questionando histórias

Pois quem nos move são as nossas perguntas

Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo.

Procura-se

"Viva sem medo, pois o guerreiro não deve temer o vento que sopra, mas deve lembrar que a vida é frágil como uma flor." (Sabedoria oriental)


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Viva o presente sem medo!

Este é um dos lemas do código de honra do samurai, o Bushido. Sendo a morte um evento inevitável que deve sempre ocorrer de forma digna, a disciplina japonesa rege que a todo instante devemos agir com bravura, lealdade e compaixão visto que cada oportunidade de fazer o certo pode ser a última. Tanto que um dos símbolos da vida samurai é a flor de cerejeira, que representa o amor, a beleza e a esperança em toda a efemeridade de sua rápida florada. É esse intenso sentimento de aproveitar a vida a cada momento enquanto dure que permeia a trama do livro “Procura-se”, de Giovanna Vaccaro.

“A vida pode nos derrubar, mas somos nós quem escolhemos se devemos seguir em frente ou não. Escolhi seguir em frente.” (pág. 82)

Ariane Sparks é uma garota de Ensino Médio como a maioria: vaidosa, elétrica e cheia de curiosidade a respeito dos caminhos que pode tomar. A adolescência naturalmente lhe impõe novos desafios para enfrentar e moldar a sua verdadeira personalidade. Mas uma dessas batalhas não é tão usual assim: Ariane possui a doença arterial coronariana, um problema cardíaco raro em pessoas jovens que provoca o estreitamento de artérias a ponto de causar fortes pontadas no peito. Em casos mais graves, até ataques cardíacos.

Isso faz com que Ariane seja uma pessoa difícil de se abrir com aqueles que não conhece. A menina tem vergonha de se expor, não consegue admitir o problema que tem. Não quer se sentir como uma doente e muito menos que os outros a tratem dessa forma. Tanto que somente seus familiares mais próximos e sua amiga Callie é que sabem de sua enfermidade.

Na ignorância da realidade, Ariane procura levar uma vida normal. Porém, por mais que tente, esse fantasma ainda segue a rondá-la. Ela está somente alimentando as aparências, jogando um véu sobre o monstro que tanto a perturba. Mas quando a vida coloca um monstro em nosso caminho é porque devemos encará-lo de frente. Fingir que ele não existe é torná-lo mais forte e assustador do que realmente é.

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Adiando a batalha real contra a coronariana, Ariane se permitiu ter medo. Ela percebe que seu quadro se agrava e a apreensão a faz evitar procurar novas soluções para o caso. Ariane deixou que o monstro crescesse e começa a sentir que não pode mais sair de suas garras. A coronariana pode ser fatal ao seu coração.

Contudo, ao mesmo tempo que a vida nos lança monstros pelo caminho, também nos oferece as armas capazes de derrotá-los. O tamanho da nossa cruz é equivalente à nossa capacidade de suportar o seu peso. As dificuldades da vida de Ariane servem para desenvolver cada vez mais a sua força e o seu equilíbrio pessoal. Afinal, ela também não está sozinha em sua jornada.

De volta ao seu colégio após alguns anos fora da cidade está Miles Bennet. Para o azar dele: Miles se mudou para Indiana após sua mãe falecer em um traumático acidente de carro em Nova York. Tudo o que o garoto queria era se afastar daquela imagem, daquele impacto... Mas eis que a vida caprichosa reserva mais um desafio por lançar: a tia com quem passa a morar se vê obrigada a mudar de endereço. Ambos terão de retornar a Nova York para recomeçar a vida do zero.

Miles demora a aceitar a volta da realidade que preferia esquecer. É impossível disfarçar o baque. Todavia, ainda existia uma cara recordação que motiva o rapaz a seguir em frente: naquele colégio havia uma garota que não o ignorava e nem lhe fazia chacota como os demais alunos. Ariane Sparks era o seu nome. Sim: se havia alguma possibilidade de tornar os dias em Nova York melhores era que definitivamente Ariane estivesse presente neles.

O reencontro. A aproximação.

Enquanto Miles busca curar as feridas de um trágico passado, Ariane ainda permanece temerosa com seu imprevisível futuro. Quanto mais pode aguentar? Quanto tempo pode haver? Tantas indefinições só trazem uma certeza: é preciso viver o presente com toda a disposição. E estando um lado do outro torna tudo muito mais fácil.

Os dois cometerão erros, irão se precipitar em suas escolhas. Isso também faz parte do caminho. O importante é que ambos aprendem e evoluem constantemente em “Procura-se”. E, independentemente do que aconteça, ambos estarão plenamente satisfeitos e gratos por poderem contemplar a flor da cerejeira finalmente desabrochar.

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Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo. .
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