radiofome

Para saciar a fome de música.

Felipe da Matta

Assistente social, mas fico também na tentativa de ser músico, cantor, fotógrafo, escritor e o que mais der vontade.

Como as nossas mães

Maria Rita criou um show para homenagear Elis Regina. De quebra, ensinou a não ter vergonha ou receio de dizer “eu te amo, mãe”.


Muito se tem dito a respeito da série de shows que Maria Rita tem feito com repertório criado somente com músicas gravadas por Elis Regina. Muito se tem mencionado sobre a emoção que toma os olhos da cantora e do público. Também se tem falado acerca das semelhanças – para alguns, agora mais evidentes – entre mãe e filha. E até sobre o macacão branco da cantora se tem discutido. Mas já aviso aos navegantes: esse não é um texto de alguém que já assistiu ao show. O propósito é refletir sobre esse momento vivido por Maria Rita.

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Desde que começou sua carreira musical, Maria Rita era cobrada por não cantar músicas já interpretadas por sua mãe. Talvez fosse uma tentativa de evitar comparações. Ou por respeito frente à grandiosidade de Elis Regina na música brasileira. Quem sabe, algum constrangimento, vergonha. Enfim, ideias que só passam de hipóteses, mas que muito tem a dizer sobre nós e nossas mães. Quem nunca se sentiu inibido frente à mãe que quebre agora a sua caixa de som.

Poderia agora dizer que o coração de Maria Rita aperta quando sobe ao palco nessa turnê. Também poderia dizer que a cantora, desde que começou esse show, tem sonhado frequentemente com a mãe. Eu até poderia afirmar que ela sempre chora quando canta a música preferida de Elis. Poderia, mas não vou. Por quê? Porque só quem sabe da nossa relação mãe e filho(a) é a gente mesmo.

Dizem que seguir os passos dos pais – ainda mais quando esses são ícones – não é uma tarefa fácil, pois o(a) filho(a) sempre levará desvantagem nas comparações. E essa não parece ser uma preocupação atual de Maria Rita. A impressão que se tem é que nesses 9 anos desde o lançamento do álbum “Maria Rita”, a cantora procurou trilhar seu próprio caminho, longe da sombra da monstra Elis. Agora, com tudo mais consolidado, ela se permitiu e se preparou – com um repertório fabuloso – para homenagear publicamente a cantora Elis. Maria Rita tornou público um “eu te amo” para a genitora Elis, que mesmo com toda a genialidade, é tão mãe como as nossas mães.


Felipe da Matta

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