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Guilherme Fernandes

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Porque o Black Sabbath sempre será o Black Sabbath!

35 anos depois do ultimo álbum com a formação original, o Black Sabbath retorna com "13", e coroa sua carreira com o que pode vir a ser o último registro de inéditas do grupo.


Sim, eu sou fã do Black Sabbath. Não poderia deixar de falar sobre 13, novo álbum da banda.

Posso dizer que a descoberta do Sabbath foi responsável por 1/4 de minhas alegrias musicais. Completam a lista o Led Zeppelin, AC/DC e o Deep Purple. Ou seja, por mais restrições que eu tenha a esse retorno, seria ridículo de minha parte dizer que não estava esperando pelo lançamento de 13.

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Possivelmente você vai ler em todas as resenhas um monte de informações semelhantes, que já adianto por aqui: The End Of Beginning se parece com Black Sabbath, The Loner com N.I.B e Zeitgeist com Planet Caravan. Estão falando sobre auto-plágio e a falta de novidades. Uns mais apaixonados estão idolatrando o álbum, enquanto uns mais revoltados estão argumentando contra.

Pronto! Resumi uma série de textos em algumas linhas e cortei o barato dos resenhistas.

Em linhas gerais, é um bom álbum. Nada de mais, ou de menos. É claro que comparado ao nível do último lançamento com essa formação, Never Say Die!, em 1978, 13 consegue trazer algumas fagulhas de novidade para o som da banda. Entretanto, se o álbum for analisado sob o prisma de seus lançamentos anteriores, ficará tudo no mesmo patamar quanto à qualidade.

Brad Wilk (Ex-Audioslave, Rage Against The Machine) faz um trabalho correto. Os mais xiitas vão reclamar de alguns grooves, destilarão alguns impropérios sobre o baterista, chorar por Vinny Apice e correlatos, mas, em geral, Wilk fez um bom trabalho. Não tentou inventar a pólvora e soube dar o peso desejado para cada canção.

Iommi continua o mesmo. Riffs e mais riffs são jogados nas canções, como ele sempre fez, em todos os projetos que apresentou. O timbre de sua guitarra assemelha-se ao que encontramos no álbum Fused, do projeto Iommi & Hughes. Ou seja, Tony Iommi continua como Tony Iommi.

Gezzer Butler também continua o mesmo, como mostra Live Forever. Sem mais, até porque, com Butler, basta ouvirmos.

Quem vem acompanhando a carreira o Príncipe das Trevas, sabe que a sua voz já não é mais a mesma dos anos 70. Não existe razão para exigir muita coisa, além do que se ouve. Mas não pense que, por não se exigir nada do velhinho, ele decepciona. Ao menos em estúdio, Ozzy tem uma atuação corretíssima, casando sua voz com os riffs de Iommi, fazendo no Black Sabbath o que se espera do Black Sabbath.

Fiquei um pouco incomodado com a duração das músicas, mas não é algo que comprometa do trabalho em si.

Minha conclusão: é um álbum do Black Sabbath, no padrão do Black Sabbath. O que, com certeza, comparado ao cenário musical recente, já é bastante coisa.

Para quem ainda não ouviu, não espere que o Sabbath redescubra novas sonoridades em 13. Não é mais a função deles. Existe um punhado de boas bandas experimentando coisas interessantes, que talvez tragam músicas bem legais nos próximos anos. O Black Sabbath está aí para ser o Black Sabbath, e ponto final. Pedir para que eles se reinventem musicalmente se programar para uma frustração desnecessária.

É um bom álbum? É. Comparados aos clássicos? Depende do referencial.

Para mim, o Sabbath nunca decepcionou. Se existe alguma ponta de descontentamento com a banda, eles atendem pelos seguintes nomes: Tyr e Seventh Star. O que também não quer dizer que sejam discos horríveis. Conheço pessoas (e não são poucas) que acham esses álbuns espetaculares. Eu mesmo gosto bastante do Headless Cross, renegado por boa parte dos fãs mais radicais.

Dessa forma, é um pouco complicado comparar 13 com os clássicos.

O que posso garantir é que, para quem gosta de Black Sabbath, esse é mais um álbum deles para rodar em seu play.

E que fique claro: sempre fui ideologicamente contra essa reunião! Iommi poderia estar criando novos projetos, assim como Ozzy poderia seguir em sua carreira solo e Butler, talvez dessa vez, poderia explorar a sua absurda musicalidade de uma forma mais enfática. E existem milhares de outros argumentos contra a reunião da banda.

Só que se eles decidiram voltar – seja lá porque – e gravar um álbum como 13, que mantém o respeito pela história da banda, e não compromete em nenhum momento essa instituição do Heavy Metal que é o Black Sabbath.

Então, porque não aproveitar?

Dispa-se dos preconceitos e escute o álbum! Se gostar, coloque-o em seu ipod e curta mais um pouco. Se não gostar, escute o seu registro preferido deles, para "desintoxicar".

E viva ao Black Sabbath, uma das maiores bandas do mundo, hoje e sempre.


Guilherme Fernandes

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