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Marina Baitello

Sou observadora de vidas. A vida não é o que lhe acontece, mas aquilo que se recorda e a maneira como se recorda. A vida é um monte de acasos que fazem sentido... Escrevo apenas olhando.

AMIGOS E TRABALHO – ESTA RELAÇÃO PODE DETERMINAR SEU SUCESSO

Quem é meu amigo? Quem me ajuda? Por que muitas amizades de trabalho, que se esvaem como pó, influenciam em meu sucesso e equilíbrio? Uma breve pausa para saber quem são seus amigos de trabalho e a força que possuem sobre você.


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As amizades no trabalho, mesmo sendo voláteis e liquefeitas, determinam atualmente o desempenho, a lealdade ao empregador e a vida pessoal dos trabalhadores nos tempos modernos. Como entender esta realidade, observando vínculos de trabalho e padrões de castas cada vez mais cruéis, com colegas de trabalho que estão bem longe de serem AMIGOS?

Os padrões de amizade mudaram muito ao longo das décadas até chegarmos no ponto da “crise da amizade”, onde pode se viver com 500 amigos virtuais e nenhum presencial. No ambiente de trabalho esta mudança social não foi diferente. Amigos verdadeiros tornaram-se colegas, que existem em um emprego porém que não se leva para outro. Muitas vezes nem no próprio emprego se observam os colegas pois, como descreve José Saramago em “O ensaio sobre a cegueira”, entra-se com uma “cegueira branca” no ambiente de trabalho e o foco é a meta, o prazo, quem sobe de cargo, quem será demitido, o que acontece no prédio do lado... Nossos trabalhadores não têm tempo de olhar a mesa ao lado, o drama humano ao seu alcance.

Esta dinâmica de isolamento não permite “AMIGOS”... Mas para sua aderência e sucesso, o trabalhador necessita sentir uma aura de amizade. Não sentir acolhimento, não sentir pertinência ao grupo de trabalho pode ser mais danoso que assédio moral e bullying como reportagem publicada pela revista brasileira EXAME, baseada em um estudo da Universidade Sauder School of Business.

Um ostracismo, a falta de amigos de papel, ou de vento, parecia menos danosa que o assédio moral em si. Parece mais aceitável calar-se perante a um colega se não há nada de bom a dizer, porém o impacto do silêncio, causa muito desamparo e transmite um sentimento de que o trabalhador não é digno de atenção.

A falta da sensação de acolhimento por parte de pessoas que nem mesmo amigas são, diminui o rendimento e compromisso com o trabalho e aumenta propensão à demissão e a aceitar propostas de empresas concorrentes.

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O silêncio não é conforto nem paz. O silêncio traz o risco e um ambiente tenso e hostil para quem está encarcerado.

O ostracismo tem um poder devastador sobre a estabilidade mental e o desconcerto gera mais doenças propriamente ditas do que o assédio moral. O assédio moral e outros abusos no trabalho ainda são difíceis de serem punidos e tratados juridicamente, sempre pela falta de provas e testemunhas dispostas a defender o trabalhador, porém o abuso está cada vez mais em evidência, aparecendo escancarado para a sociedade. Dizimar a mão de obra psicologicamente, é um prejuízo social cada vez mais inaceitável. O ostracismo, porém, não é detectado, muito menos abordado. Podemos estar criando uma legião de trabalhadores esgotados psiquicamente e muito infelizes, não somente com uma carreira destruída pela rotatividade e frustração, mas também com vidas pessoais esmagadas e marcadas por abandono e solidão.

Foi realizada uma pesquisa em agosto de 2014 com 700 trabalhadores nos EUA publicada pela Globoforce em parceria com a MarketTollls, publicada no Brasil pela revista EXAME, que reflete o grau de Lealdade ao empregador e impacto na qualidade de vida de acordo com os amigos de trabalho, ou com a sensação de amizade no trabalho.

Alguns números:

• 61% contam com colegas de trabalho para superar momentos difíceis;

• 88% confiam em colegas de trabalho;

• 74% possuem memórias e histórias comuns com colegas de trabalho;

• 93% consideram opinião de colegas de trabalho importante;

• 89% referem que relacionamentos no trabalham afetam a qualidade de vida;

• 24% dos trabalhadores que não têm nenhum amigo no trabalho gostam da empresa onde estão;

• 71% dos trabalhadores que têm mais de 25 amigos no trabalho gostam da empresa onde estão;

• 50% dos trabalhadores que têm mais de 25 amigos no trabalho têm orgulho do empregador;

• 14% dos trabalhadores que não têm nenhum amigo no trabalho têm orgulho do empregador;

• 21% dos trabalhadores que têm mais de 25 amigos no trabalho aceitariam outra proposta de emprego;

• 42% dos trabalhadores que não têm nenhum amigo no trabalho aceitariam outra proposta de emprego.

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Amigos, amigos, amigos, muitos são os que saem de nossos ambientes de trabalho, porém acabamos levando para nossas vidas um ou dois apenas. Os demais, que regem nosso bem estar, nossa vida pessoal e nossa carreira são sensações de amizade e não AMIGOS, para não cairmos no ostracismo tão terrível e insuportável. Na verdade, após toda a vida, se acabarmos com 80 anos com dois amigos seremos pessoas muitíssimo bem relacionadas e bem sucedidas socialmente. Atualmente não se fala mais em amigos e sim momentos de amizade. Esperar mudanças sociais e comportamentais é ter a sensação que nada se altera, mas é necessário simplificar e esperar que os frutos venham para nossos descendentes.

"Mudar o mundo, amigo Príncipe..." "Ele não é loucura ou utopia, mas justiça."

(O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry)

Fonte: Revista Exame – Setembro 2014


Marina Baitello

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