Carolina Vila Nova

Brasileira, 41 anos, formada em Tecnologia em Processamento de Dados, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas. Atua numa multinacional na área administrativa como profissão. Escritora, colunista e roteirista por paixão. Poliglota. Autora de doze livros publicados de forma independente pelo Amazon, além de quatro roteiros para filme registrados na Biblioteca Nacional. Colunista no próprio site www.carolinavilanova.com e vários outros na internet.
Youtuber no canal Carolina Vila Nova, que tem como objetivo divulgar e falar sobre as matérias do próprio site.


Carolina Vila Nova é autora dos seguintes livros:

"Minha vida na Alemanha" (Autobiografia),
"A dor de Joana" (Romance),
"Carolina nua" (Crônicas),
"Carolina nua outra vez" (Crônicas),
"Vamos vida, me surpreenda!" (Crônicas),
"As várias mortes de Amanda" (Romance),
"O dia em que os gatos andaram de avião" (Infantil),
"O milagre da vida" (Crônicas),
"O beijo que dei em meu pai" (Crônicas),
"Nosso Alzheimer" (Romance) e
"Quero um amor assim" (Crônicas).

Todos disponíveis no site www.amazon.com e www.amazon.com.br
Mais matérias e informações em: www.carolinavilanova.com

A ética (e a falta dela) na prática

Muitas pessoas parecem saber o que é certo, de nascença, mesmo sem terem aprendido na escola ou em casa com os pais. E outras, não importam o quanto exemplos venham a ter, agem errado e de acordo apenas com o que lhes convém.


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Quantos de nós aprendemos a palavra ética lá atrás, em “Educação Moral e Cívica”, na quarta ou quinta série do ano escolar? Desde criança estudamos e aprendemos algo, que deveria ser entendido na prática, pelo exemplo de todos os que nos cercam. Mas na mesma prática, a sociedade acaba funcionando de forma muito mais antiética do que o normal e suportável. Especialmente para pessoas, que supostamente não precisam ser ensinadas a isso.

Há não muito tempo atrás, fui convidada a participar de um curso, no qual parte dele tinha a intenção de fazer com que as pessoas aprendessem a se colocar no lugar das outras. Quando me dei conta disso, senti um choque e decepção tão intensos, que automaticamente me levaram a profundas reflexões. Desde criança eu sabia me colocar no lugar do outro, creio que desde a minha amizade com uma menininha negra que sofria preconceito na escola, e consequentemente eu, por ser amiga dela. Eu não entendia porque alguém precisaria de um curso para entender a dor do outro. Depois repensei a sociedade em que vivemos e fiquei feliz que hoje existam cursos que tentem ensinar algo tão essencial às pessoas.

Muitas pessoas parecem saber o que é certo, de nascença, mesmo sem terem aprendido na escola ou em casa com os pais. E outras, não importam o quanto exemplos venham a ter, agem errado e de acordo apenas com o que lhes convém.

Habitamos uma sociedade de semelhanças e diferenças. Apesar de sermos todos iguais como seres humanos, diferimos em nossos comportamentos, culturas e crenças. E certamente para os que são corretos, moral e eticamente falando, conviver com práticas incorretas e antiéticas tem sido uma tortura e guerra psicológica diária. Haja vista a nossa política brasileira como exemplo mundial de corrupção e de ausência de ética.

Uma pessoa próxima a mim sofreu um grave Burnout há alguns anos. Trabalhando numa instituição pública e sendo extremamente correto e trabalhador, foi perseguido por pessoas que não aceitavam o seu esforço em melhorar a instituição e consequentemente se sobressair em seu trabalho. Dentro de tal instituição as relações falavam mais alto do que a ética praticada no local. Em lugares onde as relações políticas estão acima do que é correto impera a corrupção, seja num nível financeiro ou de interesses. Ganha quem conhece e se relaciona com os mais importantes, causando injustiça para quem é honesto e trabalha de acordo com as regras. Meu conhecido não suportou a dor de ser uma pessoa correta num ambiente, aonde regras escusas e silenciosas vinham em primeiro lugar.

