resumindo e substituindo o mundo

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Marina Baitello

Sou observadora de vidas. A vida não é o que lhe acontece, mas aquilo que se recorda e a maneira como se recorda. A vida é um monte de acasos que fazem sentido... Escrevo apenas olhando.

Os Movimentos em massa - Quem são estes líderes?

Movimento absolutistas - estou fazendo parte de um deles? Posso ser parte da máquina sem questionar e sem perceber? Quem são estes líderes? Como arrebatam multidões?


Um líder é um vendedor de esperança.

Napoleão Bonaparte

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Todo movimento em massa é muito atrativo per se, pois traz implícito o desejo de mudança radical de uma ordem desconfortável. Pode-se considerar um truísmo quando muitos que se aliam a um movimento em surgimento são atraídos pela perspectiva de uma súbita e especular mudança em suas condições de vida. Um movimento revolucionário é um nítido instrumento de reforma. Movimentos religiosos e nacionalistas também funcionam como veículos de reforma.

Na história da humanidade parece que é necessário algum tipo de entusiasmo ou estímulo para reavaliação de reformas amplas e rápidas e não importa que este entusiasmo derive de grande riquezas ou seja gerado por um movimento ativo de massas. Um exemplo clássico foi o que ocorreu após a Guerra Civil Americana, onde nasceu uma atmosfera de grande entusiasmo (de um progresso próprio pós guerra) porém sem uma força impulsiva para se realizar e perpetuar reformas momentosas na vida da comunidade da época. Os movimentos religiosos, revolucionários e nacionalistas são focos geradores de entusiasmo geral.

Todo movimento religiosos conservador - a ortodoxia - traz em si uma mudança baseada em experiência, sempre observantes a novas técnicas em todos os quadrantes, visto que sua sobrevivência reside nesta capacidade. Isto não se aplica aos pilares do monoteísmo do oriente, mas o Cristianismo teve sua influência civilizadora com os Cruzados e Reforma, de Lutero, que foram suficientes para sacudir o mundo ocidental da estagnação da Idade Média. Lutero deixou outra Bíblia e outro modo de pensar, bases no pensamento anglo-saxônico posterior.

Pensando em movimentos nacionalistas, a Revolução Bolchevique e a Revolução Francesas foram expoentes nos tempos mais modernos. Foram ambas resultantes de amplas e rápidas reformas individuais ou em grupos de revolucionários e nacionalistas. Pedro o Grande, Na Russia, um membro da dinastia Romanov, foi um líder revolucionário nacionalista que falhou no maior anseio da população russa e revolucionária - não transformou a Russia em uma civilização ocidental. Falhou no maior entusiasmo transbordante da sociedade russa revolucionária. Fez-se a revolução bolchevique para compensar o que Pedro não fez.

A revolução francesa teve este mesmo cunho nacionalista com grande apelo entusiasta da população: queremos os líderes mortos, queremos ver nosso passado morto para ver o governo revolucionário promissor no poder.

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Em países do oriente o “desejo de mudar” pode em muitas partes vir do desejo “anti-ocidente”, como no caso do Japão, que sofreu o sentimento de revisvecimento japonês, o movimento de Kemal Atartuk na Turquia, Mehmed Ali no Egito (de forma mais lenta e falha e ainda com muitos vínculos com o ocidente), o Sionismo complexo e intricado com a política Americana de Israel, e a China, por fim, governada pelos sucessores de Chiang-Kai-Shek. Os Estados Unidos e Inglaterra ajudaram a liderar o processo de revitalização de muitos países asiáticos.

EU ESTOU COM DOR DE BARRIGA… LOGO QUERO MUDAR O MUNDO

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Claro que existe a necessidade de mudar coisas no mundo, porém existem pessoas que passam por dificuldades pessoais, com as quais se sentem inábeis para conviver e externam tudo isso como vontade de mudar tudo por fora. Existem ainda pessoas extremamente realizadas que estão na maior amplitude de seu eu e se sentem capazes de mudar qualquer coisa no mundo. Em ambos os casos tais pessoas estão mais predispostas ao nacionalismo, ao discurso religioso entusiasta e à idéia de que tudo pode acontecer rapidamente. Nem sempre ocorre uma Revolução francesa ou movimento de massa no mundo. Eles DEVEM sim ocorrer, mas devem passar por um crivo ante de mudar a vida de uma nação. A resistência a mudanças drásticas pode ser a defesa da sociedade contra uma impulsividade global.

