proparoxítonas

Todas são acentuadas

Jéssica Parizotto

jéssica parizotto é uma proparoxítona, interessa-se por haicais, músicas pouco conhecidas e jogo de palavras. Queria voar de balão, mas tem medo de altura.

Franz, o Alfaiate Voador


Franz.png O Alfaiate Voador O pequeno Franz era uma criança desatenta. Depois das horas que passava no ateliê de seu pai aprendendo aquele oficio que lhe serviria para a sobrevivência do corpo, mas não bastaria para satisfazer a alma, deitava-se na grama e olhava para o céu sonhando com as maravilhosas aventuras de André-Jaques Garnerin. Garnerin existiu alguns anos antes que Julio Verne consagrasse na ficção as experiências do homem no ar. Não era escritor, nem mago ou qualquer classe de pessoa que causa encantamento, era um simples engenheiro francês. E é por isso que Franz gostava tanto dele, ele era real.

As primeiras aventuras do engenheiro nos domínios do Deus Éter, foram realizadas a bordo de uma espécie de sombrinha capaz de transformar em realidade algo que o homem ainda não havia conseguido: manter-se no ar. Depois de tais feitos, como em toda história de mocinho, foi capturado pelas tropas britânicas durante a primeira fase das Guerras Napoleônicas e passou três anos como prisioneiro na Hungria.

Quando finalmente recuperou a liberdade, a supremacia do homem sobre o céu já havia avançado e os voos de balão eram realidade. Então, em 22 de outubro de 1797, André-Jaques conquistou seu lugar na história dos domínios etéreos, encantou uma multidão que assistia ao seu feito no Parque de Monceau, em Paris e anos mais tarde, arrebatou o coração de um menino sonhador chamado Franz. Neste dia, depois de uma descida de 1000 metros, ele inventou o salto de paraquedas. 410px-Early_flight_02561u_(4).jpg Franz cresceu com o coração tomado pelo desejo de voar e com as mãos ocupadas pelo ofício herdado do pai, o de alfaiate. Suas horas de folga eram aproveitadas pensando em uma maneira segura de melhorar o invento de Garnerin que apesar de eficiente ainda não era livre de riscos. Já nessa época Franz fora apelidado pelos vizinhos de “O alfaiate voador”, alcunha que contrariando as expectativas, ele apreciava timidamente. Nas tardes de domingo, era ele quem promovia a diversão da rua, todos ocupavam as calçadas com cadeiras para assistir ao espetáculo que carinhosamente chamavam de “O balé dos manequins”.

O bairro era vizinho do Sena, suas ruas eram estreitas e nos prédios modestos vivia gente igualmente modesta: alfaiates, sapateiros, pequenos comerciantes, assalariados, músicos e cartomantes. No quinto andar de um desses edifícios vivia Franz, sua esposa e um filho. Era de uma destas janelas que saiam os manequins vestidos com roupas muito estranhas que os faziam permanecer no ar por alguns poucos segundos, mas o suficiente para animar o coração do alfaiate voador. 800px-Otto_Lilienthal_gliding_experiment_ppmsca.02546.jpg Otto Lilienthal planando

Em 1895, o estopim da grande aventura de Franz veio em forma de uma fotografia no jornal. Era a imagem de um homem no ar com seu planador. O homem era Otto Lilienthal, o primeiro a planar com um aparelho mais pesado que o ar e também o primeiro a ser fotografado fazendo isso. Então, o que era um hobbie e uma paixão se tornou uma obsessão e Franz já não saia mais do seu ateliê que por esse tempo não se ocupava de casacas e camisas, mas de protótipos rudimentares de uma roupa que desse ao homem a capacidade de voar.

Até o ano de 1909, nenhum dos manequins de Franz havia permanecido no ar tempo o suficiente para se salvar de uma morte acidental. Foi em um domingo, alguns meses antes da grande inundação, que ele viu um de seus bonecos planar por tempo o suficiente para tocar o solo como uma pluma. Os vizinhos aplaudiram e saudaram o dançarino do ar ao final do espetáculo.

Meses depois, as chuvas começaram e as margens do Sena foram extintas para dar lugar à imensa inundação que frustrou os novos testes de Franz e privou seus vizinhos do divertimento. Além disso, o inventor ainda tentava se recuperar da negativa que recebera de um aeroclube francês para a proposta de testes de sua vestimenta. 800px-ND_141_-_PARIS_-_La_Grande_Crue_de_la_Seine_-_Rétablissement_de_la_circulation_par_passerelles_au_Quai_de_Passy_inondé.JPG Inundação de Paris em 1910 As águas tomaram a cidade por 35 dias e foi neste período que Franz refez seus cálculos e constatou que o problema não estava no seu invento, mas na sua plataforma de teste que era muito baixa. Assim, munido de uma audácia que nunca havia experimentado, Franz resolveu que o ideal seria testar seu protótipo na mais alta estrutura que o mundo tinha na época: a Torre Eiffel.

Graças a espíritos menos impetuosos e uma boa dose de burocracia os planos de Franz só puderam se concretizar em 1912. Com sua persistência ele havia convencido as autoridades a deixa-lo testar sua invenção em um de seus manequins, atirando-o do eterno cartão postal de Paris.

Como de costume, era um domingo. Franz deixou a esposa e o filho em casa e seguiu para a torre acompanhado de dois vizinhos. Então, no dia 4 de fevereiro de 1912, os rumores que corriam por toda Paris se confirmaram: o próprio “Alfaiate Voador” com sua roupa de voar iria saltar da Torre Eiffel. 156308_440420906030485_1216412011_n.jpg Franz Reichelt prestes a saltar da Torre Eiffel Às 08h22min Franz Reichelt saltou. Não se sabe em que momento da queda ocorreu a sua morte, mas ao cair no chão, abrindo um buraco de 15 cm devido ao impacto ele já não estava mais vivo.

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