Fato é que muitas empresas, organizações e instituições se fazem hoje em primeiro lugar de relações políticas e não mais de resultados e esforços profissionais. O “quem indica” e o “com quem você se relaciona” está acima do quanto alguém se dedicou ou rendeu profissionalmente. A politicagem está tomando o lugar do profissionalismo e verdadeira dedicação, fazendo uma verdadeira lavagem cerebral em pessoas corretas sobre o que vale a pena na vida. Está se tornando cada vez mais difícil manter os nossos valores, quando tantos de nós passam a maior parte da vida convivendo com valores distorcidos e fora da ética que aprendemos na escola.

Alguns anos se passaram e meu conhecido voltou a trabalhar na tal instituição, porém em outro departamento, mas ainda em contato com as pessoas que lhe prejudicaram a saúde física e mental. Agora doutorando, meu conhecido está no mesmo nível das outras e de certa forma protegido da falta de ética de uns e outros. Recentemente foi acusado de ter disseminado seu bom comportamento em seus subordinados. Eu fiquei muito feliz e lhe disse: “Este é o verdadeiro significado de ser luz. Viver corretamente num lugar onde não se pratica o que é correto, manter os valores intocáveis e ainda assim disseminá-los com o seu exemplo”.

Meu conhecido pareceu receber essas palavras na alma. E eu fiquei feliz de ter alguém ao meu lado, que mediante tanta falta de ética, ainda foi capaz de manter a sua e expandi-la num lugar onde a mesma é não é bem vinda pela maioria.

Somos poucos, mas ainda assim devemos ser fortes e mantermos os nossos valores. É dolorido viver numa sociedade onde a antiética aparece em vários lugares e no comportamento de tantas pessoas, mas se não mantermos a nossa, seremos também responsáveis por uma sociedade totalmente injusta e indigna de se viver.

Ética é viver se colocando no lugar do outro sempre, agindo de acordo com o que é bom pra mim, para o outro e para a sociedade como um todo. Isto vai desde o não furar a fila do banco até o que eu faço quando não tem ninguém olhando. O não tirar vantagem nas pequenas coisas influencia o político lá em cima, que tira vantagem em tudo, aumentando a miséria e imoralidade do país.

O meu comportamento influencia o que está no poder e vice-versa. Somos todos responsáveis de um jeito ou de outro, em maior ou menor grau. Mas somos. Por mais que nos doa e nos pareça injusto.

Ser ético virou uma guerra diária, e que necessita de guerreiros. Ainda que sejamos poucos e estejamos fracos.

Antes uma luta diária, do que o fracasso de viver em uma sociedade antiética e arrogante política dos que se escondem por trás de grandes ou pequenos poderes.

“Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.” Abraham Lincoln.

A nós nos restou retirar o poder daqueles que se perdem com o mesmo e levam tantos de nós ladeira abaixo.

Que Deus nos dê força e tenha piedade de nós!


Carolina Vila Nova

Brasileira, 41 anos, formada em Tecnologia em Processamento de Dados, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas. Atua numa multinacional na área administrativa como profissão. Escritora, colunista e roteirista por paixão. Poliglota. Autora de doze livros publicados de forma independente pelo Amazon, além de quatro roteiros para filme registrados na Biblioteca Nacional. Colunista no próprio site www.carolinavilanova.com e vários outros na internet. Youtuber no canal Carolina Vila Nova, que tem como objetivo divulgar e falar sobre as matérias do próprio site. Carolina Vila Nova é autora dos seguintes livros: "Minha vida na Alemanha" (Autobiografia), "A dor de Joana" (Romance), "Carolina nua" (Crônicas), "Carolina nua outra vez" (Crônicas), "Vamos vida, me surpreenda!" (Crônicas), "As várias mortes de Amanda" (Romance), "O dia em que os gatos andaram de avião" (Infantil), "O milagre da vida" (Crônicas), "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas), "Nosso Alzheimer" (Romance) e "Quero um amor assim" (Crônicas). Todos disponíveis no site www.amazon.com e www.amazon.com.br Mais matérias e informações em: www.carolinavilanova.com.
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