quimera

Sem leão, cabra ou serpente

Ricardo Burgos

é ator, dançarino, redator no Conexão Mundo e integrante do grupo musical Dzi Croquettes.

5 roteiros essenciais ao aspirante a roteirista

Escrever um roteiro é uma tarefa árdua. Requer muito tempo de trabalho e disciplina. E então, depois de todo esse sacrifício, se o que você produziu for de fato bom, sem dúvidas irá colher seus frutos. Basta se espelhar nos grandes - no mundo existem inúmeros exemplos, e para um amante, é uma delícia lê-los e estudar suas estruturas. E lembre-se - o mundo está, e sempre estará, faminto por boas estórias.


ATENÇÃO! O conteúdo pode conter spoilers (dependendo do que você considere ser um spoiler)

5. Groundhog Day - Danny Rubin/Harold Ramis

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Há os que dizem que este filme não passa de mais um filme bobo do Bill Murray. Mas na verdade, "Groundhog Day" talvez seja considerado o maior roteiro de comédia já escrito. E escrever comédia não é nada fácil. Além da premissa do filme (convenhamos, é genial), o roteiro é impecável, sem dúvidas foi muito bem escrito. E é uma leitura essencial porque ele não perde, por nenhum momento, as oportunidades inseridas na história através da sua ideia central. E o maravilhoso por trás disso é que - apesar da premissa de estar preso no mesmo dia - ele funciona, como qualquer outro filme no gênero de comédia romântica. Você não percebe isso, é claro, por que a ideia é genial.

Leia o roteiro aqui.

4. Pulp Fiction – Quentin Tarantino/Roger Avary

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Alguns profissionais do meio lhe dirão para evitar Pulp Fiction como referência à uma "boa escrita". Afinal, Tarantino não seguiu absolutamente nenhum dos métodos tradicionais de roteiro ou regras que qualquer professor ou livro sensato lhe ensinaria. Mas não importa, porque Pulp Fiction é uma obra-prima.

Esse roteiro é praticamente uma leitura obrigatória para quem quer aprimorar os diálogos. A maioria das pessoas, após assistirem Pulp Fiction, saem com a opinião de que Tarantino escreve diálogos "realistas". Mas na verdade, o gênio desse cara é em apenas como ele te convence de que o que você está ouvindo são aquelas conversas banais, que você ouve todo santo dia.

Leia o roteiro aqui.

3. Casablanca – Julius J. Epstein/Phillip G. Epstein/Howard Koch

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Muitos o consideram "perfeito" em absolutamente todos os sentidos - e a cada vez que assisto, eu vejo que só poderiam estar certos. Casablanca é o filme mais conceituado de todos os tempos em Hollywood, então naturalmente o seu roteiro é de uma importância extrema para aqueles que querem navegar nesse barco. Este é um roteiro que se move no ritmo certo, os personagens são super bem estruturados, e - mais importante - não tem medo de correr riscos.

Leia o roteiro aqui.

2. Jaws – Peter Benchley

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Há uma razão para que Jaws ainda seja considerado o maior sucesso de todos os tempos, apesar de ser o "primeiro" com essa pegada: o roteiro é bom do começo ao fim. Pegue as primeiras quatro páginas, por exemplo, que facilmente resumem o antagonista do filme, seu herói, o que está em jogo, e o mundo do filme - Na maioria dos roteiros seriam necessárias pelo menos 20 páginas para fazer algo assim. E então há essa eficiente estrutura em três atos, que raramente você encontra uma boa. Acima de tudo, Jaws é o exemplo perfeito de como a escrita grande pode transformar uma ideia duvidosa em um verdadeiro clássico.

Leia o roteiro aqui.

1. Chinatown - Robert Towne

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Sem dúvidas, esse é um exemplo perfeito de uma boa escrita - não é chata, é densa, tem personagens ricos, e tudo isso amarrado numa história complexa que nunca fica cansativa.

A própria estrutura em si é para ser admirada, mas a melhor coisa sobre Chinatown está na forma em que Towne estabeleceu os seus personagens - todos eles estão envolvidos em algum mistério, desde a primeira página do script até a última. Há também a forma como ele lida com tantas tramas de uma só vez.

J.J. Gittes quase nunca fala sobre Chinatown, com exceção de uma breve fala, e Towne ainda consegue inserir um significado tão potente na ideia do que é Chinatown e o que ela significa para a história. Ou melhor, Towne se utiliza de uma originalidade absurda no roteiro - a maneira genial em que ele define a narrativa como um "clichê", e logo em seguida vira tudo de cabeça para baixo nas primeiras 20 páginas - é um golpe de mestre. É preciso entender muito das convenções do gênero em questão pra conseguir tal proeza. Na pior das hipóteses, Chinatown te ensina a não se contentar em contar a sua história daquela mesma maneira que você já viu antes - Chinatown te ensina a ser ousado. Entenda que para estudar este roteiro é importante observar o quão pouco diálogo e exposição você realmente precisa para escrever uma boa estória.

Leia o roteiro aqui.

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"O primeiro tratamento de qualquer coisa é uma merda" - E. Hemingway


Ricardo Burgos

é ator, dançarino, redator no Conexão Mundo e integrante do grupo musical Dzi Croquettes..
Saiba como escrever na obvious.

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