o que é bom.


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