Vou iniciar a reflexão de hoje com um trecho que extraí do livro A Imagem Precária, de Jean-mar Schaeffer:
"... a imagem não quer dizer nada e não diz nada, mostra. Mas poderíamos tentar acomodar a teoria do segundo tipo de interpretação: a imagem, na verdade, não nos diz nada, ela nos mostra alguma coisa, mas ao nos mostrar alguma coisa, ela quer nos dizer alguma coisa. Em outras palavras, o que ela nos mostra 'simboliza' uma mensagem" (p. 204)
O mais louco de tudo é tentar compreender a maleabilidade interpretativa deste processo, já que o observador/receptor possui uma interpretação receptiva, composta pela contextualização fornecida pelo fotógrafo e pelo seu próprio conhecimento cultural. Em outras palavras, se você nunca presenciou/experimentou ou se informou a respeito do fato representado na imagem, você não terá a capacidade de compreendê-la. Logo, a fotografia não contextualizada não diz nada!
A imagem abaixo lhe transmite alguma mensagem ou lhe deixa confuso?
E se eu lhe disser que esta é a primeira fotografia colorida da história? A foto é de autoria do físico, filósofo e matemáticao James Clerk Maxwell, em 1861. A imagem ficou conhecida como "Tartan Ribbon", ou, em português, fita escocesa.
Conseguiu entender o que eu quis dizer?
Comentários
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Vitor Malheiros
Como um amante da fotografia de composição e dos grafismos, hei de discordar desse post.
Adoro o desafio de sentir a estranheza sensorial de uma imagem de construção complexa e desprovida de qualquer mensagem óbvia, e tentar compreendê-la simplesmente através dos elementos visuais presentes.
É um baita exercicio cognitivo para o nosso cérebro. Vale a pena experimentar.
Às vezes quem muito quer dizer, se embola e acaba não dizendo nada.
Miko Espuma
Esta foto é uma imagem que é intrepretada de varias formas, cada pessoa é livre de a interpretar à sua maneira . Isso da "fotografia não contextualizada não diz nada!" é um absurdo .
Cump.
Nádia Jung
Sim, querida muito bom este toque no assunto.
Para conseguir tal efeito ele fotografou o elemento colorido três vezes usando três filtros de cores fundamentais – vermelho, verde e azul – obtendo, desta forma, três negativos monocromáticos com variações de cinza distintos. Ele ainda converteu os negativos em slides e os projetou um sobre o outro, reproduzindo as cores do elemento original.
Na verdade isso tudo precisa mesmo fazer sentido dentro do contexto de quem o ``lê`` .
SOMENTE...
nadiajungcaptura@wordpress.com
Erivaldo Júnior
Puxa, Eliane: tô virando teu fã! Teus artigos sobre fotografia são altamente reflexivos. Bacana mesmo. Era tudo o que um aficcionado por fotos como eu precisava ler. Continue assim. Abração!
Obrigada, Erivaldo!
A ideia deste espaço é provocar a reflexão fotográfica mesmo!
Continue acompanhando os textos e opinando sempre que desejar! :-)
Abs
Isso mesmo, Nádia!
Bom saber que você compreendeu o que eu quis dizer por aqui! :-)
Abs
Caros Miko e Vitor,
Acredito que vocês devem ter confundido algumas informações por aqui. Em momento algum critiquei as imagens não óbvias e muito menos disse que a livre interpretação é algo errado.
Nesse texto, estou apenas argumentando que quando a imagem não é explicada/definida/legendada, em alguns casos, pode não significar nada para o observador. Isso não quer dizer que o exercício cognitivo não seja interessante.
E não é só na fotografia que isso acontece. Muitas outras obras artísticas não comunicam nada se o observador não reconhecer parte dos elementos e símbolos apresentados. E isso é inegável!
Espero que vocês compreendam assim e se ainda restar dúvidas, fiquem a vontade para questionar.
Abs
Adriano
Interpretar livremente. Desafio de interpretação.
Essas afirmações não conduzem à comunicação. Eu concordo que sem contexto a fotografia, bem como a arte e toda forma de comunicação, não diz nada.
O receptor até pode interpretar alguma mensagem, mas a livre interpretação não significa que se atingiu o significado pretendido pelo autor. Nesse caso, como uma frase mal formulada, a comunicação é falha, a mensagem não cumpre seu objetivo.
A questão não gira em torno das possíveis interpretações da imagem acima, mas se alguém conseguiu perceber que se tratava de um componente das vestes típicas escocesas. Se não, a mensagem se perdeu.
Foi exatamente o que eu quis dizer, Adriano!
Agradeço a visita e comentário. Volte sempre por aqui! ;-)
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