questionando histórias

Pois quem nos move são as nossas perguntas

Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo.

Drako e a Elite dos Dragões Dourados

Voar é o sonho coletivo. O desejo de ir além. Aspiração pela liberdade.
Só que não se basta: voar sim, mas para onde? O que realmente fazer com a nossa liberdade enfim alcançada? Definir os nossos objetivos é essencial para não pairar às cegas. É preciso saber bem o caminho que se deseja trilhar antes de tirar os pés do chão caso pretenda evitar pousos forçados mais dolorosos...


Drako.jpg

Descobrir-se. Não há nada tão complexo e tão ao nosso alcance quanto o autoconhecimento. Quem somos? Para onde vamos? Tais respostas só podem ser encontradas no mais íntimo recôndito da alma. Mas estão lá. Quem se dedica a procurá-las fatalmente as encontrará. Só assim percebemos qual o caminho que realmente devemos trilhar em vez de seguirmos perdidos e deslocados pelos trajetos que o mundo nos impõe. E é assim que Drako irá apreender a sua verdadeira missão no livro “Drako e a Elite dos Dragões Dourados”, de Paola Giometti.

“O dragão de repente quis desistir de toda aquela ideia maluca. Pensou em fugir, preparou-se para se lançar cima num voo excepcionalmente veloz como o de uma mosca, porém surgiu outra figura de dentro daquela imensa caverna no vulcão. Haviam chamado o coordenador.” (pág. 128)

Drako não era um dragão vermelho comum: nascido de uma poção mágica preparada pela bruxa Creonice Bruxelas, Drako foi criado longe dos domínios dos demais dragões apenas para satisfazer a vontade egoísta da bruxa de vencer o Congresso Anual de Feiticeiros, o torneio de magia mais importante de Paracelsia.

Assim, o animal vivia uma rotina escravizante de treinos sob contínuos maus-tratos e ameaças de Creonice. Porém, com seu mundo restrito ao sítio onde a bruxa morava, Drako não percebia a gravidade dos abusos dos quais era alvo frequente. Se acontecia assim com ele era porque também devia acontecer assim com todos. E apenas se resignava.

Até que, após a utilização de um feitiço-inseticida por Creonice em sua casa, Drako se vê com um novo e inesperado amigo: a mosca Zezé Grudz. Tendo os seus pais e irmãos mortos pela ação do veneno, Zezé se lamentava ruidosamente próximo à cama de Drako quando despertou a atenção do dragão. Solidarizado com o inseto, ofereceu-lhe abrigo e apoio.

Em contrapartida, Zezé se torna o fiel escudeiro de Drako. Experiente em espalhar os seus zumbidos pelo mundo, a mosca alerta o dragão sore os perigos de conviver com Creonice, compartilha dicas únicas de voo, instiga o seu desejo de conhecer novos lugares. É o zumbido no ouvido que provoca mudanças.

housefly-1130511_1920.jpg

É a partir de Zezé que Drako conhece Moskóvisk, uma mosca filósofa especialista em dragonídeos. Fica fascinado em conhecer um pouco sobre os dragões verdes protetores de florestas, os dragões azuis habitantes das águas e principalmente os dragões brancos que são especialistas em magiquímica, uma espécie de energia mental capaz de influenciar as atitudes de outros seres. Só que os dragões vermelhos como ele não tinham um currículo tão bom assim: estes eram os dragões cruéis, brutais. Assassinos.

A bondade inata de Drako era mais um sinal da diferença que mantinha para sua espécie. E será fundamental para que o dragão ganhasse preocupações muito maiores do que vencer um mero torneio de magos: Drako descobre que Creonice está envolvida com uma máfia de bruxos que tem o objetivo de fazer fortuna ao extrair ouro da pele dos dragões dourados, que possuem propriedades medicinais únicas de gerarem curas milagrosas. A máfia está em busca da poção perfeita para extrair esse ouro com os dragões ainda vivos logo que depois de mortos esse trabalho era dificultado. Apenas faltava um ingrediente para que a ação tivesse início: patas de moscas albinas.

Apesar de serem consideradas extintas justo pela exploração passada desse tipo de poção, a caçada por essas raras moscas é generalizada. E Drako se vê responsável por aperfeiçoar os seus conhecimentos de alquimia e magiquímica para executar uma poção de reversão que seja capaz de proteger os dragões dourados. Mas quem irá acreditar nas suas intenções? Qual seria o louco que iria confiar em um dragão vermelho?

dragon-1293373_1280.jpg

Enfrentando o preconceito por sua cor e a ganância sem limites de seus adversários, Drako tem obstáculos de sobra por seu caminho. Mas não lhe faltará empenho para salvar seus amigos. Afinal, se não teve a oportunidade de ser criado em um lar comum, seus mais próximos amigos é que formavam a verdadeira família que nunca teve. Esta era a meta que possuía. A missão que realmente percebeu para si mesmo.


Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/literatura// @obvious, @obvioushp //Leandro Dupré Cardoso