psicologia na contemporaneidade

Escrevendo e semeando através da psicologia, sobre a sociedade, formas culturais, e as relações.

Natali Maia Marques

Look do dia: vivenciando a empatia

Foi realizado um reality show na Noruega onde três jovens blogueiros, que se diziam consumistas em excesso, foram levados até a realidade de fábricas têxteis que exploravam homens e mulheres no Camboja, os mesmos possuem jornadas de trabalhos desumanas. Os jovens puderam vivenciar, ainda que por um tempo, uma realidade tão distante deles. O reality proporcionou mudanças de hábitos dos blogueiros, que vivenciaram a empatia, a arte de se pôr no lugar do outro e ver o mundo de sua perspectiva, ou seja, fora da "bolha" que um dos participantes dizia que viviam.


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Aftenposten, um jornal da Noruega, enviou três blogueiros de moda (Anniken Jorgensen, Frida Ottesen e Ludvig Hambro) para uma fábrica têxtil no Camboja. O resultado foi um reality show online, chamado SweatShop – Deadly Cheap Fashion, dividido em cinco episódios, que retrata as condições de trabalhadores explorados neste país. O programa foi realizado no ano passado.

Os jovens eram seguidos por milhares de pessoas na rede social instagram, postavam seus looks (roupas que usavam) e hábitos de consumo também em seus blogs. O reality começa com uma apresentação dos blogueiros que falam sobre a quantidade de roupa que compram e a dificuldade para guardar tudo. Eles vivenciaram por um mês um pouco das mazelas dos trabalhadores da indústria têxtil no país. Visitaram a casa de Sokty, uma operária que mora em um pequeno apartamento na cidade. Os blogueiros vão com ela a uma loja, onde uma blusa de US$ 35 (aproximadamente R$ 90) vale mais do que toda a sua renda por um mês. Ela compra roupas duas vezes ao ano.

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Demonstrando a realidade que o programa propôs, agora, podemos falar e entender do que se trata a chamada empatia. Seu conceito é caracterizado como um construto multidimensional, ou seja, composto por aspectos afetivos e cognitivos que se desenvolvem ao longo do tempo. Pode ser entendida ou explicada como a capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas, está relacionada com a habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheias. Resumidamente, a empatia é a arte de se pôr no lugar do outro e ver o mundo de sua perspectiva.

Nos primeiros dias Anniken Jorgensen diz que "há trabalhos piores" e que "ao menos eles têm um emprego". Mas dias depois a blogueira confessa que não seria capaz de suportar aquela realidade. Ela se choca com os relatos que ouve da menina que possui a mesma idade que a sua. Ela se emociona muito, e chora (como pode ser visto na foto abaixo). Um tempo depois dá uma declaração de que se diz envergonhada do que havia dito inicialmente.

Para mim, dos três, ela é a que mais se comoveu e além de tudo percebe-se uma alteração física nela, na aparência, aos meus olhos ela passou por uma importante mudança, mesmo que inicialmente tenha tido uma opinião de que se envergonhou, pois pensemos que a empatia é um processo de conexão com o outro, por isso importa não apenas por nos tornarmos bons, mas também por ser boa para nós. Ela pode trazer as possibilidades de melhorar relacionamentos, quebrar nossos preconceitos, expandir nossa curiosidade em relação a 'outros’, e nos fazer repensar nossas perspectivas e atitudes. E foi isso que aconteceu com ela, possivelmente transformou seus relacionamentos, expandiu sua visão de mundo e fez repensar em suas atitudes e preconceitos.

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Um dos jovens diz: “nós estávamos numa bolha”, assim o programa busca impactar, sendo uma iniciativa necessária nas redes sociais. E com urgência é necessário sairmos da “bolha”!O reality faz com que os jovens possam, pelo menos por algum tempo, ‘vivenciar’ toda a exploração. Trabalhando nas fábricas, fazem a mesma jornada, etc. Assim, propiciaram aos participantes e outras pessoas que assistem ao reality refletirem sobre suas atitudes, maneiras de consumo e sobre a realidade a volta, no mundo e repensarem em suas condutas e naquilo que almejam para suas vidas, ou simplesmente como poderem contribuir mais socialmente. Os próprios blogueiros fazem campanhas em suas redes sociais, como instagram, após retornarem para Noruega, relacionadas com o consumo e outras questões socialmente relevantes.

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É muito importante que o tema seja divulgado pelas mídias, porque o problema é mais amplo do que pensarmos em nossos hábitos consumo, isso é necessário também, mas é fundamental buscar entender como funciona essas condições de trabalho precárias, os envolvidos nesse sistema. Por isso, denúncias, investigações e informações para a sociedade são fundamentais para que isso possa acabar, ou seja, não adianta apontar o dedo apenas para os que consomem, e os que colocam as pessoas nessas condições? O que acontece com eles, quem de fato são? Por que esta exploração, ainda que de modo diferente, também ocorre aqui em nosso país.

Acredito que algo que pode ajudar a criar essa aproximação e decisão de como cada um pode se mobilizar é tendo acesso a informações, certo? Por isso, deixo uma ‘dica do dia’, um aplicativo chamado ‘Moda Livre’, surgiu após uma matéria realizada pelo Repórter Brasil, que mostrou diversas varejistas de roupas do país e empresas que, já foram flagradas pelos fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em casos de trabalho escravo. Este aplicativo possibilita que possamos conferir como algumas marcas combatem o trabalho escravo, através de notícias, a metodologia que utilizam (questionários que classificam as empresas em cores: verde, vermelho e amarelo, de acordo com as medidas que tomam para combater o trabalho escravo).

Também é importante dizer que a ONG Repórter Brasil que tem por missão identificar e tornar públicas situações que ferem direitos trabalhistas e causam danos socioambientais no Brasil visando à mobilização de lideranças sociais, políticas e econômicas para a construção de uma sociedade de respeito aos direitos humanos, promovendo justiça e igualdade. Suas reportagens, investigações jornalísticas, pesquisas e metodologias educacionais têm sido usadas por lideranças do poder público, do setor empresarial e da sociedade civil como instrumentos para combater a escravidão contemporânea, um problema que afeta milhares de pessoas.

Link para assistir ao reality: http://www.aftenposten.no/webtv/#!/kategori/10514/sweatshop-deadly-fashion


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