questionando histórias

Pois quem nos move são as nossas perguntas

Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo.

Qual a probabilidade do sucesso?

Todos somos constantemente obrigados a vencer na vida. Mas, então, se fulano venceu, quem perdeu? Não olhe para mim, eu tenho um palpite forte de que seja aquele cara esquisito que senta perto da janela. Quanto quer apostar?


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Em uma sociedade onde temos que ser perfeitos a todo instante, o sucesso é considerado um divisor de águas que separa as mentes brilhantes das fracassadas, as atitudes a serem fielmente copiadas daquelas a serem desprezadas sem perdão, vencedores de perdedores. Só que analisar isoladamente o fator sucesso pode ser um erro fatal: pensando no futebol, é fácil chegar à conclusão de que não é porque um jogador ganha um salário maior que ele é necessariamente melhor do que outro. Parece óbvio, não?

Então responda rápido: não conhecendo o talento dos seus jogadores, em quem você confiaria mais para colocar durante um jogo complicado: o que ganha mais ou o que ganha menos? Mesmo sabendo que exista a possibilidade de se equivocar, provavelmente um valor muito próximo de 100% das pessoas prefiram o de salário mais alto na prática. E se o cara entrar e arrebentar, o que acontece com o cara que talvez fosse tão bom quanto ele, mas não teve uma oportunidade? Vai amargar no banco enquanto o de salário maior tem uma grande chance de se firmar titular e ganhar ainda mais por isso.

Lucas_Nini.jpg Será este realmente a melhor escolha?

Essa é uma das questões tratadas pelo livro “O andar do bêbado” de Leonard Mlodinow, onde o autor busca sempre mostrar que grande parte dos eventos de nossas vidas, sejam eles bons ou ruins, são influenciados por fatores não controláveis como o acaso por mais que procuremos ter o devido controle sobre nosso próprio destino. É um ponto interessante, porém prefiro partir do princípio de que não existem acidentes.

Se você ocupa hoje determinada posição hierárquica, se desfruta de uma boa saúde ou se comeu macarrão com queijo na hora do almoço. Tudo teve uma razão para acontecer dessa maneira. O que ocorre é que muitas vezes os resultados percebidos podem não parecer proporcionais ao esforço despendido: por mais que tente impressionar o chefe você não é promovido, por mais que treine muito bem as finalizações o atleta vira apenas um reserva de luxo do titular irregular, porém mais badalado.

E como garantir que a minha carreira não seja prejudicada por esse “azar sistemático”? Nesse momento cabem as palavras de Edgar Morin: “o universo é complexo”. Existe um número infinito das mais diversas variáveis que podem influenciar seus resultados diante de seu desempenho: o humor do chefe, a chuva matutina que encharcou seus sapatos novos, a conversa descontraída com o amigo no dia anterior, a queda das ações, um incêndio na Tailândia, a falta de queijo no mercado para completar o macarrão.

Uns mais outros menos, mas o efeito borboleta de tudo o que acontece no planeta irá repercutir de alguma maneira por todos os cantos. Tudo está interligado nessa rede incomensurável do universo.

1024px-Connections_between_sister_cities_visualised_on_a_world_map_(jetlog)_svg.png Nada é tão simples quanto aparenta...

Mas então o meu sucesso vai depender da sorte que tenho ao jogar dados com o mundo? Obviamente que não. Contudo, você provavelmente também vai ter que empregar um esforçozinho a mais para ajudar a sua sorte.

Mlodinow coloca que “até mesmo uma moeda viciada que tenda ao fracasso às vezes cairá do lado do sucesso”. O jogador no banco possivelmente terá de continuar mostrando o seu valor até que a troca seja feita ou senão também pode arriscar mudar para um clube onde tenha maior probabilidade de atuar, assim como o dedicado funcionário tem de demonstrar ainda mais a sua importância para a empresa para que somente um dia de mau humor ou de menor produtividade não sejam capazes de modificar a sua imagem de forma negativa.

Com isso, o autor busca priorizar um conceito que ficou de certa maneira banalizado no nosso dia a dia: o de não desistir. Não se trata simplesmente de um conselho motivador estereotipado para se ir atrás do que deseja. Ele o prova matematicamente: quanto mais tentativas existirem, maior é a chance de que o resultado que você espera seja efetivamente alcançado.

Portanto, se você acredita no seu potencial prossiga, drible, contorne, não desanime. Se você é um reserva de luxo a sua vaga como titular está mais próxima do que lhe parece.


Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo. .
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