Carolina Vila Nova

Brasileira, 41 anos, formada em Tecnologia em Processamento de Dados, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas. Atua numa multinacional na área administrativa como profissão. Escritora, colunista e roteirista por paixão. Poliglota. Autora de doze livros publicados de forma independente pelo Amazon, além de quatro roteiros para filme registrados na Biblioteca Nacional. Colunista no próprio site www.carolinavilanova.com e vários outros na internet.
Youtuber no canal Carolina Vila Nova, que tem como objetivo divulgar e falar sobre as matérias do próprio site.


Carolina Vila Nova é autora dos seguintes livros:

"Minha vida na Alemanha" (Autobiografia),
"A dor de Joana" (Romance),
"Carolina nua" (Crônicas),
"Carolina nua outra vez" (Crônicas),
"Vamos vida, me surpreenda!" (Crônicas),
"As várias mortes de Amanda" (Romance),
"O dia em que os gatos andaram de avião" (Infantil),
"O milagre da vida" (Crônicas),
"O beijo que dei em meu pai" (Crônicas),
"Nosso Alzheimer" (Romance) e
"Quero um amor assim" (Crônicas).

Todos disponíveis no site www.amazon.com e www.amazon.com.br
Mais matérias e informações em: www.carolinavilanova.com

Carta aos meus pais

Os anos passam como o vento. Ouvimos os adultos falarem sobre isso, mas quando nos damos conta de sua verdade, já estamos nós lá, no lugar deles.


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Ontem foi aniversário de meu pai. A trezentos quilômetros de distância, o parabenizei por telefone. Tivemos uma conversa agravável e desliguei. Chegamos juntos àquela fase da vida, em que meus pais enxergam suas vidas no fim, enquanto eu, temo pela minha, sem eles por perto.

Há poucos dias, meu pai esteve em casa. Riscou com caneta o meu novo sofá. E por dias aquele risco, que ainda está aqui, me incomodou. Ao mesmo tempo em que sentia culpa pela minha irritação. Afinal, os erros que cometi na vida não sairiam com a mesma facilidade do meu passado, como a tinta sairia do sofá.

É verdade. Os anos passam como o vento. Ouvimos os adultos falarem sobre isso, mas quando nos damos conta de sua verdade, já estamos nós lá, no lugar deles.

Cá estou eu agora, refletindo sobre a vida de meus pais. Ambos estão esbanjando saúde, mas cheios de dores e algumas limitações. Se é difícil envelhecer, os pais também devem saber que para nós, os filhos, não é fácil vê-los perdendo a vivacidade. Nossos heróis de verdade envelhecem. Ficam de cama e caem da escada.

Queridos pais: “Saibam que eu temo muito o dia em que não estarão mais aqui. Não gosto de falar ou pensar sobre isso, mas já que penso, pensei que deveria ao menos dizer o quanto isso me incomoda, me machuca e me assombra. Quem dera eu pudesse ir antes. Nunca sabemos o dia de amanhã. Sei da certeza de que a vida pesa menos com vocês por perto.

Eu sentirei saudades sempre. Do cuidado, ainda que de longe. Das brigas antes da noite de natal. Da casa cheia de gente e dos encontros nos feriados. Sentirei saudade de me sentir segura e sempre ter um lugar para voltar.

O quintal ainda estará lá. Mas nunca mais será o mesmo. E sobre as flores de plástico, que meu pai colocou junto a um vaso com flores de verdade, saibam que já providenciei a minha, na sacada de meu apartamento. Com uma verdade incontestável dentro dela: o amor que tenho por vocês.

Me perdoem pela falta de amor e de carinho. Por muito tempo fui só revolta. Estive por muitos anos buscando a mim mesma num caminho que era só meu, e não me dei conta de muitas coisas, que só agora percebo.

Desculpem-me ter demorado tanto tempo a me tornar alguém, da qual pudessem sentir orgulho. Espero um dia que meu filho também me veja assim, como agora vejo vocês. Em meio a um turbilhão de problemas, nossas vidas sempre estiveram ligadas, assim como eternamente nossas almas irão estar.

Ainda não aprendi a ser uma filha meiga e amorosa. No caminho que percorri, tive que me tornar forte, mas isso não significa que não senti ou ainda não sinto. Eu amo tanto, que dói.

Minha maneira de amar talvez não seja a melhor de todas, mas o meu amor existe e é real. Amo vocês em cada dia que me levanto. A cada problema que enfrento e a cada sonho que persigo. Meu amor se manifesta através de mim, quando enfrento a própria vida, buscando ser o melhor que posso, para que quando me observem, possam sentir orgulho do que me tornei.

Eu espero que vivam muito, a ponto de verem meus sonhos se realizando e também os de meu filho. Desejo que possam me ver avó. Quero que possam assistir uma peça minha, na primeira fila. Bem como uma de minhas histórias, no cinema ou na TV. Por que melhor do que realizar meus sonhos, será realizá-los para vocês.

Muito obrigada por toda a minha vida! Com amor, sua filha caçula”.


Carolina Vila Nova

Brasileira, 41 anos, formada em Tecnologia em Processamento de Dados, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas. Atua numa multinacional na área administrativa como profissão. Escritora, colunista e roteirista por paixão. Poliglota. Autora de doze livros publicados de forma independente pelo Amazon, além de quatro roteiros para filme registrados na Biblioteca Nacional. Colunista no próprio site www.carolinavilanova.com e vários outros na internet. Youtuber no canal Carolina Vila Nova, que tem como objetivo divulgar e falar sobre as matérias do próprio site. Carolina Vila Nova é autora dos seguintes livros: "Minha vida na Alemanha" (Autobiografia), "A dor de Joana" (Romance), "Carolina nua" (Crônicas), "Carolina nua outra vez" (Crônicas), "Vamos vida, me surpreenda!" (Crônicas), "As várias mortes de Amanda" (Romance), "O dia em que os gatos andaram de avião" (Infantil), "O milagre da vida" (Crônicas), "O beijo que dei em meu pai" (Crônicas), "Nosso Alzheimer" (Romance) e "Quero um amor assim" (Crônicas). Todos disponíveis no site www.amazon.com e www.amazon.com.br Mais matérias e informações em: www.carolinavilanova.com.
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