progressividade

Remember when you were young, you shone like the sun!

Erick Freire

O apocalipse essencial

O homem caminha para o apocalipse com a mesma velocidade que se distancia de sua essência. Algo parece perturbar a eternidade e germinar a mente do homem nos últimos tempos. Nos vemos na estrada que leva à destruição do belo. Mas antes disso, vamos bater um papo sobre nossa essência.


Tudo o que é eterno, etéreo, invisível, insondável e desconhecido arrebata o juízo do homem desde que ele passou a existir como ser pensante. Desde que ganhou uma alma, seja pela explosão do Big Bang, seja pelo design inteligente. O grande perigo de ter a própria percepção das coisas comprometidas apenas por aquilo que podemos ver é o de simplesmente deixarmos de nos preocupar com as experiências. Simplesmente esperar que uma explicação racional chegue até nós.

O etéreo tem se apresentado ao homem através das origens da natureza, mas nós não somos capazes de ter a simplicidade de reconhecer que em todas as coisas que podemos pegar e ver, existe uma assinatura biológica e espiritual. E quando digo espiritual, não estou falando de nada sobrenatural, mas da essência das coisas, do propósito de todas elas existirem. Natural até demais. Fazemos distinção entre o santo e o profano baseados em uma cultura egoísta e antropocêntrica imposta pela religião através dos séculos. São inúmeras gerações de imposição e influência doutrinária, não se pode negar a relevância de um fato como este. O homem conseguiu precificar seus próprios deuses, conseguiu construir súditos leais para seus próprios reis, conseguiu povoar cidades inteiras, conseguiu até mesmo escolher quem é e quem não é digno de viver eternamente seja lá onde for. O homem escreveu sua história com sangue, mentira, especulação, irrelevância, inteligência e uma ciência contraposta por uma falsa evolução escondida por detrás dos importantes fatos presentes em sua história. Guerras, tratados, crises, reinos, impérios, nações, culturas, tudo produto do egoísmo sem fim do homem. Tudo em nome do nome. Tudo em nome do significado. Tudo parte da desesperada busca por explicar a essência das coisas. Explicar a própria essência.

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O eterno filosófico, que não é o eterno científico, mas é o mesmo eterno ideológico e está longe de personificar o eterno prático, assiste o sofrimento humano na busca pelo poder, pelo ser, pelo ter e pelo saber. Alguém observa isso, não é possível!

Um amigo, que também foi meu professor, no ensino fundamental e no ensino médio e meu mestre na faculdade de Direito, vive indagando-se ‘qual será a origem do sofrimento humano’. Se eu pudesse respondê-lo, responderia com a sabia e temerosa cautela de dizer que o homem sofre por tentar explicar tudo o que lhe acontece através de sua própria inteligência e não tem a sabedoria de concluir que não consegue. Não é espirituoso o suficiente para viver com a ideia de que existe algo além do que é produzido por ele.

Homem

A humanidade caminha para um lugar do qual ela desejará voltar quando chegar, mas não conseguirá. O fim de todas as coisas, o apocalipse, o apagar da luz chama-se: juízo. Não me refiro ao juízo de um Deus bíblico irado. Me refiro ao juízo de saber significar todas as coisas sem que haja uma sequer em toda a natureza que fuja da compreensão humana. Este será o dia da destruição do ser essencial, do ser belo. Será o fim do homem que chora, que sorri, que ama, que odeia e que morre. Haverá apenas o homem que pensa. Tudo se resumirá a letras e números. Cálculos exatos. Uma fórmula para o amor e outra para a dor, mudando apenas alguns coeficientes.

Desculpe Nietzsche, mas neste dia Deus estará morto. O homem estará engodado em um caminho sem volta pela sua própria lei. A natureza e tudo o que nela há morrerá junto com o seu novo legislador.


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