questionando histórias

Pois quem nos move são as nossas perguntas

Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo.

Playlist – Vidas em Singles

Sempre tem uma música que a gente não quer deixar de ouvir. O corpo se energiza. O som segue latejando na cabeça. Fica aquela vontade de continuar, de saber mais sobre aquela história... E a literatura pode ser um ótimo meio para fazer a composição ficar ainda mais vibrante.


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Desde a antiguidade existe a preocupação das pessoas em preservar histórias e tradições orais por meio da escrita. Assim seria possível eternizar essa memória, perpetuar uma mensagem de valor para gerações posteriores. São tantas histórias que sobreviveram à passagem do tempo que muitos nomes de seus autores se perderam nesse período ao passo que as suas impressões e sentimentos permanecem vivos como nunca. E hoje, na era da internet, como ficou esse costume?

Tudo se tornou registrável. Escrita, áudio, vídeo e afins. Com a modernização e aceleração da vida, a grande tendência é a transformação do texto para o audiovisual com a adaptação de livros robustos para o formato de filmes rápidos e de impacto instantâneo. Na época da interatividade de mídias a escrita pode soar como algo obsoleto, antiquado. Mas teria o texto perdido a importância que detinha nos tempos antigos? Obviamente que não. E o livro “Playlist – Vidas em Singles”, de Leandro Schulai pela editora Simbiose, vem provar justamente isso.

Hoje aproveitei para terminar de digitar no celular um conto que finalizei ontem à noite. Estava ansioso. Era meu primeiro trabalho como escritor após meus traumas. Era a oportunidade perfeita de colocar para fora tudo que sinto e tudo o que acredito sobre o mundo e sobre as pessoas. Tirar um pouco do peso dos meus ombros.” (pág. 71-2)

Assim como as conhecidas coletâneas de histórias da oralidade, o livro é dividido por contos permeados de mensagens reflexivas a respeito de diversas temáticas. Porém, existe um claro elo comum: todos os contos são originados de canções famosas compostas na atualidade, mais especificamente aquelas gravadas a partir do ano de 2010.

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Se a música contemporânea retrata as dores e alegrias da nossa sociedade de um modo que ainda nos toque de forma única, a literatura a respeito também não poderia funcionar diferente. É possível ir do céu ao inferno em poucos acordes ou passagens de parágrafos.

Desde os tons carregadamente enérgicos da música “Nuclear”, de Mike Oldfield, que se transformam num relato das tragédias cotidianas ocasionadas pela cultura de ódio e repressão contra minorias até os motivacionais embalos da “Emerald Sword”, de Rhapsody, que despertam o senso de aventura na busca por tesouros em um curioso conto medieval.

Encontros, desencontros. Conquistas e fracassos. Enquanto há contos em que a antiga namorada esnoba o ex vacilão com sua nova e invejável vida, também há aqueles em que as marcas do passado ainda latejam por mais que se procure evitá-las. Cada história tem seu próprio percurso, cada estrada apresenta seus trechos altos e baixos. Assim é o caminho. Assim é a vida.

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Por mais que existam sofrimentos, doenças e amarguras, a mensagem geral que permanece é que sempre é possível recomeçar. O amor perdido ou a memória esquecida fazem parte das possibilidades, não podemos ignorá-los. Viver é um risco. Arriscar-se é se tornar naturalmente sujeito ao erro.

Todavia, o mais importante é saber reconhecer o passo em falso e seguir enfrentando os próximos desafios com firmeza e dedicação. Nem que seja preciso escutar uma boa trilha sonora antes de decidir a moral da própria história.


Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo. .
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