raciocínio paralelo

Uma realidade de percepções sutilmente anômalas

Leonardo Barden

Apesar de tudo, e mesmo assim, afastando-se sorrateiramente da normalidade rumo aos antípodas da mente.

O consumo do lixo, ou o lixo do consumo?

Em épocas de festividades exacerbadas, a humanidade auto injeta frenéticas doses de consumo para quem sabe conseguir manter afastada de si a simplicidade de uma vida amena. O que sobra deste processo nauseante, são os resquícios de uma civilização desprovida de sensibilidade que conta as horas para a chegada de um feliz e admirável ano novo.


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Um dos resultados do consumismo desenfreado é a geração excessiva de resíduos descartáveis, em outras palavras, o LIXO, que pode ser de origem gasosa, sólida ou líquida. Depositados em terrenos destinados a recebê-los ou simplesmente largados na rua, causam enorme impacto à natureza.

É o que vem ocorrendo nos Oceanos, com as Ilhas de Plástico que aumentam a cada dia. Por ser tão barato, popular e descartável, o plástico torna-se o elemento mais volumoso em nossa rotina cotidiana, e consequentemente também em ruas, aterros, lixões, rios e oceanos.

A tão sonhada “comodidade” da vida moderna vende a ilusão de quão gratificante é viver no mundo hoje. A vida mais fácil trasformou-se na dádiva existencial. Sacos, sacolas, garrafas, caixas e embalagens, tudo é lixo descartável. A conveniência estimula o consumo impulsivo: imagine-se você entrando em supermercado para comprar uma escova de dente, por exemplo, e passando em frente a prateleira de refrigerante sente vontade de beber agua açucarada e gaseificada, você segue até aquele imenso painel colorido onde ficam expostas as latas e garrafas plásticas, apanha aquele de sua preferência, vai ao caixa paga e sai bebendo, depois disso, com altas doses de açúcar na corrente sanguínea, a embalagem é descartada; que tamanha praticidade não é mesmo, agora imaginemos, se em vez de lata, esse líquido aditivado e colorido fosse vendido em embalagens retornáveis, vidro por exemplo, você teria que ter junto a embalagem retornável para poder fazer a compra, ou pagar mais caro para levá-lo consigo, e consequentemente não iria descartá-lo por que da próxima vez ele seria reutilizado e assim sucessivamente, porém muitos tem seus motivos para divergir desta tese, dizendo que seria um retrocesso, uma regressão, até mesmo falta de liberdade de escolha, mas agora vamos inverter a relação desta cadeia consumista, em vez disso, as empresas teriam que arcar com o custo ambiental - que aliás não existe no cenário capitalista contemporâneo - os fabricantes seriam obrigados a recolher todo o material descartado oriundo deste processo de fabricação e consumo. Será que a tese do retrocesso seria mantida?

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Infelizmente estas ideias parecem ser utópicas, mas servem para demonstrar o quanto a máquina consumista exerce influência sobre o comportamento de compra e estilo de vida de seus integrantes. E tudo isso acontecendo dentro de um planeta finito, de recusrsos finitos, onde o lixo cresce de maneira proporcional a uma população colossal, e consequentemente vai se tornando parte das paisagens e dos ecossistemas.

Aliado a esse fator existe ainda a precariedade de políticas públicas de descarte de resíduos, o descaso dos regentes sistêmicos, e além sisso existe ainda a influência das grandes corporações envolvidas no processo ganacioso do consumo exacerbado. Tem também o problema de base educacional de uma população que sofre amnésia crítica, sendo assim, vamos convivendo com as consequências desse lamentável cenário, causando danos irreparáveis ao planeta, à fauna animal e consequentemente a nós mesmos.

Sendo assim, milhões de toneladas de resíduos plásticos boiam pelos oceanos da Terra, e em alguns lugares formam amontoados colossais de lixo, como a Ilha de Plástico do Pacífico, situada entre a costa da Califórnia a meio caminho do Japão, com uma área maior do que o tamanho dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo juntos, e a Ilha de Plástico do Atlântico Norte, mais recentemente descoberta, localizada numa área de convergência próxima ao Estado norte americano da Geórgia.

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Grande quantidade desta matéria plástica acaba de certa forma voltando ao ser humano através dos peixes - daqueles que conseguem sobreviver - os quais ingerem minúsculos detritos oriundos da decomposição do plástico. Isso significa, que, em outras palavras, quem se alimenta de peixe também corre o risco de estar comendo plástico e todas suas toxinas, que podem trazer efeitos nocivos ao organismo.

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Esse infortúnio representa o ciclo vicioso que molda a rotina "humanóica" de seres que se julgam racionais e sociais, nutrindo a necessidade consumista para aumentar e gerar riqueza para uma minoria, e mais emprego alienante para trazer renda econômica a uma maioria que consequentemente irá revertê-la em consumo novamente. E o ciclo econômico, em meio ao consumo e ao lixo, segue sua deteriorante trajetória.

Mudar este atual paradigma, dependerá da emersão de uma consciência coletiva sobre a compreensão das conexões da vida, um rompimento com certas práticas inquestionáveis até então. Avançamos rumo a uma nova era, onde teremos que fortificar nossa bagagem de conhecimento, ter paciência para perceber e ter domínio sobre desejos e vontades.

Portanto eis um antigo ditado oriental para reflexão: “O seu lixo sempre volta à sua porta, cabe a você escolher a cara dele!”


Leonardo Barden

Apesar de tudo, e mesmo assim, afastando-se sorrateiramente da normalidade rumo aos antípodas da mente. .
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