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música, cinema e vírgulas

Guilherme Fernandes

go ahead, make my day!

Ouro para corações caóticos

Com apenas 27 anos, Ryan Adams disse que queria inventar um clássico moderno.


Não me lembro se ouvi falar ou li algo à respeito desse álbum. Do pouco que me lembro, guardo na memória as sinceras alegrias compartilhadas pelo tal relato. Logo procurei saber quem era, o que era, o as razões dessa alegria toda. O nome essa alegria toda é Ryan Adams – não confundir com o muxoxo Bryan Adams! – e o álbum causador de tudo isso é o Gold. E, com perdão do clichê, verdade seja dita: esse álbum vale ouro mesmo.

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Sua audição acalma até os mais caóticos pensamentos. A vivacidade com que as composições vão se desenrolando, simples, porém emotivas, vai deixando sua alma calma, tranquilizando o ambiente. Depois de algumas faixas, até um estádio de futebol em final de campeonato se torna algo tranquilo e palatável. Rapidamente, Gold se transforma na minha trilha sonora perfeita para o pós-rush diário, com adição de duas pedras de gelo em um copo curto e uma boa dose de bourbon.

Gold tem um pouco de tudo que é bom (e que talvez você não saiba): Youngs, Dylans, Springsteens e afiliados. Felizmente, boa parte do material fonográfico americano passa, direta ou indiretamente, pelas mãos e mentes desses monstros, que influenciam desde músicos populares aos rappers e roqueiros mais die hard do país.

O disco começa com a trinca "New York, New York", "Firecracker" e a pérola "Answering Bell". Seus versos e sua musicalidade emocionam logo na primeira vez que ouvimos, e, aliviados, descobrimos que não para por aí: um desfile de belas canções, hits instantâneos em 98% das playlists dos amantes de boa música. Você vai se espantar em ver que "Somehow, Someday" se transformará em sua canção predileta até metade de sua duração. Depois, terá dúvidas se escolheu certo, porque o refrão da grandiosa "Nobody Girl" tem o poder de prender sua atenção em alguma coisa, mesmo depois de um dia longo de trabalho. E isso vai até "Touch, Feel & Lose", passando por "Wild Flowers" e fazendo você colocar mais uma dose no copo com "Sylvia Plath".

Com apenas 27 anos, Ryan Adams disse, em uma entrevista, que queria inventar um clássico moderno. Com méritos, respeito e muita musicalidade, conseguiu.

Um conselho de amigo: Não deixe esse ouro passar pela sua vida.


Guilherme Fernandes

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