questionando histórias

Pois quem nos move são as nossas perguntas

Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo.

Você tem tempo para fazer o que lhe é mais importante?


kunj-parekh-tSSB4PL-w-E-unsplash.jpg

Costuma-se dizer que a maioria dos brasileiros faz tudo em cima da hora. Basta olhar para as filas intermináveis e pedidos acumulados em vésperas de dias comemorativos. Isso porque o presente imaginado a princípio já pode estar com valor muito mais alto nesse momento ou talvez até ter acabado no estoque.

Claramente não são todas as situações em que esse comportamento é prejudicial: esperar pela “xepa” também pode oferecer algumas promoções-relâmpago. Em casos de pagamento, deixar os boletos para quitação até o limite do prazo pode permitir que você tenha um fôlego extra de capital de giro enquanto o pagamento não ocorre. A questão é que, mesmo nesses casos benéficos, muitas vezes não há um planejamento para se agir desse jeito.

A pessoa usualmente deixa aquilo de lado para resolver outras coisas até que, percebendo que não pode adiar mais aquele compromisso, sai desembestada como alguém que acorda já sabendo que está perdendo a hora. Uma ação no susto. Com ausência total de planejamento.

E aí o desespero de saldar a dívida ou de fazer uma aquisição de último minuto toma conta da nossa mente com prioridade máxima. A urgência fura a fila para ser atendida o quanto antes.

Resolver logo o que é urgente não é por si só um problema: não dá para esperar muito se um cano se romper e há um grande vazamento, assim como não adianta demorar muito a abrir um guarda-chuva se já começou a chover. O problema é transformar em urgência o que poderia ser resolvido com mais antecedência. E assim acumular combates a incêndios que poderiam ser muito menores e, pior, vão exigir tempo e esforços que poderiam ser dedicados a atividades menos urgentes e de maior relevância.

Pois, se deixarmos, a rotina nos engole. Engole nossos sonhos, nossas metas e vontades com o argumento de que não temos tempo para isso. Mas se a nossa rotina não contempla um tempo para cuidar de nossas próprias aspirações, quem está errada é a nossa rotina e não os nossos sonhos.

Um grande sonho não é resolvido de imediato. Exige perseverança, exige o hábito de ser construído e lapidado aos poucos. Não nos aparenta ser tão urgente porque parece que teremos todo o tempo do mundo para colocar isso em prática. E desse modo vai sendo adiado. Sempre dá lugar às urgências furadoras de filas e fica ali, pacientemente recostado, à espera do momento ideal.

O seu propósito pode permanecer esquecido e adormecido ali por um longo período, mas certamente nunca vai embora. Pois é isso o que nos dá o sentido em um mundo de altas velocidades. É a base sólida que mais desejamos erguer em meio a uma realidade de relações líquidas.

E para tanto é preciso planejamento para não se perder nesse mar de urgências e distrações. Só chega ao ponto de destino o barco que não perde seu rumo mesmo em águas tempestuosas.

Programe um tempo para você. Um tempo para começar a realizar aquilo que lhe é mais importante. Que até poderia ser deixado para depois, mas que vale a pena ser verificado o quanto antes para alinhar-se na direção de sua própria missão. No sentido da sua felicidade maior.

Não precisa ser o maior, nem o melhor passo que se decida dar. Pequenas atividades devidamente orientadas já são mais do que suficientes para lhe tirar da inércia e principiar a seguir na trilha do caminho mais desejado.

Sem pressa, sem exigir-se demais. Mas de forma contínua, gradualmente todos os dias.

Para que seu barco não perca o rumo e você ainda aproveite para desfrutar da viagem enquanto dure.


Leandro Dupré Cardoso

Se você leu até o final eu lhe agradeço. É um bom sinal cujo real caminho desconheço. Mas espero que, afinal, ele te leve a um novo começo. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// //Leandro Dupré Cardoso