resumindo e substituindo o mundo

Um espaço para comunicação e expressão sob todas as formas

Marina Baitello

Sou observadora de vidas. A vida não é o que lhe acontece, mas aquilo que se recorda e a maneira como se recorda. A vida é um monte de acasos que fazem sentido... Escrevo apenas olhando.

Não basta viver, é preciso pensar. Comece imediatamente.

Você tem cinco minutos para você? Você consegue analisar o que acontece a cada dia e pensar seriamente sobre o que é sua vida e o que você faz dela? Você tem exata noção de quem você se tornou ao longo do tempo? Se você não tem estas respostas pegue seus cinco minutos... IMEDIATAMENTE.


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De uma maneira muito deficitária, as coisas fazem sentido no Universo. Eu somente não entendo nem consigo explicar em palavras como isto ocorre ainda. Eu somente pude observar o que impele as pessoas em suas vidas: as pessoas procuram padrões e fazem concessões umas com as outras, o que as faz entender de alguma forma, a chave da condição humana.

Quando recebemos muitos acontecimentos bons na vida, acabamos nos perdendo em uma perseguição individualista de um hedonismo sem fim. Nunca estamos satisfeitos com o que temos no momento, sem talvez pensar que o momento atual pode ser o melhor momento. Olhamos para frente e desejamos; quando desejamos somos inflamados e sentimos… Da mesma forma que ascende-se um fósforo, ficamos acesos e agimos explosivamente, sem pensar, incansavelmente. É bom lembrar que nossos olhos só vêem o que nossos corações querem ver e muitas vezes somos traídos por nós mesmos, e, quando somos privados de coisas que julgamos elementares, questionamos por que tudo acontece…

“Quem sou para mim? Só uma sensação minha.”

(Fernando Pessoa - in “Livro do Desassossego”)

Permanecemos sempre em busca de respostas plausíveis que possam justificar nosso sofrimento… No fundo, bem no fundo, sabemos que uma vez tendo encontrado as respostas verdadeiras para nossos conflitos, estes deixam de ser conflitos e sofrimento e passam a ser entendimento e aprendizado.

Em nossa busca desenfreada, nunca estamos verdadeiramente conscientes de nós mesmos e dos outros. Não olhamos nossa atividade corporal, a maneira de nos sentarmos, os movimentos de nossas mãos e as palavras que usamos. Não analisamos cada pensamento ao longo de nossos dias, nossas emoções e reações para com o outro e para conosco ao logo deste tempo. Não analisamos as manifestações de nosso inconsciente, de nossa parte mais animal e instintiva. Não paramos para avaliar nossas mágoas mais profundas acumuladas. Sem esta auto-análise, a vida adquire uma superficialidade e fica-se fechado para as verdades e conclusões próprias que poderiam ocorrer para transformar sofrimento em aprendizado.

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A consciência de si provoca atenção involuntária sobre o que se faz, o que se pensa, o que se sente e como interagimos com o outro. A atenção é uma observação, uma experiência contínua que necessita de grande abertura para auto-críticas e reavaliação de decisões tomadas. A mente deve estar vazia, pronta para uma série de idéias e questionamentos. Uma mente povoada de pensamentos disfuncionais, desespero, angústia, voltada incessantemente para a busca do prazer, não está preparada o suficiente para explorar cada espaço do eu. Todo eu tem seus cantos escuros, e, apenas com grande esforço, pode-se chegar a estes pontos, pois sempre teremos resistências para trazer à tona coisas desagradáveis que estavam nestes cantos nebulosos, os quais nem temos consciência da existência muitas vezes.

Estar atento não é somente olhar para si, mas aceitar o que vem do outro, concordando ou não com que se recebe. Pessoas são sempre um apoio, um estímulo e um desafio… Inspiram, alegram, dão confiança, ajudam a construir a auto-estima de cada um de nós mas também destroem esta auto-estima preciosa em segundos e podem magoar muito. Como disse Drummond em “O Fazedor de Homens”, todo homem é uma ilha e ama sua ilha, porém faz pontes. Uma ilha se difere da outra pelo que cada homem pensa e, quando alguém se desperta para o pensamento, deixa de ser um fazedor de homens e torna-se um criador de homens. Um criador de homens passa a ter vontades, consciência, seu saber e sua carência… Quanto mais o homem precisa, mais ele luta e sofre, percebendo seus limites, isto é, sua carência. Por mais que o homem queira deixar de ser ilha, ele mantém suas pontes e continua a ser ilha…

As pontes de Drummond descrevem a interação com o outro e como cada homem percebe seu limite enquanto homem. Seu limite está no tamanho de sua carência e é a carência que determinará o que cada homem buscará no outro e como será sua interação com o mundo. O homem nunca destrói todas as suas pontes, pois teme a solidão total e sua inexistência para o mundo.

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Reproduzir padrões de comportamento é mais simples que criar novos padrões e, neste momento, a idéia é PENSAR.

Onde estão os cantos negros do meu eu?

Quem são as pontes que sustentam minha ilha?

Qual o tamanho de minha carência?

Eu analiso meu comportamento, emoções e pensamentos?

EU PARO 5 MINUTOS DO MEU DIA PARA PENSAR SOBRE MIM?

Se você não tem seus cinco minutos para pensar, pare. Comece IMEDIATAMENTE.

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Marina Baitello

Sou observadora de vidas. A vida não é o que lhe acontece, mas aquilo que se recorda e a maneira como se recorda. A vida é um monte de acasos que fazem sentido... Escrevo apenas olhando..
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