raciocínio paralelo

Uma realidade de percepções sutilmente anômalas

Leonardo Barden

Apesar de tudo, e mesmo assim, afastando-se sorrateiramente da normalidade rumo aos antípodas da mente.

Literatura distópica: O Macaco e a Essência

"Crueldade e compaixão vêm com os cromossomos;
Todos os homens são bons e todos assassinos...
Só no conhecimento de sua própria Essência
Deixam de ser os homens um bando de macacos."


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Aldous Leonard Huxley, um das personalidades mais instigantes e perspicazes da literatura moderna e quiça de todos os tempos. Um pensador que dedicou sua vida e obra a trasmitir sua percepção e compreensão sobre os grandes problemas que assolam a civilização humana.

O Macaco e a Essência é mais um genial produto distópico de sua fértil mente, assim como Admirável Mundo Novo. A auto aniquilação da raça, "o Juízo Final", utopia e distopia, não são temas novos, desde os mais remotos tempos o homem se empenha em construir visões futurísticas sobre o mundo e a civilização.

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Porém com as transformações sociais que rodeiam o cotidiano, e a experiência de viver durante o período da Segunda Guerra Mundial, presenciando os horrores da insensatez humana, estimulado ainda mais pelos bombordeios nucleares em Hiroshima e Nagasaki, enrigeceram sua convicção e o levaram a materialização da idéia apocalíptica sobre um mundo devastado por uma Terceira Guerra Mundial.

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Em o Macaco e Essência as tecnologias que empregam armas nucleares e bacteriológicas, reduzem a duração da bestialidade humana em apenas três dias. A farsa de Huxley seria mais amena se não fosse terrívelmente verossímil acreditar que as incongruentes relações de ganancia, dominação e poder ainda encrustradas no âmago da "progressista" civilização humana, pudessem e podem desencadear tamanho ato de imbecilidade.

O Macaco e a Essência, é um livro aterrador, repugnante e alegoricamente brilhante. Huxley ao mesmo tempo que usa uma apurada dialética para alertar a humanidade sobre os perigos dos avanços tecnológicos indiscriminados, tece uma crítica mordaz a moderna máquina do lazer, ao escrever a trama em formato de um alegórico roteiro cinematográfico, que a caminho da incenaração, ao ser recusado pela indústria hollywoodiana, é encontrado inesperadamente pelos personagens que narram o enredo.

Nada escapa a sagaz percepção crítica de Huxley, dominação sistêmica, religião, política, sociedade, enfim, advertências sobre grandes ameaças que assolam os destinos da humanidade, uma visão sarcástica de um mundo horripilante tal qual como ainda o é.


Leonardo Barden

Apesar de tudo, e mesmo assim, afastando-se sorrateiramente da normalidade rumo aos antípodas da mente. .
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