psicologia na contemporaneidade

Escrevendo e semeando através da psicologia, sobre a sociedade, formas culturais, e as relações.

Natali Maia Marques

João Guimarães Rosa: o poeta da vida

Uma singela homenagem ao grande literário João Guimarães Rosa, neste dia Nacional da Poesia.


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João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) a 27 de junho de 1908, foi médico, diplomata, e um dos maiores nomes da literatura brasileira, um poeta da vida. Era também um autodidata: "Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do tcheco, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração."

Guimarães Rosa falava com maestria sobre o sertão. Para ele o Ser-Tão é o mundo. Um espaço iluminado pelo longo horizonte dos morros verdes, poeira do sertão e veredas das gerais, um espaço de travessia perigosa, que requer coragem. “Por que a gente só precisa de pés livres, mãos dadas e olhos bem abertos”! Das grandes veredas extraiu e a compreensão do homem, da linguagem do sertão criou o seu material poético.

“Nesta vida, também fui brasileiro e me chamava João Guimarães Rosa. Quando escrevo repito o que já vivi antes (...) Como escritor, não posso seguir a receita de Hollywood, segundo a qual é preciso sempre orientar-se pelo limite mais baixo do entendimento. Portanto, torno a repetir: não do ponto de vista filosófico e sim do metafísico, no sertão fala-se a língua de Goethe, Dostoievski e Flaubert, porque o sertão é o terreno da eternidade, da solidão (...). No sertão, o homem é o 'eu' que ainda não encontrou um 'tu'."

Assim, das palavras rosianas brotam a natureza, brotam sentimentos: o amor, a comunhão, os rompimentos, os medos, as certezas, e incertezas, as angústias, as esperanças, Deus, o Demônio, o bem e o mal, das questões da vida, do sujeito sertanejo e o sertão, entre o sujeito sertanejo e o outro.

Dentre suas obras se destacam: Sagarana (1946); Grande Sertão Veredas (1956) e Primeiras Estórias (1962), leituras obrigatórias. Através de sua narrativa e obra literária ampliou o regionalismo para o mundo. E ensinou que “viver é etecetara”! Rosas para Guimarães, neste dia Nacional da poesia!


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