prótese técnica

Sobre extensões do homem e outras histórias

Gabriel Silva Farias

Gabriel Farias, 21, é estudante de Ciências & Humanidades na Universidade Federal do ABC. Escreve sobre cultura, tecnologia e sociedade.

Quando estive diante de uma foto com 10 vezes mais 'likes' que as minhas no Instagram

Quando as curtidas viram medida de sucesso, as redes sociais deixam de ser ponto de encontro e se tornam tão somente um espelho do próprio ego.


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*Por Eduardo Azeredo

Nesse momento você já deve ter ouvido falar da Essena O’Neill, a modelo que “chutou o balde” das redes sociais. Inclusive já tem gente questionando a história. Acontece que esse episódio me fez repensar um pouco minha relação com as redes sociais, especialmente o Instagram.

As minhas fotos no Instagram geralmente tem uns 20 likes. No máximo uns 40, quando eu estou viajando e escolho a melhor para postar. Ainda que eu não me considere um cara competitivo, eu admito que bate uma frustração vendo algumas fotos no meu feed com muito muito mais likes. E a sensação piora quando eu vejo fotos da galera curtindo a vida, enquanto é horário comercial e estou de traje social. Se tivesse um espelho na minha frente, talvez eu pensasse “Quero pelo menos um número com 3 dígitos de likes em uma foto ou post meu”.

Recentemente fiz uma viagem de fim de semana e a amiga de uma amiga que juntou com a gente era alguém que tinha alguns milhares de seguidores no Instagram. Inclusive, eu já visto um ensaio fotográfico dela, onde ela estava incrível.

A viagem foi bem mais ou menos. E a garota com milhares de seguidores era bem mais gente finíssima do que realmente bonita como aparecia nas fotos. Em um certo momento, me senti num making of enquanto minha amiga tirava uma foto dela para postar no Instagram. Não havia nada demais acontecendo ali na verdade. E a foto rendeu uns 500 likes, o que dá 12 vezes mais que as minhas melhores fotos se matemática não for a sua praia (o título do texto não foi preciso, foi mal).

A verdade é: Se tivesse um espelho na minha frente, talvez eu pensasse “Quero pelo menos um número com 3 dígitos de likes em uma foto ou post meu”. Mas mesmo que eu conseguisse, isso não me faria realmente feliz. Talvez eu ficasse feliz no momento, mas não duraria.

Então lembrei de outra viagem, quando postei uma foto que deixava claro onde estava. Bastou para um amigo que morava lá comentar “E aí cara! Tá por aqui? Vamos sair!” E foi ótimo encontrar alguém que não via a anos.

Estamos numa onda de conteúdo focado em auto-desnvolvimento hoje em dia (sem que isso seja surpreendente), e se você já leu um pouco disso deve saber da importante de se conectar com as outras pessoas. É como a gente deve tirar proveito das redes sociais (SOCIAIS) e de tudo o mais que dispomos.

A gente acaba se focando demais em si mesmo nas redes sociais e mede sucesso de acordo com o número de seguidores e likes que recebemos. Isso acaba fazendo da gente aquele chefe que só foca em números e resultados que a gente ama criticar. Isso é um forte sinal de que precisamos rever nossa relação com as redes sociais. ____________________________________________________________________

*Eduardo Azeredo tem 25 anos e é um lógico contumaz. Ainda descobrindo o que fazer da vida. Publicado originalmente via plataforma Medium do autor.


Gabriel Silva Farias

Gabriel Farias, 21, é estudante de Ciências & Humanidades na Universidade Federal do ABC. Escreve sobre cultura, tecnologia e sociedade..
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