quando meus botões respondem

Diálogos sobre tudo um pouco e quase nada

Isabela Lima

Por que precisamos falar sobre sexo

Sexo. Falemos de sexo. Apreciemos o sexo. E trepemos.


Porque não falamos de sexo como ele deve ser falado. Esses dias, conversando com um amigo sobre assunto, me veio à cabeça algo que julgo necessário compartilhar. O cara me falava que transou com uma menina e que ela gozou seis vezes, mesmo que ele não tivesse feito tanto esforço assim. Essa frase como um todo me incomoda, e vou dizer o por quê. Primeiro, o cara pareceu ingenuamente impressionado com o fato da menina ter chegado lá (ainda se usa essa expressão?) tantas vezes sem ele ter feito tanto esforço assim, como se o gozo da moça fosse fruto do desempenho dele na cama.

Não é.

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Esse pensamento existe em homens e mulheres, o que me parece bastante machista e um tanto equivocado. Ao invés de pensarmos “nossa, fulanx me fez gozar seis vezes”, deveríamos pensar “nossa, eu gozei seis vezes transando com fulanx”. Percebem a sutil diferença? É quase como aquela coisa toda de voz ativa e voz passiva que existe na gramática. Só que aqui, o ativo é quem goza, não quem teoricamente fez gozar.

Talvez a gente devesse prestar um pouquinho mais de atenção ao nosso corpo. O corpo feminino é como um universo, cheio de pontinhos brilhantes a serem explorados por nós e por quem quisermos que o adentre. Precisamos nos tocar, nos sentir. Usar o(s) dedo(s) ou o que quer que seja pra sermos as maiores conhecedoras desse mundo todo que somos.

Existem muitas mulheres que nunca gozaram. Mulheres que acham que o movimento continuo da penetração é o ápice do prazer. Também tem mulher que não goza com penetração. Tem mulher que acha que isso é culpa do outro. Tem mulher que acha que é culpa dela.

Creio que essa seja uma historia sem culpados específicos. Sabemos que o órgão masculino não tem lá a complexidade de uma bela boceta, aquela riqueza de camadas e micro espaços que são altamente capazes de dar prazer. Mas o que rola é uma falta de informação, falta a gente sair da caixinha e todo mundo que curte transar com mulher procurar entender direitinho como é esse negocio de boceta. Rola uma falha na comunicação entre casais - trisais, casuais, como quiserem chamar - pra que as mulheres sejam estimuladas a se conhecerem, a se masturbarem, a saberem a sorte que têm de poder gozar varias vezes numa única transa. E que isso depende sim do outro (afinal, cada sexo é um sexo), mas depende do quanto você de conhece e também do quanto sua cabeça esta disposta àquilo.

Isso tudo, claro, fora toda a cultura machista e patriarcal que muitos caras como meu amigo seguem sem perceber de que o sexo se resume a uma troca de proporções de prazeres. “Eu te faço gozar, você me faz gozar, gozamos juntos. Sexo perfeito”. É mais do que isso, o sexo é sim a troca, mas não só de orgasmos, mas de estímulos, de auto conhecimento, de intimidade corporal e psíquica.

Nos conheçamos. E fora Temer.


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