questionando histórias

Pois quem nos move são as nossas perguntas

Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo.

Playlist - Vidas em Medley

Música e literatura podem ser combinadas num ritmo novo. Basta permitir que o ressoar das palavras suavemente lhe carregue para desfrutar de novos níveis de vibração...


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Os anos 80 marcaram não só uma nova geração, mas um novo estilo de vida. O aprimoramento da computação e digitalização de dados propiciou um imprescindível avanço da tecnologia. Ainda que seja considerada a década perdida devido a várias incertezas políticas e econômicas, o panorama cultural explodiu com as inovações principalmente nos campos da moda e da música eletrônica.

É sobre esse cenário de intensos altos e baixos que se situa o livro “Playlist – Vidas em Medley”, de Leandro Schulai, em que são apresentados nove contos abordando a década de 80 como pano de fundo. Cada um desses contos ainda é relacionado a alguma música importante da mesma época.

“A folha estava empapada, mas era resistente. Não era a primeira vez que lágrimas caíam nela. Depois que a recebi nem eu nem ninguém próximo a ele tivemos notícias a seu respeito. Ele podia nem mesmo estar vivo.” (pág. 25)

Dúvidas e mais dúvidas. Por vezes seria possível abrir um sorriso largo e se sentir a dois passos do paraíso. Por outras a desilusão revelaria que o mundo poderia acabar ali mesmo ao apertar de um mero botão com gatilho atômico. Entre tudo isso estávamos nós. Os contos destacam as conquistas e fracassos, temores e percalços de pessoas comuns em meio a esse ambiente efervescente. Mas sobretudo suas emoções. Corações que pulsam desenfreados ao ritmo das músicas-tema relacionadas para cada história.

Afinal, a felicidade não pode esperar. Assim como a emblemática passagem do cometa Halley, o protagonista precisa incorporar a alegria de um breve momento de prazer para se sentir mais vivo. Ainda que Duran Duran o aconselhe a guardar uma oração para o dia seguinte.

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Pois a felicidade duradoura é que mais vale a pena. Sua conexão é tão forte que enfrenta qualquer barreira, física ou espiritual. É assim que, depois de 28 anos de um muro firme e insensível separar uma cidade, ainda há esperança. Ainda existe um amor aflito por florescer. Pois o que foi prometido ninguém prometeu, nem foi tempo perdido.

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Na real, ser feliz de qualquer jeito é o que importa. Crie coragem para chamar aquela garota para sair, traz mil rosas roubadas e pede um beijo sob a lua de prata. Aproveite, faça, ouse! Você pode ter só essa chance. Você é jovem, mas não é de ferro. Pois quando menos se espera pode não haver mais espera. A liberdade a qualquer preço ocasiona o alto custo da AIDS que se prolifera.

Por fim, a feliz sensação ainda é de dever cumprido. Jung já dizia que para a copa de uma árvore alcançar o céu é necessário que as suas raízes toquem o inferno. “Playlist – Vidas em Medley” traz o que há de pior e melhor da mesma louca moeda. Cabe a nós simplesmente ouvirmos a chamada e seguirmos o ritmo sem raciocinar demais. Pois o coração é que deve pulsar à flor da pele.

Isso é vibração. Isso é energia. Isso é anos 80.


Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo. .
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