proparoxítonas

Todas são acentuadas

Jéssica Parizotto

jéssica parizotto é uma proparoxítona, interessa-se por haicais, músicas pouco conhecidas e jogo de palavras. Queria voar de balão, mas tem medo de altura.

Sylvia, a mulher que matou Nelson

Sim, eu sei que não foi ela, mas bem que poderia...


Nelson.png Nelson Falcão Rodrigues foi um homem comum, nasceu em 1912 e morreu em 1980. Entre essas datas escreveu crônicas e, principalmente, teatro. Este ano comemora-se o centenário de nascimento deste homem feminino. Feminino porque ninguém mais criou mulheres desesperadamente femininas depois dele. Mas, este homem morreu de complicações cardíacas, romântico e simples demais para ele. Para mim, seu fim tinha que ter acontecido à maneira de sua escrita: imoral e indecentemente. nelson II.png

Quem sabe, uma boa morte para ele seria ter sido assassinado no lugar de seu irmão Roberto, morto por engano e também por ter desenhado uma adúltera para ilustrar uma matéria em que eram citados os nomes da traidora e do traído. A traidora era Sylvia Serafim Thibau. Uma mulher rodrigueana até o último fio de cabelo louro. Que mulher em 1929 teria a frieza de trair o marido, se desquitar dele, matar o chargista que a desenhou na capa do jornal, convencer o júri a absolve-la da culpa de tal crime, tudo isso, para em 1936 se suicidar por uma desilusão amorosa? nelson v.png Nelson Iv.png Nelson III.png Nelson viveu até 1980 por engano. Enganou a Deus e ao Diabo que não perceberam o evidente: ele deveria ter morrido ao lado de Sylvia, qualquer tipo de morte escandalosa serviria: tiros à queima roupa, suicídio coletivo, duplo envenenamento, sufocamento de almas ou pura e simplesmente o fim do amor, essa morte anunciada. Como argumento final, apelo às palavras do próprio morto em potencial: “Só o inimigo não trai nunca.” “Deus está nas coincidências.” “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...” “Não existe família sem adúltera.” “Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé” “Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata.”

Imagens via Funarte


Jéssica Parizotto

jéssica parizotto é uma proparoxítona, interessa-se por haicais, músicas pouco conhecidas e jogo de palavras. Queria voar de balão, mas tem medo de altura..
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