recanto da desconstrução

Desconstruindo para reconstruir

Bruna Cosenza

Em constante reconstrução e apaixonada por livros, busca se afastar de tudo o que é efêmero e descartável, pois tem uma queda por permanências e pessoas inteiras.

Coisas que sentimos todo final de ano

Todo final de ano sentimos as mesmas coisas: nostalgia, gratidão e necessidade de recomeçar. Toda vez que trocamos a folhinha do calendário, acreditamos que estamos nos regenerando. Mas, para falar a verdade, os anos são apenas mais uma invenção humana. E se nos renovássemos todos os dias, sem nos importarmos se haverá ou não fogos à meia noite?


tempo.jpg

O tempo está passando mais rápido. Quantas vezes você já escutou essa frase? Desde que eu me conheço por gente ouço esse tipo de coisa. Tem gente que insiste em dizer que a Terra está girando mais rápido ou que a chegada do fim do mundo faz as horas durarem menos. Vai saber…

O que eu posso dizer por mim mesma é que todo final de ano é a mesma coisa. Paramos para olhar os meses que se passaram e ficamos assustados quando nos damos conta de que ontem mesmo parecia ser janeiro e os 365 dias simplesmente voaram por nós. E, como sempre, não fizemos nem metade do que queríamos. Chega a ceia de Natal com muito peru e farofa, a virada no dia 31 de dezembro e com tudo isso milhares de resoluções.

Ano que vem eu vou emagrecer dez quilos. Vou passar mais tempo com a minha avó. Vou ligar para aquele amigo que não vejo há anos. Vou arranjar um namorado. Vou mudar de emprego. Vou fazer aquele mochilão pela América do Sul. Enfim, sempre colocamos expectativas e desejos no ano que está por vir justamente porque naquele ano não deu tempo de fazer tudo o que a gente queria, não é mesmo?

Quando eu era pequena, por mais que escutasse os adultos falando tudo isso, o tempo passava devagar para mim. As férias eram tão longas que me deixavam até com vontade de voltar para a escola. O ano letivo era eterno o suficiente para que eu só quisesse voltar para as férias de janeiro. As tardes duravam tanto que eu conseguia brincar com todas as minhas bonecas até enjoar.

Fui crescendo e comecei a entender o que os adultos queriam dizer com “o tempo está passando mais rápido”. Os anos na faculdade simplesmente voaram. As tardes curtas exigiam que o trabalho fosse estendido por algumas horas extras. As noites para fazer o TCC pareciam sempre insuficientes. E, de repente, eu já estava com o diploma na mão e o Natal já tinha chegado novamente.

Todo final de ano sentimos as mesmas coisas: nostalgia, gratidão e necessidade de recomeçar. Toda vez que trocamos a folhinha do calendário, acreditamos que estamos nos regenerando. Mas, para falar a verdade, os anos são apenas mais uma invenção humana. E se nos renovássemos todos os dias, sem nos importarmos se haverão ou não fogos à meia noite? Quem sabe, assim, conseguiríamos completar nosso interminável check list de resoluções de todos os anos.

Sim, mais uma vez o tempo passou rápido e parece que os ponteiros do relógio estão cada vez mais velozes. Mas, tudo bem, pois eu finalmente entendi que isso acontece porque na correria do dia a dia acabamos nos esquecendo de reservar aquele tempo livre que costumava ser ocupado com as brincadeiras de bonecas quando éramos crianças. Temos muitas coisas para fazer em um prazo muito curto e isso acaba nos causando essa sensação de que faltam horas em nossos dias.

E foi assim que eu descobri o antídoto para o mal do “tempo que passa rápido demais”. Minha única resolução para o próximo ano é viver todos os dias como se fosse o último dia do ano. Só assim vou me sentir sempre renovada e pronta para colocar meus desejos e metas em prática. Sim, minha prioridade será ter um tempinho para mim todos os dias, seja para aquela cerveja com os amigos distantes, seja para escrever um livro novo. Quem sabe se eu realizar mais e deixar menos “coisas por fazer”, quando o próximo Natal chegar eu terei a sensação de que o ano passou mais devagar já que deu tempo de fazer tudo o que eu queria.


Bruna Cosenza

Em constante reconstrução e apaixonada por livros, busca se afastar de tudo o que é efêmero e descartável, pois tem uma queda por permanências e pessoas inteiras..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious //Bruna Cosenza