ESTOU DESCONTENTE… TENHO O PODER E QUERO MUDAR

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Pessoas apegadas ao seu ambiente são normalmente avessas à mudanças. Mesmo pessoas muito humildes, estas agarram-se à sua realidade, circunstâncias de sua existência, e apegam-se ao conhecido e familiar. Tais pessoas reagem muito mal a um contexto de insegurança e desejam sua rotina fixa. Tais pessoas sentem dominar o invisível.

Aquele que se propõe mudar, mobilizar uma massa, se sentem de posse de uma força irresistível. A geração da Revolução Francesa era tomada por uma onipotência da razão humana e do alcance ilimitado de sua inteligência. Tocqueville descreveu bem estes revolucionários: “jamais a humanidade fora mais orgulhosa de si própria e jamais tivera tanta fé na própria onipotência”. Lenin e os bolchevistas tinham esta mesma fé onipotente no marxismo. Já o Nazismo a fé era voltada para o LÍDER e SUA NOVA TÉCNICA (blitzkireg), sua potente propaganda superficial e aparentemente perfeita (a ideologia era secundária).

ELE TEM O PODER… PODE MUDAR O MUNDO

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Esta é a velha crença social - ele tem poder e pode fazer de tudo. Isto nem sempre é válido. Existem lideranças extremamente tímidas e fracas com pouca ou nenhuma fé no futuro - o que move um revolucionário. Este poderoso fraco e tímido tente a manter as coisas em um status quo e afastar o que é novo. Esperançosos mesmo sem poder podem agregar uma fonte de poder, mesmo ridícula, como um slogan, e pregarem e fé no futuro além de se colocarem como uma chave para o livro do futuro, etc. Estas pessoas não agem com o nacionalismo, não canalizam descontentamento, não apelam para a racionalidade mas reagem ao modo de vida proposto e colocam um novo modo de vida ventilando uma esperança extraagante. Foi exatamente o movimento Hippie, que iniciou como um modo de vida e se politizou após. O comunismo cresceu na Europa não foi porque conseguiram injetar o descontentamento no povo, mas sim, porque ao invés do ódio injetaram a esperança em um povo carente.

QUEM É O REVOLUCIONÁRIO: UM ESPERANÇOSO

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O futuro é aterrorizante, é o incerto. Conservadores e radicais se dividem neste momento - no modo de encarar o futuro que é imprevisível mesmo que a revolução ocorra do jeito esperado. O medo do futuro faz intelectuais e homens simples se agarrarem no presente. A fé no futuro abre o espaço para mudanças. A casta confortável teme o futuro mas qualquer esperançoso, rico ou pobre, pode ter força revolucionária e mobilizar massas pela fé, para destruir o necessário e criar um novo mundo. Pode ser uma revolução de privilegiados, como o movimento de segregação na Inglaterra dos séc XVI e XVII, quando pecuaristas inglese expulsaram seus rendeiros… A pecuária dava mais lucro que a agricultura. A Revolução Industrial Britânica nos séc XVIII e XIX foi outra revolução dos privilegiados - a mecanização foi a revolução “mais extrema e radical que jamais inflamou a mente dos sectários” (Karl Polany). Neste pouco período de tempo pessoas tementes de Deus mudaram a Inglaterra sem utilizar o nome de Deus. Foram líderes empreendedores, esperançosos e grandes negociantes que mudaram um país, a vida de uma massa.

O QUE FAZ UM REVOLUCIONÁRIO - QUEM LIDERA MASSAS

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Tais homens acima mergulharam em empreendimentos de forma AMPLA. Vamos citar dados em comum:

▪ Estavam descontentes mas não destituídos; destituídos se agarram ao presente.

