relatos míopes de uma jornalista cega

Porque não somos estranhos o suficiente...

Andréa Mota

Jornalista por formação e comunicóloga sem estante.
Paraense de sangue, carne e saudade.
Comendo o próprio arroz e cozinhando a própria roupa.
Sonho: Perder o juízo.

Agora vamos de Gnarls Barkley!

Notas ousadas e uma musicalidade típica das parcerias inusitadas. O projeto Gnarls Barkley é vida longa para quem buscou um além Crazy em dois álbuns de vida.


A iniciativa foi de Mouse. Com umas músicas fervendo no bolso, ele aproveitou a oportunidade de estar no mesmo lugar que Cee Lo Green, rapper do Goodie Mob, para lhe entregar uma “demo”. Ele já havia passeado por outros ritmos e sabia que aquele lance casaria perfeitamente com a desenvoltura vocal do futuro parceiro. Não deu outra. Em 2003, eles lançam o extravagante Gnarls Barkley.

Depois de ouvir a proposta de Danger Mouse, dj e produtor estadunidense, Cee Lo estreitou os laços, afinal, “Era o som da minha alma. Eu disse ‘Eu gostaria muito de utilizar o seu trabalho’, mas ele respondeu ‘Eu não faço apenas músicas, eu faço álbuns’, então eu disse ‘Vamos gravar um disco’”. E foi um encontro memorável. Um, com as raízes de hip hop e do soul pulsante na voz e ritmo e o outro, músico de um pub no Reino Unido apostando suas notas na cena musical.

Ai já viu...

gnarls.jpg

Os primeiros acordes dessa parceria todo mundo ligou seu radinho para escutar. A coisa toda não era ambiciosa. Em uma frase, Mouse deixou bem claro a vontade da dupla. “Nós fazemos música para pessoas que gostam de música, não para pessoas que ficam nos esperando compor apenas uma boa canção”. E Crazy foi sim uma boa canção, juntamente com as outras faixas de St. Elsewhere, desenvolvido entre 2003 e 2006. Mesmo sem mascar da fórmula do hit instantâneo, os dois presenciaram a febre que se tornou Crazy.

Em 2006, Crazy alcançou a marca dos hits mais ouvidos no mundo e, por conseguinte, galgou o Grammy de melhor música alternativa do ano em 2007. Uma verdadeira febre de vendas na internet transformou o projetinho em notoriedade mundial. Claro que, com isso, os fulanos ficaram bastante requisitados.

Uma das marcas da dupla era a criativa forma de se apresentar, a lembrar do MTV Movie Awards, em 2006. Chamados para fazer parte da apresentação, os rapazes tiraram o pó de Darth Vader e chegaram de Star Wars só para variar. Divertidíssimo. Mas, eles não pararam por ai. Superman, Laranja Mecânica, Matrix e outras inusitadas formas de vida tornaram-se pele e marca dos artistas.

Em 2008, Mouse e Cee lo lançam o segundo álbum: The Odd Couple. Neste álbum, músicas como Going on reafirmam a versatilidade da dupla em harmonizar ritmo e vestes sonoras dignas do bom e velho Gnarls Barkley.

O resultado do projetinho na vida dos dois foi notável. Para Mouse, apenas cinco indicações para o Grammy na categoria de produtor do ano, sendo conquistado em 2011. Artistas como o rapper MF Doom, a cantora britânica Martina Topley-Bird e bandas, sobretudo, da cena alternativa solicitaram a palinha de Mouse. Chamado para trabalhar no Damon Days, segundo álbum da banda Gorillaz, o produtor colaborou com apenas o mais bem sucedido disco da carreira dos caras do trip rock.

A brincadeira foi tão boa que Mouse está entre as 75 pessoas mais influentes do século 21, segundo a revista americana Esquire.

Em uma parceria mais diversa, bebeu da mesma bica: Mouse, a banda norte-americana Sparklehorse e o renomado diretor David Lynch. A ideia de Dark Night of the Soul era casar música com um ensaio fotográfico inusitado. A história reuniu vozes como a Julian Casablancas do The Strokes, Nina Persson do The Cardigans, Black Francis da banda Pixies e outros grandes nomes da cena undergraund. O resultado. É só conferir:

David-Lynch-Danger-Mouse--002.jpg

Já Cee Lo alavancou sua carreira solo com The Lady Killer, seu terceiro disco. Deste álbum sai “Fuck you!”, primeiro single que não saiu da lista da Billboard Hot 100 durante 27 semanas. Foi indicado a cinco categorias do Grammy, em 2011. Com este álbum, o rapper ganhou o certificado outro da Indústria Fonográfica Britânica. No tocante dos anos, o cantor afirmou parcerias com Melody Thornton, ex-Pussycat Dolls, compôs canções para trilhas de filmes e deu uma palinha para o senhor presidente, Barack Obama. Atualmente, o rapper é jurado do “The Voice”, reality show da NBC.

Não se sabe se os garotos vão tomar novamente a mesma pinga, mas fica a lembrança da bela parceria, das canções que completam dois álbuns originais e da vontade de ver todo dia mais gente fazendo música boa “pra nós beber”.

Senhores!

gnarls-barkley.jpg

Gnarls+Barkley.jpg

gnarls-barkley-5602.jpg


Andréa Mota

Jornalista por formação e comunicóloga sem estante. Paraense de sangue, carne e saudade. Comendo o próprio arroz e cozinhando a própria roupa. Sonho: Perder o juízo..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/Melodias// @destaque, @obvious //Andréa Mota