isabela fuchs

Isabela é uma curitibana que estuda (e adora) Design e que é apaixonada por artes visuais, fotografia, história da arte, música, literatura, cinema, ilustração e tudo mais que lhe der na cabeça.

La Greunouillère - Uma dualidade que se encaixa

Os dois mais famosos pintores do Impressionismo mundial pintaram em 1869 o mesmo canal na capital francesa. A quebra de valores artísticos do século XIX valeu a pena; o artista não é mais somente pincel e tinta: é o olhar, o sentir e o movimento.


impression.jpg Impressão, Pôr do Sol - Claude Monet

Na Paris do século XIX, um quadro chama atenção: Impressão, pôr do sol (tradução de Impression, soleil levant em francês), de Claude Monet. Um quadro que representa nada mais do que um pôr do sol com alguns barcos no mar e o Sol ao fundo. Porém há uma grande diferença; as pinceladas. Fortes, brutas, agressivas e cheias de vivacidade, que ao longe formam uma figura perfeita e de perto se percebe a forma do pincel, que em vez de ser mero instrumento de trabalho, ele diz algo como: não fui feito para representar a realidade, mas para representar o que vejo e sinto: captar o movimento e deixar de lado os contornos são grandes características desse movimento artístico tão especial e que valoriza tanto a cor. O valor dado a ela é tão alto que as sombras são coloridas e vividas e não há mistura de pigmentos, o leitor da obra mistura-as com o olhar, como se os quadros impressionistas fossem além de obras de arte, ilusões de ótica.

Há diversos outros autores do impressionismo mundial, como Pissarro, Cézanne, Sisley, Renoir, Morisot etc. Porém, há uma passagem do Impressionismo que merece destaque: os dois quadros La Grenouillère.

Renoir e Monet tiveram ideias iguais: em 1869, ambos pintaram o mesmo canal em Paris, em uma época tipicamente charmosa da capital francesa, cada qual com suas características principais.

renoir.jpg La Grenouillère - Pierre-Auguste Renoir, 1869

Renoir era o artista mais delicado do Impressionismo. Uma escala de cor um tanto quanto rococó, pinceladas suaves, e mesmo não utilizando delimitações e técnicas extremamente regradas e sisudas como no Renascimento, o reflexo na água quase tende a perfeição. Uma citação sua explica muito bem a sua obra: “Numa manhã um de nós já não tinha preto, e assim nasceu o Impressionismo”. Apesar de haver áreas bastante escuras neste quadro em especial, não é o preto puro. Sua paleta de cores sempre tende ao pastel e ao azul claro, algo como feito de porcelana, o que se encaixa perfeitamente com essa época francesa e com sua técnica. É um quadro que diz muito.

monet.jpg La Grenouillère - Claude Monet, 1869

Monet, mais agressivo e mais agarrado aos conceitos e ideais impressionistas, pinta esse quadro com emoção e sem delicadeza, com uma paleta muito diferente da de Renoir, o verde é em um tom abacate, o verde mais utilizado em toda sua obra. As mulheres na área central do quadro não são delicadas e em tons pastéis, são escuras e sem pompa. A água, outrora cristalina, aqui é bastante densa, bem como as árvores ao fundo com pinceladas extremamente fortes. Não há um ar romântico e delicado, somente real.

Essa obra é um dos retratos mais primorosos dessa época tão incrível e sensível da história da arte. Demonstra o olhar e as emoções de dois grandes pintores e um só local: a Paris do século XIX, com a dualidade delicadeza e brutalidade, a mesma do Impressionismo.

“Para minha mente, uma imagem deve ser algo agradável, alegre e bonito. Sim, bonito! Há muitas coisas desagradáveis na vida como ela é sem criá-las ainda mais.” – Pierre-Auguste Renoir


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Isabela é uma curitibana que estuda (e adora) Design e que é apaixonada por artes visuais, fotografia, história da arte, música, literatura, cinema, ilustração e tudo mais que lhe der na cabeça..
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