proparoxítonas

Todas são acentuadas

Sylvia, a mulher que matou Nelson

em Literatura por em 24 de ago de 2012 às 19:00

Sim, eu sei que não foi ela, mas bem que poderia...

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Nelson Falcão Rodrigues foi um homem comum, nasceu em 1912 e morreu em 1980. Entre essas datas escreveu crônicas e, principalmente, teatro. Este ano comemora-se o centenário de nascimento deste homem feminino. Feminino porque ninguém mais criou mulheres desesperadamente femininas depois dele.
Mas, este homem morreu de complicações cardíacas, romântico e simples demais para ele. Para mim, seu fim tinha que ter acontecido à maneira de sua escrita: imoral e indecentemente.
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Quem sabe, uma boa morte para ele seria ter sido assassinado no lugar de seu irmão Roberto, morto por engano e também por ter desenhado uma adúltera para ilustrar uma matéria em que eram citados os nomes da traidora e do traído.
A traidora era Sylvia Serafim Thibau. Uma mulher rodrigueana até o último fio de cabelo louro. Que mulher em 1929 teria a frieza de trair o marido, se desquitar dele, matar o chargista que a desenhou na capa do jornal, convencer o júri a absolve-la da culpa de tal crime, tudo isso, para em 1936 se suicidar por uma desilusão amorosa?
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Nelson viveu até 1980 por engano. Enganou a Deus e ao Diabo que não perceberam o evidente: ele deveria ter morrido ao lado de Sylvia, qualquer tipo de morte escandalosa serviria: tiros à queima roupa, suicídio coletivo, duplo envenenamento, sufocamento de almas ou pura e simplesmente o fim do amor, essa morte anunciada.
Como argumento final, apelo às palavras do próprio morto em potencial:
“Só o inimigo não trai nunca.”
“Deus está nas coincidências.”
“Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...”
“Não existe família sem adúltera.”
“Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé”
“Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.”

Imagens via Funarte

 

Artigo da autoria de Jéssica Parizotto.
jéssica parizotto é uma proparoxítona, interessa-se por haicais, músicas pouco conhecidas e jogo de palavras. Queria voar de balão, mas tem medo de altura..
Saiba como fazer parte da obvious.

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