renzo mora

Cultura Pop, Pretensão e Água Benta

Renzo Mora

Renzo Mora é escritor e roteirista. Publicou os livros "Cinema Falado"; "Sinatra - O Homem e a Música"; "Fica Frio - Uma Breve História do Cool" e "Frank, Dean & Sammy: 3 Homens e Nenhum Segredo"

O Jobim Mexicano

Quem é o mexicano genial que transcende gêneros


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A última canção que Elis Regina gravou era de sua autoria.

Nenhum outro compositor tem um cardápio tão variado de intérpretes – que inclui, além da já citada Elis; nomes como Roberto Carlos, Nelson Ned, Plácido Domingo, Tony Bennett e – creiam – Bill Evans.

Armando Manzanero Canché - ou simplesmente, Armando Manzanero - nasceu no México em 1935 e é – para simplificar (muito) – um compositor de boleros.

O bolero por muito tempo foi visto como um gênero menor, excessivamente meloso. Mas o que seus críticos parecem esquecer é que ele nasceu em Cuba como resultado do mesmo caldeirão que formaria o jazz e a bossa nova: o encontro das harmonias refinadas da herança europeia com a força rítmica trazida pelos negros da África.

Esta combinação gerou a melhor música popular do mundo – e Manzanero é a melhor expressão do bolero. Ou, ainda, o equivalente ao que Tom Jobim representou para a bossa nova.

O fato de suas canções apelarem simultaneamente para intérpretes de jazz e para cantores populares confunde os seus detratores. É mais fácil desdenhar de um compositor que integra o repertório de Nelson Ned do que de alguém tocado pelo mestre Bill Evans.

Mas Bill Evans não escolhia seu repertório por rótulos. Ele buscava apenas o que agradava ao seu apuradíssimo paladar.

E encontrou material nas refinadas invenções de um mexicano brilhante: El Señor Armando Manzanero.


Renzo Mora

Renzo Mora é escritor e roteirista. Publicou os livros "Cinema Falado"; "Sinatra - O Homem e a Música"; "Fica Frio - Uma Breve História do Cool" e "Frank, Dean & Sammy: 3 Homens e Nenhum Segredo".
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