psicologia na contemporaneidade

Escrevendo e semeando através da psicologia, sobre a sociedade, formas culturais, e as relações.

Natali Maia Marques

“ Ó abre alas: sejamos no mínimo questionadoras”

Mulheres abram alas para questionamentos e façam a diferença. Exemplos não faltam: “O poder só é efetivado enquanto a palavra e o ato não se divorciam, quando as palavras não são vazias e os atos não são brutais. Quando as palavras não são empregadas para velar intenções, mas para revelar realidades. E os atos não são usados para violar e destruir, mas para criar novas realidades” - Hannah Arendt, filósofa e professora alemã, que por volta de 1960, trouxe à tona a importância libertadora do pensamento humano. Propõe que somente através do pensar, e não do agir inconsciente, é que nos individualizamos e, portanto, nos tornamos autores de nossas ações, e de possibilidade de promover mudanças no nosso mundo.


mafalda.jpg

São muitos os exemplos de mulheres que promoveram mudanças através de questionamentos, mas em tempos de muita intolerância, violência, discriminações, desrespeitos às diferenças, e pouco valor da educação, seguem algumas delas:

Continuo na filosofia, com Hipátia, matemática, filósofa a mulher cientista do mundo antigo (370-415 d.C.). Tinha pela filosofia e a ciências muita dedicação e amor. Sua história e o período que viveu é muito bem interpretada, por Rachel Weisz (imagem), no filme Ágora ou Alexandria, que também reflete um espelho dos dias atuais, a intolerância e fundamentalismos religiosos e muita violência.

Única personagem feminina do filme, Hipátia ensina filosofia, matemática e astronomia na Escola de Alexandria, junto à Biblioteca. Ela dizia para seus alunos: Você não questiona o que acredita. Eu necessito! Ela quem começou a questionar o universo geocêntrico, que posteriormente, foi fundamental para a teoria do heliocentrismo. Na época, Alexandria era agitada por ideais e disputas políticas, econômicas e religiosas: o cristianismo, que passou de religião ‘intolerada’ para religião ‘intolerante’, convive com o judaísmo e a cultura greco-romana. E devido a essa intolerância, não sobreviveu para dar continuidade aos seus estudos e ensinamentos. Ela foi apedrejada. E, infelizmente essa semana mesmo vimos apedrejarem uma menina por ser de uma religião diferente.

Por isso, a importância do questionamento até mesmo dos próprios preconceitos, e discriminações, para que não culminem em atitudes de violência. Cada uma tem sua religião, profissão, ideais, aspirações, personalidade, fraquezas e forças. Por isso, busquemos direitos de igualdades, mas para isso é fundamental que respeitemos e aceitemos nossas diferenças.

Temos uma jovem questionadora que foi muito corajosa, Malala, buscou mostrar ao mundo os terrores do Talibã, e a importância da educação para meninas e mulheres. A repórter Adriana Carranca fez um livro sobre a história de Malala, para as crianças: “não perdeu muito tempo se lamentando pelos cantos quando se sentiu injustiçada. Malala até chorou um pouco, é verdade, mas quem não choraria ao ver seu país invadido pelos talibãs que, de quebra, ainda decretaram que as meninas não podiam mais estudar? Quem não choraria ao ver mais de 400 escolas destruídas? Malala logo botou a boca no mundo. “Como o Talibã se atreve a tirar meu direito à educação?”, discursou publicamente em 2008, quando tinha apenas 11 anos. Depois, usando um pseudônimo, escreveu um blog contando ao mundo como era sua vida durante a ocupação. Chamou a atenção por defender o acesso das mulheres à educação formal e, por isso, foi ameaçada e baleada pelos barbudos extremistas em outubro de 2012, quando voltava da escola".

Uma menina, de apenas 8 anos de idade, Mell, mobilizou o país para a construção de uma biblioteca em sua cidade, próximo a Alagoas, e hoje ela é chamada por muitos de Malala brasileira. A sua página no facebook chama Biblioteca da Mell.

Também temos exemplos de grandes brasileiras que questionaram suas realidades, e buscaram por mudanças. Uma delas foi Maria da Penha, que depois de conseguir escapar de duas tentativas de assassinato pelo marido e lutar por 20 anos para ver o agressor e o Estado punidos, mostrou ao governo a urgência de criar uma lei que protegesse as mulheres. Que depois levou seu nome, e vigora desde 2006. E hoje ela é ativista de uma ONG que trabalha contra a violência doméstica.Infelizmente, esta semana, a TV Record exibiu uma reportagem de denúncia, onde ainda existem meninas e mulheres escravas domésticas e sexuais na região central do Brasil. Por isso, precisamos que essa lei e muitas outras façam valer. Precisamos de mais pessoas que lutem por essas meninas e mulheres.

Lembremos outra importante brasileira de antigamente (1968), Chiquinha Gonzaga, cujo marido, dono de navio, mandou que ela escolhesse entre ele e o piano. Ela escolheu a música. Tocava à noite com boêmios para sustentar os filhos. Compôs 2 mil músicas e é autora da primeira marcha de Carnaval, Ó Abre Alas. Arrecadou dinheiro para alforriar escravos e protestou contra a monarquia.

Ainda neste sentido de mudanças jurídicas, Ellen Gracie: primeira ministra e primeira presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), ela proferiu 30 mil decisões de 2000 a 2011. O período coincide com a guinada nas cortes em direção aos temas políticos.

Enfim, hoje, em nosso país, onde até meninas conseguem agir para a promoção de mudanças e são chamadas de Malala, deixo a pergunta para cada mulher brasileira: na música, na política, nas suas crenças (religiosas ou não), nas profissões de saúde, ou outras áreas, etc, pode se questionar e buscar mudar algo na sua região, comunidade, cidade? Questionem-se, abram alas e façam!

Ao longo da história da humanidade muitas mulheres dedicaram, e algumas sacrificaram , suas vidas, para que a humanidade prosseguisse para um rumo melhor, de evolução. Que possamos honrá-las de alguma forma.


version 7/s/sociedade// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Natali Maia Marques