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Você precisa ir além dos seus conceitos pra sair vivo do buraco

Angel Glória

mergulha no mundo abastado da escrita e atreve-se a opinar sobre tudo que é assunto, ainda que não tenha base suficiente em quase nenhum deles.

Eu sei que vou te amar - O dia que Jabor acertou

Um casal se reencontra três meses depois do término. O que sentir? Ódio, Rancor? Sobre o que falar? Insistir em atribuir a culpa a alguém ou talvez tentar uma reconciliação? A história poética do típico casal que só percebe a necessidade que tinha do outro após o termino de seu relacionamento, que fez mudar meus olhos quanto á visão de Arnaldo Jabor.


Um casal se reencontra três meses depois do término. O que sentir? Ódio, Rancor? Sobre o que falar? Insistir em atribuir a culpa a alguém ou talvez tentar uma reconciliação?

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Esse resumo não é um romance de Clarice Lispector, e sim a linha que costura o filme "Eu sei que vou te amar" de 1986, mas que poderia muito bem ter sido filmado nos dias de hoje. A obra (sim, porque devo chamar dessa forma) é digna de total prestígio e superestimação que vem sofrendo desde o seu lançamento.

O filme que tem uma tensão sexual forte e é um prato cheio para os psicanalistas de plantão, gira em torno de uma discussão lírica e dramática entre os dois, extremamente visceral como dos amores mais doentios da história do cinema. Seguindo a troca de lembranças e os preenchimentos de lacunas do passado, é impossível não se ver preso ao filme desde a primeira cena.

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Quem é admirador de filmes franceses vai conseguir captar a forma em que o filme escrito e dirigido por Jabor se assemelha aos primeiros longas de Godard, devido aos seus cortes diferenciados, a própria estética do filme e algunas cositas mais.

Digo isso no título, por não concordar em parte alguma nos comentários políticos e sociais que saem da boca do Arnaldo (pelo menos com os que são veiculados em tv aberta), mas depois de assistir e me apegar á esse clássico do cinema brasileiro, devo reconhecer a sua genialidade como escritor e porque não dizer também como poeta.

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Além dele, Fernanda Torres também merece menção honrosa e um beijo na boca pelo filme. O telespectador se pega pensando se aquilo é encenação ou se na vida real ela teria sido mesmo apaixonada por aquele homem e não é á toa que rendeu a ela o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes no mesmo ano de estreia do filme.

É um filme que deve ser assistido, ou melhor, apreciado de cabeça fresca para que se possa ser absorvido em sua real grandeza.


Angel Glória

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