rascunhos

Descrevendo a parte em busca do todo.

Jorge A. Barbosa

E esses projetos literários que não me saem da cabeça?!

Preocupações de alguém que tenta, mas não consegue.


KerouacTyping-e1323725667490.jpgNos últimos meses não estou com tempo para escrever e, até mesmo, retomar projetos antigos como duas novelas que pretendia escrever. As ideias ainda fervilham e quanto mais imerso em cotidianos, fervilha ainda mais. Algo um tanto contraditório. Diria que em meio a isso fico pensando na construção dos meus personagens. Todos criados. Ficção mesmo, ou melhor, uma tentativa de fazer literatura. Diria que essa pausa de sido salutar, porque tenho amadurecido alguns personagens e, até mesmo criando a possibilidade de sair de um cenário comum que muito incomodava. Desta vez muito mais urbano e mergulhado no cotidiano das grandes cidades. Um dos focos será as disputas e tramas que o homem moderno se depara para viver – na sua grande maioria uma existência banal. Digo banal porque sua vida – quase sempre - tende a girar em torno de questões menores, egoístas, mas que na verdade tudo é feito em função de uma aparência vulgar - porque de alguma forma existe uma imagem a ser mostrada na sociedade – e, de outro, do que chamo de aspecto político da existência, na prática dos mecanismos que se utilizam para se manter onde estão. Acho que esta é parte mais interessante. Mostrar como personagens encontram outros, apenas em função de interesses, na mesma linha, mostrar como personagens se afastam e/ou derrubam os que estão a sua volta por medo, covardia, egoísmo e tantos outros vícios modernos. Obviamente, não existe uma teoria, mas uma visão de mundo pautado na teoria. Deixando claro que não é defesa de teses e argumentos. Considero isso metiê de acadêmicos, que assim como Dorian Gray de Oscar Wilde, vivem a contemplar-se no espelho escondendo-se daquilo que de fato não querem entender. Talvez daí minha opção pela literatura, na construção da paisagem que serve como pano de fundo à (h)istória e no posicionamento de tantos personagens vivido por muitos, encarnado por poucos. Com essas ideias, acho que não abandonei a perspectiva do escritor – muito embora não a queira tanto.


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