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música, cinema e vírgulas

Guilherme Fernandes

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Autoconhecimento e (é) libertação

As tensões na busca inconsciente pelo autoconhecimento, em meio ao caos das relações humanas, no que talvez seja o melhor filme produzido pelo cinema brasileiro em 2013.


Separações são complicadas. Quem fica com o quê. Audiências intermináveis. Divisão de bens. Lucros. Prejuízos. Fofocas. Discursos. Arrependimentos. Certezas. Dúvidas. Crises de choro. Bebedeiras intermináveis. Atitudes impensadas. Planos meticulosamente calculados. Juízes. Advogados. Fóruns. Filas de espera. Urgência frívola. Necessidades desnecessárias. O seu livro preferido na mão de outrem. O filme da vida de uma pessoa, nas mãos de outra. Confusões. Gritos. Suspiros. Ódio. Amor.

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E, no meio disso tudo, seu filho desaparece.

E, antes que consiga processar essa informação, você descobre que ele, com uma identidade falsa, comprou um cavalo e fugiu, sabe-se lá Deus para onde. Esse é o mote para o excelente filme de estreia do diretor Luciano Moura, A Busca, em cartaz nos cinemas.

Wagner Moura é Theo Gadelha, médico. Amarga o pedido de separação de Branca – interpretada por Mariana Lima – e a angústia de tentar blindar Pedro, seu filho, que está completando 15 anos (vivido por Brás Moreau Antunes), de todo esse processo tortuoso que é o desatar dos laços familiares. Entre tentativas frustradas e ataques de raiva, ora controlados, ora explosivos, Theo, ao descobrir que Pedro desapareceu, se joga em uma busca desesperada para encontrá-lo.

E, nessa busca, quem acaba se encontrando é ele.

O filme trata da questão familiar de forma sutil, embora tensa. Em paralelo, A Busca cuida das prioridades dos seres humanos. O que é importante para um pode não ser para o outro. Com desfechos interessantes para cada um dos envolvidos – destaque para a cena entre Theo e o senhor Custódio –, o filme consegue gerar o suspense necessário para pensarmos o que faríamos, caso as mesmas situações apresentadas acontecessem conosco.

Poucos filmes conseguem suscitar questões tão objetivas de uma forma tão real quanto A Busca. Em meio a todo o furdunço da viagem de Theo, vemos Branca exercitando, da forma mais angustiante possível, a sua solitude, e repensando suas prioridades e desejos. Talvez os nossos hermanos argentinos estejam cinematograficamente alguns passos à nossa frente, mas filmes, como o de Luciano Moura, me trazem de volta a esperança que tenho na criatividade de nosso povo sendo difundida para as massas atordoadas e, por que não, alienadas.

A Busca é sobre o ímpeto juvenil, o autoconhecimento paterno e as tantas possibilidades de se obter paz em meio ao caos dos corações quebrados.

Filme: A Busca (Brasil, 2012, 96 min.) Direção: Luciano Moura Roteiro: Elena Soarez, Luciano Moura Fotografia: Adrian Teijido Trilha sonora: Beto Villares Elenco: Wagner Moura, Mariana Lima, Lima Duarte, Brás Moreau Antunes Trailer:


Guilherme Fernandes

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