▪ Posse de uma doutrina pode leva-los a serem lideres infalíveis

▪ Terão fonte irrestrita de poder - seja por religião, por nacionalismo ou técnica

▪ Têm uma concepção extravagante das perspectivas e extravagantes do futuro

▪ Normalmente minimizam ou são ignorantes sobre as dificuldades que envolvem seu projeto grandioso

▪ Neste caso experiência é uma desvantagem. Ex. Os líderes da Revolução Francesa eram totalmente desprovidos de experiência política. O mesmo se aplica aos bolchevistas e lideranças asiáticas. O homem de negócios é sempre o último a chegar na revolução e o faz quando a mesma está em curso avançado. A experiência política inglesa sempre afastou este païs dos típicos movimentos de massa e o colocou numa posição à parte na história dos movimentos e revoluções do séc XIX.

QUEM SOBE AO PODER?

Uma coisa é a revolução consumada, outra é a atração de uma organização prática que satisfaça os anseios de uma população mobilizada para este status. Os movimentos em massa não atraem aqueles que querem prosperar e melhorar seu próprio ego mas sim queles que querem se livrar de um ego indesejável, aquele que tem a paixão pela auto-renuncia. O movimento em massa não atente os satisfeitos, atinge aqueles carentes de uma vida considerada boa e nobre, cujo ego lhes parece condenável. O movimento de massa atua neste momento como um fator conversivo - modificando suas expectativas e perspectivas para o momento. Para os frustados o movimento em massa substitui o ego total.

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A fé é um elemento sagrado e que substitui a fé em no próprio indivíduo e quanto menos justificado é o líder que clama a massa para si, mais apto ele está para mobilizar as massas pelo apelo do ego e da conversão. Neste momento existem homens que deixam de se ocuparem de seus proprios assuntos e passam ter lideranças comunitárias, dando seu ombro a vizinhos, metendo-se em mexericos e acabam crescendo somente por estarem vivendo a vida alheia e não a sua. Um fenômeno parecido como de contágio.

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Outra forma muito poderosa de ser um líder é termos uma ardente convicção de que temos um sagrado dever para com os outros de forma a fazer com que nosso ego naufragante se agarre a uma tábua de salvação - o que parece ser uma mão estendida para aliviar os outros é na verdade uma mão estendida para procurar nossa própria vida. Trocar uma vida auto centralizada por uma altruística é realmente um enorme salto em qualquer auto-estima. Todo altruísta é vaidoso, mesmo os humildes.

Todo líder em massa traz a bandeira da ESPERANÇA… Os movimentos em massa são constantemente acusados de dopar seus adeptos com a esperança do futuro enquanto priva a sociedade de apreciar o presente. Contudo, para que estes movimentos ganhem espaço, existe uma grande parcela de frustados com o presente e, para estes, nenhum conforto ou satisfação real pode trazer alegria para este presente irremediavelmente estragado.

Quando os interesses e perspectivas de um indivíduo não parecem valer a pena viver, este está em desesperada vontade de algo de fora dele mesmo que o proporcione a vontade de viver. Todas as formas de entrega, dedicação, devoção, lealdade e entrega total são em essência um apego desesperado a algo que possa dar valor a nossas vidas inúteis e desperdiçadas. Então o apego a um substituto ao Estado formal será forçosamente apaixonado e extremo. O indivíduo pode ter confiança justificada nele mesmo, mas a fé que temos em nossa pátria, religião, raça ou causa sagrada precisa ser exagerada e sem compromissos. Um substituto adotado não pode suplantar ou eliminar o ego que desejamos esquecer. Não podemos estar certos de ter algo pelo qual valha a pena viver, a menos que estejamos prontos a morrer por ele. Esquecer o ego seria o suicídio fanático - político. A disposição de morte é a linguagem cabal da mensagem: esta é sem sombra de dúvidas a melhor escolha que existe e morro por ela, por uma causa maior.


Marina Baitello

Sou observadora de vidas. A vida não é o que lhe acontece, mas aquilo que se recorda e a maneira como se recorda. A vida é um monte de acasos que fazem sentido... Escrevo apenas olhando..
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